O que falar em um primeiro momento na adolescência

Mesmo que ela já tenha namorado antes, vocês dois são novos um para o outro. Esse é um ótimo momento para vocês se conhecerem de forma positiva, perdoando pequenos erros e aumentando gradualmente a fé e a confiança que depositam um no outro. O primeiro encontro é a melhor forma de conhecer alguém e começar um relacionamento. 'Em um primeiro momento, cabe aos pais ajudar a criança a construir sua sexualidade de maneira positiva', afirma Bonfim. ... dos pais para saber sobre o que e quando falar. ... de classe do ... Escolha um momento em que o adolescente prestará atenção na conversa, como um passeio de carro. Procure um momento em que não haverá distrações e evite os horários imediatamente antes e depois da escola. Durante esse período, peça para que ele guarde o celular. Seja breve na discussão para que ele não fique entediado ou comece a se ... De acordo com o Ministério da Saúde, houve uma queda no número de gestações entre os 15 e 19 anos. Em 2000, foram 721.564. Em 2018, último ano da série informada, foram 434.573. A gente sabe que, se tem uma fase complicada da vida, é aquela em que estamos entrando na adolescência – a famosa pré-adolescência. É neste momento em que começamos a entender melhor quem ... Em conclusão, experimentar o amor na adolescência é um sentimento que deixará uma marca na vida do jovem. A maneira mais saudável de viver esse momento é com o apoio e a companhia dos pais. Portanto, você deve ser uma aliada e conselheira nesta linda fase da vida. A gravidez em si já é um período de atenção e cuidados extras. Porém, quando ela acontece no período da adolescência os cuidados devem ser redobrados. O que é possível fazer para que a gravidez na adolescência ocorra de um modo mais tranquilo? O primeiro passo é a gestante adolescente iniciar o pré-natal o mais cedo possível. Na adolescência, o afastamento durante o namoro é normal. No livro 'Filhos adolescentes – Um jeito diferente de lidar' (Summus Editorial, 230 págs, R$51,90) o psicoterapeuta americano Michael Riera explica que 'quando um adolescente experimenta o primeiro amor, faz sentido que ele organize sua vida em redor dele. O que é adolescência, transformações no corpo, comportamento dos adolescentes, hormônios na adolescência, puberdade, conflitos, foto, idade em que ocorre a adolescência, puberdade, gravidez na adolescência, psicologia A adolescência é um momento em que os jovens encontram-se desejosos de novas descobertas e com muita energia. É preciso dar-lhes voz, acolher suas motivações, inseri-los no contexto escolar e construir situações para a socialização e aprendizagem.

Não sei onde tomei a estrada errada vida...

2020.09.19 01:02 Niddo_87 Não sei onde tomei a estrada errada vida...

32 anos (33 em breve), trabalho em um lugar ruim com um serviço de merda (atendendo o público), já pensei em "acabar com tudo" mais de uma vez, porém me faltou coragem e eu penso nas pessoas que ainda se importam comigo de verdade.
Queria poder voltar no tempo só um pouco, uns 10 anos e poder falar comigo mesmo, mostrar como as coisas iriam de ladeira abaixo. Pensar que eu achava que estava indo ladeira acima naquela época... As pessoas que entram na minha vida só repetem sempre a mesma coisa: "pare de se martirizar, isso foi no passado, você agora é outro, adulto, maduro e deve enfrentar as coisas como tal". Certo, e como faço isso? Passei toda minha vida sendo tolhido de tudo que quis fazer, sou um filho que não foi planejado (minha mãe achava que não podia engravidar e deu uma sem camisinha com meu pai), meu irmão sempre foi e é colocado em primeiro lugar até hoje.
Sempre fiz de tudo para tentar agradar os outros e acabei me deixando em segundo plano, assim como as pessoas sempre me deixaram em segundo plano. Cresci com uma estima no fundo do poço, nunca fiz nada que gostei e agora me sinto velho e sem motivação para "começar do zero".
Desde pequeno sempre tive meus planos tolhidos para que meus pais tentassem satisfazer suas necessidades e desejos não realizados através de meu irmão. Ele sempre teve prioridade em tudo e inclusive teve oportunidades que eu nunca tive, pois "se o mais velho falhou, provavelmente o mais novo irá falhar também". Isso vai desde querer estudar espanhol (que meu irmão teve a oportunidade e simplesmente jogou fora) a ser aficionado por informática. Consegui convencer meus pais e meu irmão a gastar uma poupança nossa em nosso primeiro PC! E acho que esse foi o ponto mais alto de minha vida. Pois até quando tentei me matricular em um curso de informática (que poderia ter transformado minha vida) eles (meus pais) me obrigaram a fazer inglês. Resultado? Abandonei o curso em 2 semanas, eu nem tinha vontade aprender inglês, gostava mais de espanhol... E não, eu não podia me matricular no curso de informática, eu tinha 14 anos e não tinha renda. Nessa época não existiam tantos tutoriais e a internet ainda engatinhava, então eu não pude ser autodidata nesse aspecto.
Alguns anos se passam e meu pai faleceu, eu tinha 19 anos. Perdido e sozinho em um dos momentos mais cruciais de minha adolescência. Dois anos depois minha avó (que era como uma segunda mãe para mim) também se vai... Mergulho com tudo na cachaça. Desperdiço 3-4 anos de minha vida em bares e festas, estudo? Já tinha encerrado o ensino médio e não pensava em mais nada, na verdade eu só queria que tudo acabasse ali, naqueles anos.
Encontro uma pessoa que, naquele momento, foi minha salvação. Ela não me tirou do mundo da cachaça, mas me ajudou a retomar estudos, procurar emprego e era alguém que eu tinha uma estabilidade emocional, em vez de sair por aí pegando doença venérea. Passamos 7 longos anos juntos e quando tudo acabou eu cheguei ao fundo do poço como nunca antes... Agora já estou nos meus quase 30 e a vida continua uma merda, meu passado me persegue, mas consigo seguir em frente. Sou graduado, tenho pós-graduação e estou trabalhando... Conheço essa outra pessoa em meu trabalho e a vida parece fazer sentido de novo! Até que uns anos se passam e chegamos ao agora, estou casado com ela e a vida parece que está pior do que antes.
Temos nossos bons momentos, mas às vezes o casamento mais é um estorvo do que algo que nos traga felicidade. Acho que ela não se sente feliz comigo e eu tenho esses episódios de depressão (os quais ela desdenha), eu também ando me sentindo infeliz, acho que ela age de maneira muito egoísta em certos momentos. Em suma: meu trabalho é um lixo, sou perseguido pelo meu passado, meu casamento está falindo e eu não tenho motivação para tentar mudar esse cenário. Queria ser mais forte...
submitted by Niddo_87 to desabafo [link] [comments]


2020.09.04 05:42 SpeedHS11 Edgar Allan Poe - O Gato Preto e Outras Histórias

Edgar Allan Poe - O Gato Preto e Outras Histórias (editora PandorgA) 
https://preview.redd.it/216yppdxq1l51.jpg?width=566&format=pjpg&auto=webp&s=e5378e193d4acd6aab19abf302c57accc2e82527
Este livro contém 4 contos:
- o gato preto (1843)
- Ligeia (1838)
- a queda da Casa de Usher (1839)
- pequena conversa com a múmia (1839)

O Gato Preto (1843) 
''NÃO ESPERO NEM PEÇO que acreditem neste relato estranho, porém simples, que estou prester a escrever. Louco seria se eu o esperasse, em um caso onde meus próprios sentidos rejeitam o que eles mesmos testemunham.''
Faço das palavras de Poe as minhas, o conto começa com Poe falando de sua paixão por animais, e que sempre foi mimado pelos pais em relação à isso, o conto carrega toda uma história por trás, a começar pelo nome Plutão, que é o apelido de Hades (deus dos mortos), a cor preta, a superstição de que gatos pretos seriam bruxas disfarçadas e também a ideia de sete vidas dos gatos, todas essas características se encaixam perfeitamente no enredo do conto.
Com o passar do tempo, Poe foi mudando para uma pessoa pior, graças ao alcoolismo, se tornando mais melancólico, irritável, e indiferente às todos ao seu redor, menos ao gato, porém isso não durou muito tempo e o gato agora também passara a sofrer assim como todos os outros com as atitudes de Poe.
Quando Poe voltava para casa após mais uma noite de puro alcoolismo, percebeu que Plutão evitava-o, percebendo isso tratou de agarrar o gato, porém, o gato ficou assustado (com razão) e acabou dando uma pequena mordida em sua mão, isso despertou uma fúria (como o próprio Poe diz, demoníaca) e ele acaba por arrancar o olho do gato com um canivete que estava em seu bolso.
''de fazer o mal pelo único desejo de fazer o mal'' E foi assim que Poe fez o que ele julgava errado mas fez. Em uma manhã fria ele enforcou e matou o gato, no galho de uma árvore enquanto lágrimas escorriam de seus olhos, segundo as próprias palavras de Poe: ''enforquei-o porque sabia que assim fazendo estava cometendo um pecado - um pecado mortal, que comprometeria então minha alma importal e a colocaria - se tal coisa fosse possível - além do alcance da infinita misericórdia do Deus mais misericordioso e mais terrível.'' A noite do mesmo dia terminou com a casa de Poe em chamas, a cortina de seu quarto pegou fogo e por pouco conseguiram sair todos vivos e a casa acabou completamente destruída.
No dia seguinte ao incêndio, quando Poe visita as ruínas do que sobrou de sua casa, todas as paredes com exceção de uma tinham desabado e justo nessa única parede que não havia sido destruída completamente, estavam as palavras ''estranho!'', ''singular!'' e outras expressões similares, que despertaram a curiosidade de Poe, porém, o que mais o intrigava era o fato de que nessa mesma parede havia a figura de um gato de um gato gigantesco e havia uma corda ao redor do pescoço do anomal, Poe criou uma grande explicação para o ocorrido e se deu por satisfeito, embora dessa forma tenha prontamente satisfeito a razão, ele não poderia dizer o mesmo quanto à sua consciência.
Sem mais nem menos, surge um gato preto extremamente parecido com Plutão, no meio da noite em mais um dia de bebidas de Poe, os dois acabam gostando um do outro e assim, o gato segue para a casa de Poe e logo se familiariza com a casa e a esposa. Aos poucos por alguma razão Poe começou a sentir uma aversão ao gato, o fato do animal não ter um olho e a marca no peito do gato que antes era indefinida, mas agora essa marca branca passa a ser a imagem do enforcamento, contribuiram para essa aversão.
Certo dia enquanto ia para o seu porão, o gato mais uma vez o seguia e acompanhava-o, desta vez o gato acompanhava Poe enquanto descia as escadas e quando o fazendo cair, isso despertou uma fúria demoníaca em Poe, que na mesma hora pegou seu machado, quando estava pronto para matar o animal sua mulher interviu, desviando o golpe, sem pensar Poe enfiou o machado na cabeça de sua mulher, ela caiu morta sem sequer gemer.
Poe agora precisava se livrar do corpo, pensou e chegou na conclusão que deveria emparedá-la no porão, o que ele fez foi retirar os tijolos de um ponto da parede que havia uma saliência de uma falsa chaminé e fez no final das contas um ótimo trabalho.
O gato obviamente assustado com a situação fugiu e nunca mais voltou, isso despertou uma sensação de alívio em Poe, ele se sentia um homem livre, a sua consciência em relação sua mulher, pertubava- o pouco. No dia seguinte policiais foram até a casa fazer uma última busca e quando já estavam prestes a ir embora, Poe cita o quanto aquele porão fora bem construído e acaba por bater na parede com a bengala que segurava, na qual estava o cadáver de sua mulher do coração.
O eco da batida nem tinha acabado de soar quando uma voz de dentro respondeu com um uivo, como se tivesse vindo do inferno, com isso Poe quase desmaia até a parede do lado oposto, o cadáver ''com a boca vermelha escancarada e o olho solitário de fogo, estava sentada a criatura hedionda cujos ardis tinham me seduzido ao assassinato, e cuja voz delatora havia me condenado à forca. Eu tinha emparedado o monstro dentro da tumba!''
Ligeia (1838) 
O conto começa com Poe lembrando-se de Ligeia, fazendo grandes elogios e lembrando-se apenas que a encontrou pela primeira vez em alguma grande e decadente cidade às margens do Reno. Poe não se lembra do nome de sua família.
''Não existe beleza rara sem que haja algo de estranho em suas proporções''. Poe segue exaltando Ligeia: Alta, porte majestono, a quietude complacente de seu comportamento... A pele rivalizava com o mais puro marfim, a imponente fronte sobressaindo e a delicada proeminência acima de suas têmporas, as brilhantes e negras madeixas, negras como as asas de um corvo, luxuriantes cachos naturais, suas linhas delicadas do nariz, as covinhas, os olhos bem maiores do que o comum, a magnífica curvatura do lábio superior e o aspecto suave e voluptuoso do inferior. Ele se lembra de seus olhos, incríveis e incomuns, largos e luminosos, e sentiu fortes sentimentos ao lembrar de seus olhos, que só sentiu os mesmos sentimentos raramente quando: viu o crescimento de uma videira, numa mariposa, uma borboleta, um fluxo de água corrente...
Poe lembra dos primeiros anos de casamento, em que ele confiava em Ligeia em nível de confiança semelhante à de uma criança, a ser guiada por ela, em um caótico de investigação metafísica em que se achava ocupado durante os primeiros anos de casamento. Enquanto Poe acompanhava de perto a morte de Ligeia na cama, ela demonstra todo a sua paixão e pede a Poe que leia alguns de seus versos, logo após Poe terminar a leitura, Ligeia ergueu-se e teve espasmos, e então, abaixou os braços retornando ao leito de morte e morreu.
Meses depois do ocorrido, Poe, compra uma abadia em um lugar remoto da Inglaterra se casa com Lady Rowena, no primeiro mês de casamento ela temia o violento mau-humor de Poe seu temperadomento, que tanto evitava e amava. No segundo mês de casamento Lady Rowena fica doente e demora para se recuperar até que um segundo e mais violento acesso a acometeu, colocando-a de volta à cama em sofrimento, ela começa a ficar doente de forma mais grave e reccorente, Poe então decide dar uma taça de vinho para recuperá-la, foi aí então que ele ouviu passos leves sobre o carpete próximo a cama, e então quando Rowena estava prestes a bebero cálice, ele viu caindo dentro da taça, três ou quatro grande gotas de um brilhante líquido, porém ele achou que fosse tudo imaginação e não mencionou o fato à ela, algum tempo depois ela morre e seu corpo é preparado para o túmulo.
Com o tempo, Poe percebe que suas bochechas voltam a ficarem vermelhas, durante alguns dias ele escuta alguns sons do cadáver e havia até mesmo uma leve pulsação de seu coração, ela estava viva, porém, sempre indo e voltando da morte, com grandes sinais à prova, mas Poe não se importava e estava cansado das violentas emoções.
De repente, ela ergue-se da cama, cambaleando de olhos fechados avanã para o meio do quarto, Poe se aproxima e toca, fazendo assim cair os tecidos sinistros que a enrolavam, revelando assim seus cabelos negros, mais negros que as asas de um corvo da meia-noite e os grandes olhos, grandes, negros e selvagens de seu perdido amor, Lady Ligeia.
A queda da Casa de Usher (1839) 
Poe percorri de cavalo um caminho escuro, chegando à casa de Usher (sua caraterística principal era parecer excessivamente antiga) ele sente uma sensação de insuportável melancolia invadir seu espírito, ele chega até a sala grande e imponente em que Usher (um dos únicos amigos de infãncia e adolescência de Poe) estava, Usher então se levanta do sofá e o comprimenta calorosamente. Com sua voz que variava rapidamente de um indecisão trêmula até uma forma pesada e lenta de falar, ele contou sobre o objetivo da visita e do consolo que ele esperava sentir com a presença de Poe e abordou a causa de sua doença, disse que era um mal constitucional e familiar para o qual ele já não tinha esoerança de encontrar uma cura.
Ele sofria de um aguçamento mórbido dos sentidos: só suportava as comidas mais insípidas, só podia uisar vestes de certa textura, o cheiro de todas as flores o oprimia, uma mera luz fraca torturava seus olhos e somente alguns sons não lhe inspiravam horror. Poe percebe pouco a pouco por meio de alusões entrecortadas e ambíguas, ele estava dominado por certas impressões supersticiosas com relação ao imóvel onde vivia e de onde, por muitos anos, nunca havia se aventurado a sair, superstições acerca de uma influência cuja força hipotética foi descrita em termos muito obscuros para ser relatada aqui e a aproximação evidente e iminente da morte de sua querida e amada irmã, lady Madeline.
Lady Madeline tinha uma apatia, uma devastação física lenta e gradual, e frequentes afecções de um caráter parcialmente cataléptico. Até então, lutara com firmeza contra a doença e não se entregara à cama, mas, ao final da noite, ela sucumbiu e Poe nunca mais a veria a mesma dama pelo menos enquanto vivesse.
Usher declarou que tinha a intenção de preservar o corpo da irmã por quinze dias (antes de finalmente sepultá-la), em uma das várias câmara que existiam dentro dos muro principais da casa, a razão era o caráter incomum da morte da falecida e as inevitáveis perguntas inoportunas e impulsivas por parte dos médicos, Poe ajuda pessoalmente nos preparativos do sepultamento temporário, levam ao à uma câmara que estivera fechada por muito tempo e lá é revelado que Usher e sua irmã eram gêmeos.
Uma noite tempestuosa, ma terrivelmente bela invadiu o quarto quase erguendo-os do chão, um vapor agitado subia pela casa e a encobria como uma mortalha, Poe logo retirou Usher de perto da janelo e colocou-o na poltrona, lendo um de seus romances favoritos: ''O Louco Triste'' de Sir Launcelot Canning.
Ao terminar a leitura, em que um escuto havia caído sobre um piso de prata, Poe, como escuta como se relamente um escudo de bronze tivesse caído com todo seu peso sobre um pavimento de prata. Quando Usher é questionado por Poe sobre o barulho, Usher: ''Sim, eu ouço e tenho ouvido. Por muito... muito... muito tempo... por muitos minutos, muitas horas, muitdos dias ouvi... Nós a colocamos viva no túmulo! INSENSATO! ESTOU LHE DIZENDO QUE ELA AGORA ESTÁ DO OUTRO LADO DA PORTA!''
Como em um passe de mágica, a porta para que Usher apotava abriu lentamente, e lá estava a figura alta e amortalhada de lady Madeline Usher. Então, com um lamento baixo, desabou pesadamente sobre o corpo do irmão, e em sua agonia final, arrastou-o para o chão, morto, vítima dos terrores que havia previsto.
Poe então foge horrorizado daquele quarto e daquela mansão, de repente, uma luz forte surgiu no caminho, era a luz da lua cheia, um vermelho escalarte que brilhava através daquela rachadura na mansão e que se estendia até do telhado até o chão. Dali veio um sopro forte do redemoinho, as grandes paredes desabavam enquanto se ouvia uma demorada e tumultuada gritaria, como se o ruído viesse de mil aguaceiros, e o lago profundo e gélico aos seus pés se fecharam, de forma sombria e silenciosa, sobre os destroços da ''Casa de Usher''.
Pequena Conversa Com a Múmia (1839) 
O simpósio (festa após um banquete) da noite anterior tinha sido demais para Poe, com uma dor de cabeça miserável e caindo de sono preferiu fazer uma última refeição antes de dormir (Welsh rabbit). Porém, ainda não completara o terceiro ronco quando a camapinha começa a tocar furiosiamente, era um bilhete do doutor Pononner, que dizia que obteve o consentimento dos direitos do museu da cidade para examinar uma Múmia, em um salto se levantou da cama rumo à casa do doutor.
Chegando na casa do doutor ele encontrara um grupo ansioso e a Múmia, encontrada às margens do Nilo, estendida sobre a mesa de jantar, acâmara onde fora encontrada a Múmia era rica em ilustrações, isso indicava uma vasta riqueza do morto. Encontraram o corpo em ótimo estado de preservação, sem nenhum odor perceptível, cor avermelhada, olhos removidos e substituídos por olhos de vidro, cabelos e dentes em boas condições. Quando perceberam que já passava de duas horas da manhã, decidiram adiar a dissecação até a noite seguinte, porém, alguém surgiu com a ideia de fazer um experimento com a pilha de Volta (aplicar eletricidade).
Prestes a ir embora, Poe se depara com as pálpebras da Múmia coberta pelas pálpebras, depois do choque inicial decidiram prosseguir com um novo experimento, e, durante o mesmo, a Múmia desfere um pontapé no doutor Ponnonner que foi lançado à rua janela abaixo. Depois de iniciarem o teste elétrico a Múmia espirrou, sentou e se dirigiu aos senhores Gliddon e Buckingham com um egípcio perfeito um discurso, neste discurso ele reclamou de ser despido num dia frio e da forma como fora tratado.
Gliddon fez um discurso em que citava principalment os enormes benefícios que a ciência podera obter com o desenrolamento e a evisceração das múmias e aproveitou o momento para se desculpar por qualquer incômodo que pudéssemos ter causado à múmia Allamistakeo, reparando que ela estava se tremendo de frio, o doutor correu e logo voltou com uma casaca preta, um par de calças xadrez azul-celeste, uma camisa xadrezinha cor de rosa, um colete de brocado com abas, um sobretudo branco, uma bengala de passeio, um chapéu sem aba, um par de botas de verniz, um par de luvas de pelica cor de palha, um monóculo, um par de suíças e uma gravata cascata.
Seguiu-se uma série de perguntas e de cálculos pelos quais se tornou evidente que a antiguidade da múmia tinha sido muito mal avaliada, haviam passado cinco mil e cinquenta anos e alguns meses desde que ela tinha sido despachada. Logo depois a múmia explica o princípio fundamental do embalsamento e que gozava de ter o privilégio de ter nas veias sangue do Escaravelho, pois só assim teria o direito em sua época de ser embalsamado vivo. O Escaravelho era o brasão, as ''armas'' de uma família muito nobre e muito distinta, pois era comum se retirar o cérebro e as vísceras do cadáver antes de embalsamá'lo, só o clá dos Escaravelhos não seguia essa regra.
''Veja nossa arquitetura!'' gritava Ponnonner. ''A Fonte Bowling-Green!Ou, se esse espetáculo e imponente demais, contemple por um instante o Capitólio, em Washington, D. C.! E o bom doutorzinho chegou até a detalhar de forma minuciosa as proporções do edifício a que se referia. Explicou que o pórtico era adornado com não menos que vinte e quatro colunas, cada uma com um metro e meio de diâmetro e colocadas a três metros de distância umas das outras.
O conde respondeu que lamentava não se lembrar das dimensões precisas de nenhum dos edifícios principais da cidade de Aznac, cuja fundação se perdia na noite dos séculos, mas cujas ruínas permaneciam ainda de pé, se lembrou de ter visto um palácio secundário que tinha cento e quarenta e quatro colunas, com onze metros de circunferência e sete metros de distância entre cada uma delas, o acessoa esse pórtiro, vindo do Nilo, era feito através de uma avenida de três quilômetros, composta por esfinges, estátuas e obeliscos de seis, dezoito e trinta metros de altura. O palácio em si tinha, só em uma das direções três quilômetros de comprimento e deveria ter, ao todo, uns onze de circuito. As paredes eram ricamente decoradas, por dentro e por fora, com pinturas hieroglíficas. Ele não pretendia afirmar que até cinquenta ou sessenta dos Capitólios do doutor poderiam ter sido construídos dentro dessas paredes, mas que tinmha absoluta certeza de que duas ou três centenas deles se espremeriam ali com alguma dificuldade.
Nisso se seguiu a noite com os cavalheiros fazendo perguntas complexas ao egípcio, que respondia todas surpreendentemente bem, os cavalheiros não sabiam mais que perguntas fazerem, pois, a cada pergunta que faziam, o egípcio respondia todas e simplesmente os calava com sua superioridade egípcia em basicamente todas as áreas mencionadas pelos cavalheiros ali presente.
Porém, quando estavam prestes a serem derrotados intelectualmente, Ponnonner perguntou se as pessoas no Egito realmente pretendiam rivalizar com as pessoas modernas, na importantíssima questão do vestuário. O conde então olhou para os suspensórios de suas calças e, segurando a ponta de seu fraque, segurou-os perto dos olhos por alguns minutos. Deixando-os cair finalmente, sua boca escancarou-se gradualmente de uma orelha à outra, mas não me lembro se respondeu alguma coisa.
O egípcio baixou a cabeça. Nunca houve um triunfo tão completo, nunca antes a derrota foi assumida com tanto despeito, Poe pega seu chapéu e parte para casa. Chegou em casa depois das quatro horas da manhã e foi-se deitar, agora eram dez horas da manhã com Poe escrevendo estas lembranças, ansioso para saber quem será o Presidente em 2045, iria procurar o doutor Ponnonner e pedir para que seja embalsamado por alguns séculos.
submitted by SpeedHS11 to Livros [link] [comments]


2020.09.01 19:36 hmmild Meu feedback sobre New World

I – INTRODUÇÃO

1.Olá, primeiramente, queria dizer que eu sou apenas um cara que gosta de jogar e ajudar as pessoas e, que as vezes algumas ideias surgem à mente, e assim aconteceu durante esse primeiro contato com o jogo e, por oportuno, explicar que aqui são apenas algumas ideias iniciais, que precisam ser trabalhadas, veja bem, ideias, um ponto de vista pessoal, ou seja, apenas uma opinião pessoal como jogador.

2.Eu começo dizendo ainda: difícil não é você conseguir players para um novo jogo, mas sim mantê-los.

3.Aqui estão apenas algumas idéias e análises pessoais de um jogador comum. Muitas coisas que estarão aqui são ideias iniciais e esboços prematuros. Antes de começar, queria deixar uma visão rápida sobre o que eu penso da realidade dos MMORPGs ao longo do tempo:

  1. O mundo já não é mais como era há 10, 20 anos atrás. As tecnologias e as informações estão cada vez mais intensas e aceleradas. Dito isso, na minha análise como jogador há mais de 20 anos, eu percebo que muitas "empresas tradicionais" não acompanharam essa revolução tecno-científica no mesmo ritmo em que elas aconteceram, tanto é que muitas delas, precursoras de alguns gêneros, somam mais prejuízos do que lucro.

  1. Na primeira década do século, podíamos contar nos dedos de uma das mãos os grandes e pioneiros jogos de MMORPG, dentre outros gêneros semelhantes.

  1. Muitos de nós, hoje com seus trinta e poucos anos, ou quase lá, de existência, estávamos na adolescência e começando a engajar nesse universo dos MMORPG, passando horas e horas do nosso tempo imersos em determinado game da espécie.

  1. Pois bem, o tempo passou, e aquela galera que crescia junto com os primeiros MMORPGs foram se ocupando com seus empregos, estudos, família, enfim, já não tinham mais tanto tempo livre para despender aos MMORPG da época, que exigiam e recompensavam os jogadores mais imersivos e dedicados exclusivamente ao jogo.

  1. Nesse contexto, juntamente com o avanço acelerado da globalização, algumas empresas foram rápidas e perspicazes ao perceberem a tempo essas mudanças no mercado. Eis então que surgem e se popularizam gêneros como por exemplo: os mobas, battle royale, os hack and slash, os action rpgs entre outros.

  1. Aqui não vou me alongar muito sobre o tema, apenas dizer que esses gêneros conseguiram contemplar uma gama muito maior de jogadores, como, por exemplo, aqueles que não tem muito tempo para dispor ao game e, também obtiveram uma fatia maior ainda de mercado. Consequentemente, por obterem êxito com essa façanha, muitos jogos explodiram e se popularizam virando fenômenos, trazendo cada dia mais e mais adeptos ao seu nicho.

  1. Agora, no cenário atual, o jogador que joga 12 horas por dia e o jogador que joga apenas duas horas, estão num cenário de igualdade. Uma vez que o mundo e o mercado mudou, o foco dos games mudou, as pessoas mudaram, as tecnologias mudaram. Porém, muitas empresas, que desprezaram até a própria comunidade, não conseguiriam enxergar isso e foram à falência, já dizia Cássia Eller: “Mudaram as estações e nada mudou...♫”

  1. É possível perceber, que esses novos jogos buscam manter sempre um cenário justo, equilibrado, alinhado a diversão, interação e o constante progresso, valorizando outros aspectos em detrimento ao tempo gasto com o jogo e execuções de ações massivas, repetitivas e cansativas. Agora há um equilíbrio natural, o principio fim é, por exemplo, a habilidade individual e o raciocínio de cada jogador, e não mais nos itens e nas vantagens dos leveis que o jogador adquiriu jogando 25 horas por dia. Agora, para você conseguir progredir no game e estar entre os melhores, não é preciso ser um “crackudo” e totalmente aquém da realidade.

  1. Dito isso, deixo algumas questões? Qual caminho New World quer seguir? O que New World quer contemplar? Qual o público alvo do New World?

  1. Eu acredito que assim como algumas novas empresas estão fazendo e, conseguindo sucesso com isso, a Amazon, com o New World, pode focar o máximo possível na igualdade e num sistema justo de progressão, encaminhar as dificuldade e os desafios dentro do jogo para o ponto certo, e não mais ficar na mesmice falida de sempre.

  1. Se a Amazon conseguir isso, New World tem um potencial enorme de crescimento e de dar um passo importante para uma nova era dos gêneros de MMORPGs . Mas para isso, na minha singela opinião, é preciso deixar de lado alguns preceitos ultrapassados que já não se enquadram mais no mercado atual.

  1. Dessa forma, é necessário reinventar e criar novos paradigmas e, antes de mais nada, é fundamental ter muita coragem e não ter medo de errar, para que no fim, não seja apenas mais um no meio de tantos jogos horríveis que já existem, e que ainda insistem na mesmice ultrapassada de outrora.


II – OBSERVAÇÕES INICIAIS SOBRE NEW WORLD


  1. Acredito que New World precisa ter um proposito inicial mais conciso, seja para atrair novos jogadores, seja para mantê-los. É preciso haver uma ideia central que faça com que o game não se torne algo repetitivo, enjoativo e com um fim precoce.

  1. Como fazer isso? Primeiro de tudo, o game deve ter um sistema justo e igualitário para todos. Como assim? Deve recompensar dentro das proporções todos os jogadores de maneira igual, seja o que joga sozinho, seja o que joga em grupo, seja o que joga 20 horas por dia, seja o que joga duas horas, ponto.

  1. O quesito, por exemplo, da "sorte aleatória", pode ser bem melhor trabalhado para esse aspecto. Abordo esse tema melhor no item VIII do tópico. Isso possibilita que os jogadores tenham em mente que em New World a qualquer momento a sua sorte pode mudar, e que mesmo você jogando pouco tempo, você pode ter a chance de ser agraciado de alguma forma com a sorte.

  1. Outra fundamental observação é que devem existir temporadas sazonais, sempre com atualizações e novidades, em busca de a cada nova temporada aprimorar o conteúdo que já existe.

  1. Eu não acredito que o jogo deveria ter uma transição engessada, por exemplo: começa aqui, vai pra ali, e depois terminar lá, mas também não deve ser algo desorganizado e sem sentido, é preciso limitar algumas progressões precoce demais, criar um sistema de penalidades de ganho de experiência, assim tudo terá seu devido tempo para acontecer. O que eu mais tenho observado são players leveis baixos correndo e atravessando para áreas que tecnicamente deveria ser mais perigosa ou restritas para eles no momento. Acredito que as busca pelo level máximo não deva ser algo com grande impacto dentro do jogo, mas também não deve ser desprezado tão facilmente, o foco do jogo não deve ser farmar, farmar, farmar, farmar, farmar, tal área, ou tal monstro. O foco não deve ser o level máximo e suas vantagens extrapoladas. Sinceramente, existem infinitos e melhores aspectos a serem exploradas do que isso.

  1. Dá pra perceber que o jogo mistura um pouco a história da alta e baixa idade média juntamente com o início da formação dos primeiros burgos. O território se divide numa espécie de suserania e vassalagem e mistura a ideia de um feudo/burgo.

  1. Um grande problema que deu pra perceber nesse primeiro teste, é justamente a questão territorial, aparentemente os players tendem a se agrupar na facção que possui mais domínio de terras e mais faccionados afim de buscar mais facilidade dentro do jogo. Isso é preciso ser corrigido, criando algum sistema de equilíbrio natural, fazendo com que esta questão não tenha tanto impacto no jogo.

  1. Acredito que toda facção devia ter pelo menos 1 território permanente e estável sob seu domínio. E que essa questão territorial não influencie significativamente na progressão individual dos jogadores e nas conquistas de desempenho.


III – FLANDERS

  1. Eu acho que seria genial, desde logo, mostrar ao jogador de New World, que o mundo, ao qual ele pertence, é um universo de constante e incansáveis guerras, paralelo a luta pela sobrevivência e a oportunidade de ter seu nome na história, de ser reconhecido no universo a qual ele pertence, seja pelos seus feitos, maestrias, conquistas, habilidade, enfim.

  1. Antes de falar sobre o que acho sobre o sistema de guerra de New World, quero começar pelo sistema de “zona de Flanders”. Para quem não conhece, Flanders (atual Bélgica) foi uma região de intensa batalha entre França e a Inglaterra pelo controle do Canal da Mancha, um local de comercio lucrativo e ponto estratégico para quem o dominasse, e que deu contornos a “Guerra dos 100 anos”.

  1. New world poderia trazer áreas de intensas batalhas e diversas disputas, essas áreas seriam zonas neutras de pvp obrigatório, monstros e bosses de extrema dificuldade e difíceis de matar, porém o foco dessas áreas jamais poderia ser a experiência de leveling ou loot, mas sim a sobrevivência e o combate frenético. As facções estariam em intensas disputa, estariam preocupados em matar os super Bosses, matar as facções rivais e sobreviver. Não podem por exemplo ser aceito formação de grupo nessas áreas (precisa ser estudado). No final, conseguem as recompensas pela morte do Boss, se conseguirem mata-lo, apenas os membros da facção que causou mais dano à ele. Deve ser uma área com desafios difíceis pela sobrevivência. Para essas áreas podem haver por exemplo 3 divisões, até o lvl 20, do lvl 21 ao 40, e do level 41 ao 60, restringindo o acesso de cada area pelo level e títulos (vou falar sobre eles abaixo) dos jogadores. Novamente, o equilíbrio é tudo. Acho que pra uma ideia inicial nesse sentindo é isso.


IV – RANK E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O PVP

  1. Um sistema de rank das mais variadas categorias deve haver em new world, é mais um objetivo a ser almejado pelos jogadores. Desde da divisão por quantidade de abate, até a divisão de level de colheita e ouro.

  1. Por exemplo, um divisão para o rank de abates e mortes, com algumas peculiaridades. Uma ideia inicial nesse sentindo seria: para cada abate que você conseguir no mundo aberto você soma 2 pontos no rank, para cada morte você diminui -1 ponto. Abater jogadores 10 leveis menores que o seu, você não pontua, morrer para jogadores 10 leveis menores que você, você perde -5 pontos. Matar jogadores com 10+ leveis maiores que o seu você soma 5 pontos. Deve haver também um sistema que pontue a assistência nos abates, para contemplar todos, principalmente aqueles que querem focar seus personagens em cura e proteção por exemplo.

  1. É preciso estudar também, como funcionaria o abate e a morte do jogador estando em um grupo.

  1. Durante a guerra os abates não contabilizam, há tão somente uma nota geral pela vitória ou pela derrota.

  1. O pvp em mundo aberto: deve acontecer num cenário mais justo possível, se o jogador for abatido por um grupo, o jogador que morreu não deve ter tantos prejuízos, isso se eles estiver solo, e o grupo que o matou não deve ter tantos benefícios, no fim o jogo deve contemplar sempre um ambiente justo e equilibrado. Consegue êxito por exemplo, aquele que tem uma melhor habilidade de combate, independente apenas dos itens que carrega, que montou uma emboscada bem sucedida, que atacou na hora certa, que conhece os limites do seu personagem, que sabe usar um contra-ataque, que combinou melhor seus pontos de habilidade, enfim. E na guerra vai vencer o que tem uma melhor estratégia, uma melhor tática, que sabe a hora de atacar, recuar. É preciso criar um sistema justo, durante o tópico vou deixar algumas outras ideias de como poderia ser isso.

  1. Basicamente é deixar claro que você ter um item lendário, não deve lhe tornar uma lenda.

  1. O jogo deve primar sempre pelo justo e o equilíbrio.

  1. Ayrton Sena e eu, cada um com uma Ferrari igual, mas no final a gente sabe o resultado, o melhor sempre ganha é claro, que nesse caso seria eu, obviamente, :rofl:. Mas deixando a brincadeira de lado, o que eu quero dizer com isso é que a vitória deve acontecer não porque o carro desse ou daquele é melhor, e sim porque naquele momento, naquela disputa, quem estava no volante foi melhor. Mantendo a analogia, na realidade atual, quem ganha é quem tem o melhor carro. Agora eu pergunto, atualmente, quem assiste, se entretém e se empolga com a Formula 1? É apenas uma analogia exemplificativa.


V – SISTEMA DE CONDUTA

  1. ​​Minha ideia principal neste item é o sistema de conduta junto com o faccionado renegado.

  1. Para entender minha ideia, primeiro quero que você entenda um pouco como ela é desenhada em minha mente. Eu dividi a conduta dos jogadores em duas, vou chamá-las de conduta azul e vermelha.

  1. Faço parte de uma facção, mas não gostei e quero mudar, posso? Depende, você está disposto a pagar o preço? Você será caçado por sua traição, seu nome estará nos murais das cidades e uma recompensa por sua cabeça será imposta, os membros da sua atual facção irão lhe caçar em busca da recompensa e de vingar sua traição.

38.CONDUTA AZUL: você ganharia pontos de conduta azul quando trabalhar em prol da facção, para cada boa conduta você ganha pontos de conduta azul, por exemplo, participação em guerras e invasões, abate de membros de outra facção, etc.

39.CONDUTA VERMELHA: seria o oposto da conduta azul, a cada “sabotagem” você perde a conduta azul, zerando sua conduta azul, ela fica negativa e começa a ficar vermelha, ao atingir uma certa quantidade de conduta vermelha você pode trocar de facção. Para ativar os pontos negativos de perda de conduta e ganho de conduta vermelha, você precisa encontrar um NPC que aparece em áreas aleatórias de vez em quando. Não pode ser previsível. Você fará uma missão que lhe permitirá realizar atos de traição ou sabotagem, como, por exemplo, matar membros de sua facção atual, a partir do momento em que você faz o primeiro ato de traição em busca de ativar a conduta vermelha, você já está marcado para morrer por causa da traição. Quanto mais atos de traição você fizer, maior será a recompensa por sua cabeça. Quando você trabalha contra a facção em busca de ser um renegado, sua cabeça está em alta e as punições são severas, ainda é preciso trabalhar nessa ideia, é apenas um esboço inicial.

  1. Uma das muitas consequências dentro da mudança de facção pode ser que o jogador perca todo o progresso de classificação, conquista e itens dentro dos armazéns de sua antiga facção, algo mais ou menos nesse sentido.

  1. Marechais e membros de altos cargos não podem mudar de facção. É preciso encontrar um título ou um limite em que a mudança é possível e o jogador se torna um renegado.


VI – TÍTULOS

  1. Acho que isso é uma oportunidade única.

  1. Implementar um sistema de títulos é um desafio e objetivo adicional para os jogadores almejarem dentro do jogo. Mas não é qualquer sistema. É um sistema único, grandioso e revolucionário.

  1. O que seriam os títulos? Primeiro, os nomes aqui são apenas para exemplificar algo que pode ser muito melhor trabalhado.

  1. Em primeiro lugar, cada facção deve ter seu “Marechal”, é mais um objetivo para os jogadores perquirirem dentro do jogo.

  1. O título de Marechal de uma facção nada mais é do que seu representante de honra e comandante máximo dentro do jogo, e esse título deve ser temporário e obtido por meio de eleição e / ou disputa em um grande evento de batalha entre os integrantes da facção, que preenchendo alguns requisitos e outros títulos pré-existentes poderão disputar essa posição.

  1. Mas para você ser um Marechal, você precisará primeiro ter alguns outros títulos, só então você poderá competir pela vaga de Marechal, em um grande coliseu, por exemplo.

  1. Todos os jogadores que foram inscritos para competir pela vaga do Marechal, competiram em um campeonato de disputa 1vs1 pelo título, até que remanesçam apenas dois que disputarão o confronto final pelo título de Marechal.

  1. Como você se qualifica para competir pelo título de Marechal?

  1. Para entender isso, você deve primeiro entender como isso é desenhado em minha cabeça:

  1. New World, a meu ver, tem uma grande oportunidade de revolucionar os jogos MMORPG. Uma chance de ouro. Faltam apenas alguns ajustes e um propósito único, grandioso e consistente.

  1. Minha ideia consiste em alguns “planos de carreira”, novamente são apenas nomes exemplificativos. Se você ama pvp, venha jogar New World, se você ama pve, venha jogar New World, sem você adorar criar e construir, venha jogar New World, se você gosta de andar pelo mapa e ser um explorador, venha jogar New World, se você quer ser muito rico e exibir suas conquistas, venha jogar New World.

  1. Em New World não deve existir aquela mesmice engessada de sempre, mago, cavaleiro, curandeiro, arqueiro, não, não e não. Em New World cada jogador montará sua própria “classe” de acordo com seu perfil, estilo de jogo e objetivos dentro do jogo. Por exemplo, você adora o pvp? Então busque os títulos e conquistas que te fortalecerão nesse quesito. Você ama o craft? Então busque os títulos e conquistas que te fortalecerão nisso. Você é um jogador mais focado no pve? Faço o mesmo, busque seus títulos e conquistas para você conseguir se destacar nessa area. O que eu quero dizer com isso é que com um sistema único e infinito você pode finalmente moldar seu personagem de acordo com suas pretensões, nenhum personagem será igual ao outro. Você quer usar bastões mágicos com foco no pve? Você então buscará dentro do jogo quais conquistas e títulos combinaram com sua maestria, itens, perfil, status, pretensões, enfim, as possibilidades são infinitas.

  1. Eu acredito que cada facção precisará de jogadores das mais diversas áreas, jogadores com habilidades de pvp, jogadores com habilidades de pve, jogadores com habilidades de artesanato, jogadores com muito dinheiro para financiar a manutenção das cidades e guerras, todos são importantes dentro de New World, independente do level e perfil do jogador, todos têm um papel dentro do jogo.

  1. Se o jogador quiser ser um expert em combate pvp, ele vai buscar uma carreira ideal que se encaixe com o seu perfil e lhe proporcione isso, primeiro focar em um titulo máximo e nas combinações de conquistas adjacentes que ele achar melhor para seu estilo, como por exemplo: General ( mais focado em combate corpo a corpo), Alquimista-mor( mais focado em dano magico e bastões mágicos), Mestre-Sacerdote (dano magico e cura), etc... São apenas alguns nomes exemplificativos.

  1. Se o jogador quiser se especializar em lutar contra bosses e monstros épicos e lendários, ele buscará o título e os caminhos para ser um Mestre Caçador.

  1. Se o jogador quiser ser um Mestre Artesão, com crafts poderosos, valiosos e exclusivos, que só ele pode fazer, então seguirá este caminho profissional.

  1. Se o jogador quiser ter muito dinheiro, com grandes aquisições, vantagens comerciais, casas, ele buscará o título de Barão-mineiro.

  1. As possibilidades são infinitas, as combinações de maestria, armas, estilo de jogo, títulos, interesses, objetivos, tudo, é um imenso mundo a ser explorado.

  1. Com alguns ajustes aqui e ali, este jogo se torna o melhor.

  1. Exemplo disso? Se você quer ser um artesão, seus serviços serão solicitados, pois somente você poderá fabricar certos itens com a possibilidade de conseguir modificações raras e valiosas, por exemplo, somente você poderá esfolar certos monstros que precisam um alto grau de maestria, e esse nível apenas os artesãos podem alcançar.

  1. Neste ponto do item, seria um mundo extraordinário, se New World seguisse esse caminho: Se ao invés de todos os monstros soltarem o mesmo item por exemplo: “couro cru”, por que não soltar itens específicos, como: couro de lobo, couro de coelho, couro de crocodilo, isso iria expandir um universo de craft extraordinário, um mercado único, os jogadores quem quiserem ser artesões teria algumas vantagens ao escolher essa carreira, só eles que poderiam esfolar alguns monstros e manejar crafts mais complexos. Esses comentários são apenas algumas ideais e exemplos que precisam ser explorados e trabalhados.

  1. O mesmo vale para o jogador que quer ser um Barão-mineiro, você com esse título máximo, pode ir até o nível 100 de mineração por exemplo. Sem o título, você só pode ir até 50, por exemplo. São ideias e combinações infinitas.

  1. O mais importante é que cada título tenha um “Plano de Carreira”.

  1. Por exemplo, se o seu forte é o combate corpo a corpo e você é focado no pvp, eu diria que você ia querer seguir a carreira de General, começando com o primeiro título de soldado, depois de algumas conquistas torna-se sargento e assim por diante até chegar ao último posto de general. Os nomes são apenas exemplares. Se esse é o seu propósito dentro do jogo, estar focado na guerra, combate corpo a corpo e no pvp, você vai buscar fazer conquistas e adquirir os melhores títulos que combinem com seu personagem, itens, maestria, etc.

  1. Ou talvez você queira dominar a arte da magia ou da cura e seguir a carreira de curandeiro ou mago. De qualquer forma, as possibilidades são imensas.

  1. O segredo e o desafio seria encontrar a melhor construção para o seu perfil, entre seus títulos, maestria, equipamentos, atributos e finalidades, por exemplo, você é um grande jogador de pvp, a lenda do combate, porém, em uma invasão de monstros os jogadores mais focados no pve, que são especialistas em abater monstros, teriam uma pequena vantagem nesse quesito, já que essa seria sua especialização. Mas cuidado, não são apenas os caçadores que poderão matar ou impactar os lendários bosses e monstros, apenas terão uma ligeira vantagem neste aspecto, pois essa seria sua carreira e função dentro do jogo, eles nasceram para isso.

  1. Se um jogador quer estar focado no pvp, mas também quer uma melhor performance para matar monstros, por exemplo, ele deve investir um pouco mais para ter uma melhor performance na luta contra monstros, e encontrar qual combinação de títulos é melhor para ele. Existem desafios e possibilidades a serem estudados, que cada jogador terá que descobrir dentro do jogo, qual o seu perfil?!.

  1. Por exemplo como seria um modelo disso na minha cabeça:

Exemplo 1
Eu quero ser um jogador focado no pvp e combate corpo a corpo:

Carreira de General
I - Título de soldado: +3 de força
II - Título de sargento: +2% de dano com arma de uma mão contra players
III - Título de tenente: +2% de resistência física e magica contra jogadores
IV - Título de capitão: +5 de força
V – General: +5% de danos contra player segurando arma de uma mão ou escudo

Exemplo 2
Eu quero ser um jogador focado no PVE e combate a distância:

Carreira de Grão Mestre Caçador
I – Título caçador 1: +3 de destreza
II –Título caçador 2: +5% de dano contra monstros
III – Título caçador 3: +5% de resistência contra monstros
IV – Título caçador 4: +5 de destreza
V – Grão Mestre Caçador: +10% de dano a distância contra monstro

  1. Os bônus dos títulos dentro do jogo, é algo a ser estudado e trabalhado cuidadosa e profundamente.

  1. Neste sistema, novamente, apenas um exemplo, cada jogador só poderia habilitar um único grande título principal ou plano de carreira principal e ter um número limitado de especializações menores. É um universo a ser explorado.


VII – LIMITES E PENALIDADES

  1. Aqui não tem muito segredo, o jogo precisa ser o mais amplo possível, não deve haver muitas restrições de uso de itens, você pode usar o que quiser, desde que preencha alguns requisitos.

  1. Os status precisam ser melhor trabalhados. Combinar determinada quantidade de atributo necessário para usar um item e/ou upar uma habilidade de maestria é algo que pode ser bem melhor trabalhado. Pode acrescentar também combinações com os títulos e plano de carreia. São muitas possibilidades.

  1. É preciso haver sistema de penalidades para ganho de experiência e formação de grupo, tanto para pve como pvp. Isso evita uma serie de problemas dentro do jogo, por exemplo, que players inexperientes e leveis baixos sejam “carregados” por outros jogadores até um momento do jogo ao qual eles não deveriam estar.


VIII – ÁREAS EXPLORÁVEIS E MONSTROS MISTERIOSOS

  1. Em primeiro lugar, para entender como isso está em minha mente, isso deve ser encarado como algo extremamente raro e completamente aleatório.

  1. A ideia não é algo: “Eu vou entrar no jogo e fazer isso”. NÃO, você não vai.

  1. É algo assim: você está caminhando no mundo aberto, no meio do nada, não é um lugar específico, não é um monstro específico, não é um momento específico, é simplesmente aleatório, não é um respawn fixo, não é você quem decide, não há cálculo, não há uma forma de você “farmar” isso, é algo totalmente imprevisível, ao acaso e por sorte.

  1. De repente você vê, não sei, um coelho diferente (monstro mistérioso), você mata e quando analisa e você tem a POSSIBILIDADE de conseguir algo valioso, veja só, eu disse que você tem a POSSOBILIDADE, por exemplo, de conseguir uma pedra valiosa, ou um componente que pode ser usado para um craft valioso, etc. Veja bem, e atenção, além desses monstros misteriosos aparecerem de maneira totalmente aleatória, a chance de conseguir alguma coisa deles também é totalmente dependente da sorte.

  1. Outra coisa que poderia existir com a mesma ideia, são áreas e / ou objetos exploráveis. Uma gruta misteriosa por exemplo, uma garrafa no meio do rio, um arbusto, coisas que o jogador tem a opção de explorar ou entrar. Mas, novamente, são coisas totalmente aleatórias, que não estão disponíveis para sempre, possuem um curto período de tempo para serem exploradas.


IX – OUTRAS IDEIAS POSSÍVEIS


  1. Futuramente, caso a comunidade e o jogo queiram implementar montarias, ou algo do tipo, é preciso criar um sistema totalmente equilibrado e muito bem elaborado, e que não tenha grande impacto na jogabilidade, eu tenho uma ideia inicial para esse sistema, onde a montaria serve ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE para o deslocamento. E o jogador terá que pensar com muito cuidado se vale a pena usá-la para uma determinada viagem.

  1. O jogador não poderá usar a montaria o tempo todo.

  1. Haverá restrições de área para montarias.

  1. O cavalo terá uma barra de energia que tem um tempo de recarga considerável, se o jogador quiser ir para uma área muito longe o cavalo pode ficar cansado, se não tiver condições para suportar a viagem, e assim ele entrará em “tempo de recarga”. O cavalo ficará na mesma velocidade de um jogador se movimentando, até que ele possa novamente desenvolver velocidade, ele poderá fazer isso somente após um determinado percentual de energia recuperada. O jogador não poderá realizar ações em cima do cavalo. Se o cavalo ou o jogador for abatido, o jogador cai e terá que decidir se corre atrás do cavalo, foge ou vai para o duelo. O jogador precisa ir até o cavalo caso perca o controle dele e o animal saia correndo pela floresta. O jogador não pode fazer algo como assobiar e o cavalo aparecer misteriosamente. Caso o jogador se perca do seus cavalo ao fugir dos inimigos por exemplo, passado algum tempo o cavalo dará respawn na cidade onde o jogador tenha feito seu “check-in”.

84.Os acampamentos devem ter estábulos para o cavalo descansar e recuperar as energias mais rapidamente, porém não deve ser algo instantâneo. De qualquer forma, há muitas variáveis em mente para isso.


X – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Eu tenho várias outras ideias, mas por enquanto acho que é isso.

O mais importante é que o jogo entregue uma gama infinita de possibilidades alinhadas as mais variadas formas e estilos de jogos. Se você gosta do pve, você vai ter suas inúmeros funções e caminhos para de divertir e crescer dentro do jogo, benefícios de craft, farms, você pode ter um papel de destaque nas invasões de monstros e lidar com bosses difíceis, você pode conseguir riqueza e gloria nesse seguimento e estilo de jogo, igualmente se você gosta de pvp, com as intensas guerras e os espólios das batalhas pvp. Acredito que em New World toda facção vai precisa de bons jogadores de pve, com os benefícios que estes jogadores podem ter para lidar com monstros poderosos, crafts, colheitas, mineração, como também precisar do talento de bons jogadores de pvp para as batalhas e guerras. Basta encontrar o equilíbrio do sucesso.

Essas são minhas considerações em face desse primeiro contato com o jogo.

Espero profundamente que o jogo não seja apenas mais um no meio de tantos outros horríveis que já existem.

A Amazon tem plena capacidade e poder para revolucionar mais esse mercado.

Espero que alguma coisa aqui tenha contribuído com algo, e torço pelo sucesso do jogo.

E continuem sempre olhando para o Brasil, aqui também tem mercado e pessoas capacitadas para fazer muita coisa pelo mundo, tanto real como virtual. Abraços!
submitted by hmmild to New_World_MMO [link] [comments]


2020.08.25 01:42 queimis Sofri um aborto espontâneo ontem

Só um background da minha história: Eu(F34) e meu namorado(M28) estamos juntos há menos de 1 ano, mas as coisas se moveram muito rápido desde o início.
Começamos a morar juntos em março desse ano e nos mudamos pra uma cidade completamente nova pra mim. Fui forçada (pelas circunstâncias, não por ele) a deixar tudo que eu tinha construído nos últimos 3 anos pra trás pra embarcar nessa aventura. Nos mudamos pra cidade natal dele porque ele recebeu uma proposta de emprego muito boa. Nós dois conversamos muito no início e, depois de resolvermos juntos que relacionamento à distância não era pra nós, eu decidi me mudar com ele.
Eu sempre tomei anticoncepcional/injeção ou usei DIU desde a minha adolescência. Estive em um relacionamento estável por quase 10 anos e nunca nem me preocupei com gravidez, porque, assim como a maioria das meninas, achava que estava segura com a pílula. Há cerca de 1 mês e meio atrás comecei a sentir uns sintomas estranhos e depois de 2 semanas passando mal constantemente e de muitos resultados desesperadores do Google, eu achei que estava doente e deveria ir ao médico. Dois dias antes da consulta, resolvi fazer um teste de gravidez de farmácia, só pra ter 100% de certeza que aqueles sintomas (enjoo, fraqueza, cansaço extremo) não eram por causa de gravidez. Eu tinha 99.9% de certeza que não era, só não queria passar vergonha na frente do médico. Peguei o pauzinho, abri, o xixi encostou e deu positivo. Três testes e muito choro e desespero depois, descobri que estava grávida.
No começo foi um choque. Os dois completamente desnorteados. Depois de uma longa conversa, resolvemos manter a gravidez (graças a Deusa moro em um país em que posso fazer essa escolha livremente). Os dias foram passando e a gente foi amando cada vez mais aquele ser que estava se desenvolvendo dentro da minha barriga. Contamos pra família, todo mundo ficou super feliz. Começamos a planejar o quarto, economizar grana, receber pequenos presentes de amigos. Pensamos até em possíveis nomes pro bebê. Até que as coisas começaram a ficar estranhas. Eu comecei a ter um sangramento que pra mim - apesar de todo mundo dizer que sim - não era normal. Fui no médico, a resposta que eu tive foi a mesma do Google: “é normal ter sangramento no primeiro trimestre da gravidez.”
Voltamos pra casa, vida que segue.
No sábado comecei a sentir cólicas, mas também achando que era tudo normal, fiquei em casa, só fazendo repouso o máximo que dava. Até que no domingo, eu estava deitada e comecei a sentir uma dor descomunal na barriga. Senti um pouco de sangramento descendo, então corri pro banheiro. Quando eu sentei no vaso, foi como se tivesse aberto uma torneira dentro de mim e uma quantidade enorme de sangue e pedaços de tecido começaram a sair. Naquele momento eu soube que estava perdendo meu bebê.
Foi o pior momento da minha vida.
Corremos pro hospital, o sangue jorrando de dentro de mim enquanto eu gritava de dor. Meu namorando acelerando e cortando todos os sinais. Chegamos no hospital e depois de muito remédio pra dor e muitos exames, a médica finalmente veio falar o que a gente já sabia: eu sofri um aborto.
Eu não consigo nem explicar o que senti na hora e o que ainda estou sentindo. É uma mistura entre dor, ódio e culpa que não me deixa em paz por nenhum segundo. Acho que tenho mais ódio sabe? De um Deus que nem sei ao certo se existe que todo mundo me diz pra confiar, mas que prega esse tipo de piada maligna nas pessoas dessa maneira. Eu estava bem antes de ficar grávida, nem pensando em ser mãe pelos próximos 2 anos. Aí veio assim, sem planejamento, no meio de uma pandemia, mesmo eu tomando os cuidados devidos, só pra depois arrancar de mim sem nenhuma explicação? Quem faz esse tipo de coisa? Não consigo imaginar um Deus do amor fazendo esse tipo de coisa doentia.
Meu namorado está do meu lado o tempo todo, me apoiando, mas eu sinto que eu deveria ser forte em alguns momentos, porque ele também está sofrendo. Mas eu não quero e nem consigo ser forte. Só quero deitar na cama e chorar 24 horas por dia.
E agora eu estou aqui nessa cidade que não conheço ninguém, sem minha família ou nenhum amigo por perto pra me dar um abraço, com um buraco imenso no coração e um útero vazio que não para de sangrar.
submitted by queimis to desabafos [link] [comments]


2020.08.19 01:04 zxy33 cartucho do kefka [assustadormacarrão br]

cartucho do kefka [assustadormacarrão br]
Olá, brasil!
Meu nome é L., tenho 28 anos, sou professor de matemática em uma escola particular. Moro numa cidade do interior de SP, perto de Campinas. Aqui não tem muita coisa, não é uma cidade mais ou menos grande nem nada do tipo. É, de certa forma, até pacata. Mas estamos sofrendo com a pandemia, como todo mundo. Fico de cara quando vejo galera abrindo bar, escola, tudo, pensando que tá tudo controlado. Tá morrendo gente, sei lá, muito deprimente viver nessa sociedade. Mas hoje eu não vim falar disso. Vim falar de uma coisa que rolou comigo, envolvendo um cartucho usado de Final Fantasy III que comprei por um aplicativo. Vou me referir a esse cartucho como “cartucho do kefka”.
Nos anos 90 havia muitas locadoras de vídeo e jogos, e eu sempre gostava de alugar fitas de Super Nintendo, que foi meu primeiro videogame. Faz muito tempo que essas locadoras deixaram de existir, e as que continuam existindo não alugam mais jogos. Mas eu gosto de videogames antigos, então comecei uma coleção particular minha, para relembrar os velhos tempos.
Sou um gamer razoavelmente experiente, já joguei muitos jogos e sei sobre glitches e romhacks. Também já tive acesso a muitas creepypastas sobre videogames, então é difícil alguma coisa me surpreender. Até gosto de ver aquelas creepypastas do Pokémon Black, do Zelda do Ben, etc, etc, etc. Mas no fundo eu sei que é tudo forçação de barra, imaginação e artimanhas de romhack e photoshop. Mas eu curto pela estética. São coisas que realmente me tocam, então vejo quase como uma forma de arte. Mas isso que aconteceu recentemente eu não sei explicar, e por isso quero compartilhar a história com vocês. Esse é meu relato de como eu encontrei um cartucho maldito de final fantasy 6, o “cartucho do kefka”.
Tudo começou quando eu estava procurando por um cartucho de FF6 na internet. Já que aqui na minha cidade é difícil achar por meios “tradicionais” (leia-se: anuncios no facebook), fui buscar num aplicativo de coisas usadas. No ocidente, esse jogo saiu como Final Fantasy III, e, para a minha surpresa, não foi tão difícil assim achar os cartuchos, até por um preço bem baixo. Achei inclusive um na minha própria cidade! Quem vendia era um tal de Lucas.
Frente do cartucho, reparem em como o rótulo tá solto
Como vocês podem ver nessa foto que tirei do cartucho assim que chegou, o rótulo estava solto. Talvez o ex-dono tenha imprimido um novo e colado por cima do velho? Não fiz questão de saber. Confesso que nem fiz muita conta, porque esses jogos antigos as vezes são mal guardados mesmo, e pra mim, sinceramente, o que importa é o jogo funcionar. Mesmo assim, eu tentei mandar mensagem para o vendedor. Só que, depois de umas horas, quando ia ver se ele tinha respondido, sempre aparecia essa tela:
https://preview.redd.it/7nq5dmwqauh51.jpg?width=1275&format=pjpg&auto=webp&s=cc6581d7ede4b99816dce6a4d559da58a045262f
Comecei a ficar encafifado. Quer dizer, o cara apagou a mensagem? Mas como que ele apagou pra mim também? Deve ter sido um erro do site, qualquer coisa do tipo, então fiquei tentando. Mas sempre acontecia a mesma coisa. Pensei em ir atrás do anunciante, procurar número de celular dele, mas no fim fiquei com preguiça. Sei lá, coisa boba, e não ia mudar nada na minha vida. Já tinha pagado barato demais pelo cartucho.
O meu SNES não é o mesmo que eu tinha quando era criança, porque aquele original eu dei prum primo meu quando ganhei um Playstation. O videogame que eu tenho é um que consegui num bem-bolado quando eu tava na faculdade. Tinha um colega meu que tava se desfazendo de umas coisas e ele tinha esse super nintendo empoeirado com problema no cabo de energia. Eu peguei de graça dele, comprei um cabo novo, limpei e tá funcionando como novo. Jogo sempre nele, nunca deu problema com cartucho.
Quer dizer, nunca tinha dado...
Eu nunca fui muito bom de Final Fantasy, na verdade. Gosto de jogar, mas sempre que termino fico com a sensação de que perdi alguma coisa importante. Quando vejo outras pessoas jogando, percebo que nem sei usar os itens direito. Sou n00b demais. Mas gosto da série, então sempre jogo. O FF6 (ou III) eu já tinha jogado em emulador, nem fazia tanto tempo. Mas jogar no videogame de verdade é outra história. Não tem save state, não tem mamata, se der erro, paciência.
Pensando nisso, a primeira coisa que eu costumo testar nesses jogos é o salvamento, quando disponível. É comum cartuchos antigos estarem com a bateria gasta e não salvarem. Daí eu troco a bateria antes de começar a jogar, pra garantir. Bobo eu não sou.
Quando liguei pela primeira vez o jogo eu tava amarradão, nossa, finalmente vou jogar FF6 numa TV de Tubo, do jeito certo, como foi feito pra ser jogado. Animal demais. Quando entrei na primeira tela do jogo, uma coisa me chamou atençaõ: já tinha um savegame registrado nele. A party era: Strago, Terra, Edgar e... Kefka??
Pra quem não sabe: o Kefka é o vilão do jogo. Mas, pra dar uma imersão maior na história, os desenvolvedores às vezes colocavam o Kefka na party momentaneamente pra poder fazer umas cutscenes, mas a gente nunca joga realmente com ele, então é impossível salvar com ele na equipe. Mas sei lá, galera pira demais nesses jogos antigos, talvez o cara que estivesse jogando antes de mim tivesse explorado algum glitch do jogo, sei lá. O problema é que ao tentar carregar, dava erro, sempre. O jogo ficava com a tela preta e não iniciava. Soprei a fita, dei aquela limpada, e nada. Pra garantir que não era defeito do cartucho, eu tentei iniciar um jogo novo e funcionou bem, não deu problema. Inclusive eu consegui salvar. Mas, por algum motivo estranho, eu não queria salvar por cima daquele save do kefka. Eu sempre salvava nos outros slots.
Fui jogando e curtindo o jogo, aprendendo uma coisa ou outra de nova. Passei semanas jogando sem ter qualquer intercorrência. Mas foi nessa última semana que rolou algo bizarríssimo, que tá me incomodando até agora, embora racionalmente eu esteja tentando explicar pra mim mesmo o que rolou e veja tudo como uma infeliz coincidência.
O que aconteceu: eu já tava avançado no jogo, naquela quest em que a gente vai pra dentro da cabeça do Cyan e relembra a história dele e tem que enfrentar o Wrexsoul. Bicho maldito, lembro que quando joguei pela primeira vez demorei pra conseguir passar dessa parte, mas isso porque eu sou ruim mesmo. Dessa vez não foi muito diferente, eu tive que resetar o console várias e várias vezes até derrotar o monstro. Quando finalmente consegui, fiquei tão maluco com a vitória que, na hora que eu fui salvar, sem querer eu apertei por cima do save do kefka.
Cara, sério, eu não sei como eu fui tão rápido, mas assim que apertei o botão, automaticamente minha mão puxou o controle com tanta força, e tão rápido, que eu arranquei o videogame da tomada com a TV e tudo. Foi um ato de desespero, um negócio que nem eu sei explicar direito. Sabe quando a gente tem um reflexo tão instantâneo que a gente nem pensa pra fazer, e só faz? Pois é, foi tipo isso. Eu talvez tenha dado um berro quando puxei o controle. Talvez. Bom, o que aconteceu foi que eu arranquei tudo da tomada: videogame, TV, tudo. Fiquei com o * na mão pensando que eu tinha danificado o videogame ou a televisão, então eu tava meio que tremendo de nervoso quando repluguei na tomada.
A TV parecia OK. O videogame parecia inteiro. Eu juro que senti um cheiro estranho de queimado, mas deve ser coisa da minha cabeça, porque logo apssou. Pus o cartucho e liguei. O jogo funcionou, mas aí no meu save eu tava antes de enfrentar o Wrexsoul, e ia ter que passar por aquele inferno de novo, e de novo, e de novo. Por curiosidade, uma dessas curiosidades mórbidas, esquisitas, eu tentei carregar o save do Kefka, antes de retomar a frustração de dentro da cabeça do Cyan. Mas dessa vez o save entrou.
A party era: Strago, Terra, Edgar e Kefka. Mas, como esperado, o char do kefka era todo bugado. Os stats mostravam só ?????? em tudo, não dava pra equipar nada nele, não dava pra usar item nem magia nele. Ele só tava lá, com 0/0 de HP. Mas não aparecia como morto nem desmaiado, só tava lá ocupando espaço. Nesse save, os nomes estavam mudados: Strago era DEAD, Terra era MARI, Edgar era LUCAS e o Kefka era KEFKA mesmo (porque não dava pra mudar, acho). Na hora eu lembrei que, durante a minha adolescência, num barzinho de heavy metal aqui da minha cidade, tinha um figura chamado Lucas, cujo apelido era Morto. Fiquei “nossa, será que esse jogo era dele? Nunca mais soube desse cara, cidade pequena é isso mesmo”... Mas passou, e tanto faz.
No jogo, eles estavam perto de enfrentar o boss final (o próprio Kefka). Os itens até que eram bons, acho, porque não tive nenhuma dificuldade em ir ganhando as batalhas no castelo final. Quem quer que estivesse jogando, tava fazendo um bom trabalho, sabia o que tava fazendo.
Aí eu percebi uma coisa estranha: o kefka da party tava com o nome normal de kefka, mas o kefka vilão, o do jogo, o que eu ia enfrentar mesmo, tava com o nome FATHER. Daí eu não lembrava direito se isso acontecia no jogo mesmo, porque FF sempre tem umas reviravoltas, mas pelo que li nos guias, isso não deveria acontecer. Quando chegou na parte final, em que a gente enfrenta os vários estágios do Kefka, tem aquele esqueminha pra gente “escalar” a party com os reservas, caso algum dos nossos personagens morra durante a batalha. Só que, dessa vez, não tinha nenhum outro personagem disponível. Só os 4. Estranho, né? Quer dizer, mesmo se a gente NÃO usar outros personagens, necessariamente vai ter mais alguns dispon´vieis, porque a gente necessariamente tem que encontrá-los no decorrer do jogo.
(EDIÇÃO ANTES DE PUBLICAR: Enquanto eu estava escrevendo esse texto, comecei a sentir umas coisas estranhas. Eu nunca fui uma pessoa com "coração forte". Como vocês puderam notar anteriormente, eu escrevo razoavelmente bem, de maneira inteligível. No entanto, a partir do parágrafo abaixo, eu comecei a me sentir muito mal, uma queda repentina de pressão, talvez por nervoso ao lembrar de certos assuntos e certas cenas que ficarão claras mais abaixo. Eu não quis corrigir os erros de digitação, pois acredito que eles servem para expressar um pouco do meu nervosismo, essa coisa que queima por dentro ao mesmo tempo que parece um monte de agulha sendo enfiada no olho da minha alma. É uma maneira que encontrei de materializar algo ruim. Peço que, se você for uma pessoa sensível, especialmente com assuntos envolvendo família/doenças/suicídio, pare agora de ler o texto.)
Enquanto escrevo, confesso rpa vocês que estou meio nervoso. Essa parte mexeu comigo, entao a se sair em alguns erros de digitação eu na,ame não quero corrigir porque eu to muito tenso escreverndo esmsm e acho que deixar do jeito que sair e´n u ma maneira de retrarar como isso mexe comigo.
-[
EU tava no estágio final, pra quem não sabe o Kefka é difivido em várioas partes. Tem a parte dos pe´s, depois o corpo, depisi a cabeça. É tudo meio grotesca, a arte do jogo, umas formas juntas, um monte de forma humana amalgamada., sei lá,, coisa que só os jogos napkenses comseguem efazer, tipo o vilão lao do Erathborunf que galera vala que vê até um feto, coisa insintira. Bizarro demais.
Mas blz, é jogo, de boas. E eu até consegui andmininstar mbe a batalha, cheguei no final com uma oa fantavvamem vangatage
Vang
Vantagem
E depois de um tempo derorrei o kfefa.
Mas car,a eu não lembrava que a morte dele era tão lenta, e tão sofrida. No diálogo fina, ficava aparecendo:
FATHER: ..................FATHER: ..................
FATHER: ..................
Enquanto ele definhava. Mano, era horrível, aquela musiquinha sinistra de fundo, parecia que tinha uma sonda do inferno dentro do meu cérebro me cuturabcdo, mas ao mesmo tempo era uma muscia épica, zunindo na TV de tubo. Uma sensação incômoda demais. Eu sozinho em casa, coisa ruim, mau agouro, credo.
Pois é, daí o jogo devia acabar, ia ter aquela cutscene fantástica de todo mundo indo embora na nave, etc. Mas não foi isso que aconteceu.
Lembram que eu disse que tinha o DEAD (Strago) na party? Então. Depois que o Kefka (ou FATHER) morreu, ficou só a party, como se fosse rolar um diálogo, ainda dentro da tela de batalha. Daí acotneceu uma dessas cenas em que o computador escolhe as magias e itens pra vc, pra fazer alguma coisa dramática. Mas tb não era uma coisa que eu me lmebrava de ter acontecido no jogo original.
Aparecia a animação de todo mundo (menos o kefka0 de sair da batalha correndo. Mas de repente todo mundo parava e voltava. O cursor vai pra cima do Strago (DEAD) e vai em Magic. Dentro de Magic, dá pra ver que ele ta com 9999 de MP. Dai o cursor escolhe FLARE, que é a magia mais forte de fogo (eu acho...). Só que depois disso o cursor fica em cima do proprio strago e aciiona o Flare. Vem o Flare, dá MUITO dano no strago mas ele não morre. Dai ele repete, e solta outro Flare, e dá mais um monte de dano. Depois idsso, ele escohe as magias mais fortes de gelo, ar e raio, e solta sobre ele mesmo, dando tudo 9999 de dano, mas ele não morre. Fica com 0 de HP, contnuan dando dano , mas ele não morre.
No final a animação dele muda praquela que ele tá cabisbaixo, a tela vai ficando em fade out, aparece mais um diálogo:
FATHER: ................
FATHER: …………….
FATHER: …………….
E fica essa caixa de diálogo. Tento apertar de tudo, e nada funciona. Fica travado. O jogo fica nessa.
Reseto, e da primeira vez o jogo nem carrega. Da segunda vez, o jogo entra na tela inicial mas não consigo carregar nenhum save (nem os meus).
Fiquei perturbado, e por uns três dias nem toquei mais no nintendo. Fiquei incomodado e perturbado por causa de uma coincidência: recentemente meu pai teve um câncer no cérebro e infelizmente morreu. Foram dias terríveis. Foi a primeira vez que eu fui a uma UTI, isso em plena pandemia, e foi pra ver meu pai careca, costurado e babando. Todos os momentos que a gente passou junto, mesmo nossa relação nunca tendo sido a melhor, tava resumida ali naquele catarro escorrendo da boca dele, enquanto ele tava inerte, sem conseguir falar, sei lá sentindo ou pensando em quê. Isso mexe com qualquer um. Ver no jogo aquela coisa deformada com o nome de FATHER, e depois ver o Strago tentando se suicidar mexeu bastante comigo. Coisa que eu preciso conversar seriamente com meu terapeuta. Foi uma coincidência, mas me deixou perturbado. Não tenho conseguido dormir. Eu sonho com o kefka, com aquela coisa horrível, com o suicidio mal sucedido do strago, com o wrexsoul de dentro da cabeça do Cyan que eu nunca vou derrotar. Isso tudo mexe demais comigo e por isso eu quis compartilhar com vocês. Um pouco antes de escrever esse relato, eu tentei jogar de novo pra ver se aparecia alguma coisa. O que apareceu na tela foi isso:
...
Pois en~toa eu decidi me livrar do cartucho. Criei uma conta com dados falsos no mesmo aplicativo e anunciei o cartucho, com o mesmo rótulo mal colocado. Três pessoas vieram falar comigo, aqui mesmo da minha cidade. Vou vender para quem pagar mais caro.
Aqui na minha cidade nem tem uma cena tão forte assim de retrogaming, então de certa forma saí no lucro ao achar tão rpaido gente pra me leivirar do cartucho.
Isso tudo que eu relatei aconteceu nas últimas 5 semanas. Eu preciso falar com meu terapeuta.
submitted by zxy33 to brasil [link] [comments]


2020.08.08 03:59 SantoPraiano Acho que nunca fui desejado de verdade [texto meio grande]

bom resumindo eu só fiquei com duas garotas na vida, e só depois dos 18, a primeira foi uma gordinha bem bonita e simpática, e a segunda era uma parda bonita e "exótica" por causa do cabelo e estilo de roupa.
-mas o que me aflige? a primeira que fiquei foi meio afobada, dizendo que tava gostando de mim, msm que só tivermos ficado duas vezes, eu fiz o "certo" de forma bem escrota terminado o casinho com ela, eu não tava apaixonado por ela, e só fiquei pois estava frustrado por um bolo que eu tinha levado dias antes, além da pressão pra perder o bv ( tava quase com 19 anos).. Isso me afligia muito, ficava me sentindo um monstro mas 1 ano depois voltamos a conversar e ela me disse que é apaixonada pelo mesmo cara desde a adolescência, isso me mostrou que ela só ficou comigo por pura carência, que a rapidez da ascensão de sua paixão era puro fruto da necessidade de preencher o vazio que ela sentira após sua paixão não ser correspondida, mesmo que eu tivesse namorado ela, eu iria ser descartado com o primeiro homem "melhor" que ela arranjasse, ou quando ela recuperasse a autoestima e percebesse que não gostava de mim tanto quanto pensava.
-a segunda foi diferente, eu que me afobei, mas quando ficamos nos momentos em que estávamos conversando toda história tinha um ex, não se se era o mesmo ou vários, eu me irritei em certo momento, mas guardei pra mim, mas uma hora ela começou a falar mal da namorada do amigo dela (agr ex) , ela a descrevia como sem sal, mas isso não faz sentido pelos valores que ela tinha (feminista) assim percebi que ela era muito apaixonada por ele, nem sei como demorei pra perceber era algo tipo "ele preferiu ela ao invés de mim" e era tão óbvio os contatos físicos até olhar dela, as vezes flertavamos no domingo, e segunda ela nem olhava pra mim, eu insisti pouco e desisti, também percebi que ela ama e-boy, magrinho e cabeludo, essa era claramente essa preferência dela, e eu sou bem o contrário, gordo e to ficando calvo, (quero tratar isso tenho apenas 20 anos) assim percebi que ela só vinha em mim quando não tinha atenção dele, quando ela superou foi a outro com o mesmo perfil, se dizia apaixonada, eles terminaram e ela veio a mim, me lembro que no ultimo dia de aula eu ia me despedir dela, mas ela olhou pra mim e foi conversar com ele, naquele momento fui embora bem triste quase chorando, silenciei ela em todas as redes sociais, pois me matava ver ela dando amei em fotos de caras com um corpo que mal é possível pra mim, e com muito cabelo que já começa a faltar na minha cabeça, só vejo a miniatura dela mudando no chat do facebook, um tempo depois ela deu mach com um amigo meu no tinder(ele se encaixa como eboy), ele me mandou print, ela foi bem "atirada"(não acho isso ruim antes que venham militar), o elogiando e já querendo marcar algo, coisa que ela não fez comigo, ele não ficou com ela respeito a mim já que sabia sobre minha paixão, perdemos o contato de forma gradual com ela respondendo pouco e só me chamando pra desabafar algo e depois sumir por meses, não posso reclamar muito pra não ser "emocionado"
Isso tudo me entristece, saber que se elas estivessem bem consigo mesmas, com autoestima razoável, elas nunca olhariam pra mim, nunca sequer pensariam na ideia de me beijar, pois teriam coisa melhor pra pegar..
submitted by SantoPraiano to desabafos [link] [comments]


2020.07.29 20:42 AlvagorH Meus pais acham que eu sou gay

(Postei primeiro no desabafos, mas resolvi postar aqui também)
O relato pode ser um pouco longo, mas talvez seja engraçado (ou não).
Pois bem... senta que lá vem história.
Eu sou homem (ah vá), e desde sempre fui muito "sossegado". Não costumo ir pra festas, não bebo, não fumo. Sou bem caseiro e não sou de falar muito. Fui beijar uma menina pela primeira vez (e única desde então), aos 16, quase 17 (vou completar 21 muito em breve). Meus pais ficaram sabendo logo de cara, pois eu virei notícia na escola. O nerdão quieto e ranzinza da sala "pegando" a novinha da outra sala (ela era de um ano anterior ao que eu estava). Uma prima fofoqueira estudava na mesma sala que eu, então a notícia chegou em casa antes de mim.
Até então, eu nunca tinha notado nada de estranho nos meus pais. Eu notava alguns comentários homofóbicos deles as vezes, quando aparecia alguma notícia na televisão. "Ator famoso se declara gay", aí minha mãe "Nossa, que dó. Um homem tão bonito desses ser gay". Ou, no caso do meu pai "Eu tinha um professor que era bicha, mas era muito competente ensinando". Nessa época eu não ligava muito, pois até meados dos meus 14 anos (quando entrei no ensino médio em outra escola e em outra cidade), eu só conhecia duas pessoas que eram homossexuais e assumiam, e eu não gostava deles.
Eram dois caras muito barraqueiros e barulhentos, que zoam todo mundo. Basicamente, é o tipo de comportamento que eu sempre preferi evitar. Eu sou bastante tímido, então ter amigos próximos que chamem a atenção sempre foi bastante negativo pra mim. Logo, durante um bom tempo eu fiz a associação idiota "gays = chatos e barulhentos" e passei a evitar eles. Isso mudou bastante quando eu mudei de escola, onde as pessoas tinham valores bastante diferentes do qual eu estava acostumado. Foi um processo longo, mas o preconceito que eu tinha foi diminuindo aos poucos. Mais ou menos nessa época do ensino médio, eu comecei a me incomodar com os comentários dos meus pais, mas sempre ficava na minha para não causar confusão.
Voltando ao dia que eu perdi o BV. Bom, eu era um adolescente com muita testosterona sobrando e beijei uma menina e pude apalpar uma bunda diferente da minha sem tomar um tapão na cara. Até então, tava tudo indo muito bem. Eu era bastante amigo dessa pessoa antes de ficarmos, então eu já gostava bastante dela e me iludi muito com o rumo das coisas. Pensei que daria certo, que começaríamos a namorar e tal. Até sobre o nome de cachorros a gente falava hahahah.
Mas, a guria tinha outros planos, tava apenas curtindo o momento e logo passou pra outra. Durou um mês e meio ou dois. Então, após um ""chifre"" colossal, já que ela ficou com o ex e passou o rodo na escola ao mesmo tempo em que ficava comigo, a gente parou de se falar. De um jeito imaturo, talvez, pois eu juntei todas as minhas frustrações e joguei na cabeça dela, sendo que ela já havia deixado claro que a gente não tinha nada sério e eu continuava insistindo.
É claro que, graças a minha querida prima fofoqueira, meus pais souberam que eu e a fulaninha não estávamos mais nos falando, e mesmo assim perguntavam sobre ela em toda oportunidade que tinham. Nisso, eu ouvi alguns comentários estranhos da minha mãe, ela dizia que na escola onde eu estava tinham muitas pessoas que namoravam gente do mesmo sexo e eu tinha que tomar cuidado. Eu estranhei, mas como sou lerdo, não entendi na hora, e resolvi conversar sobre isso com um amigo.
Quando eu percebi que as coisas não estavam indo bem (ainda durante aquele mês e meio), eu usava bastante as redes sociais e conheci um cara que aguentou meus desabafos por bastante tempo, sempre me dando conselhos (e umas broncas haha). Eu comentei sobre a fala da minha mãe com ele e ele respondeu "Menino, a sua mãe acha que você é gay". Eu comecei a rir horrores naquela hora, mas também fiquei bastante inconformado. Eu me perguntava "Por que?". Não que isso me afetasse, eu sempre achei graça e vez ou outra eu conto esse fato pra algum amigo. Sempre ficou a incógnita sobre o porque que os meus pais pensavam isso, e ela ainda existe porque recentemente um cara demorou para acreditar que eu não sou gay, e eu e uma amiga rimos muito dessa situação.
Esse amigo que aguentava meus desabafos é gay. É o primeiro amigo homossexual que eu tive e a primeira pessoa sobre quem eu conversei abertamente sobre sexualidade. Ele é bastante interessado por ciência e psicologia, assim como eu, e me ensinou não só o lado social (a experiência dele sendo gay, descobrindo que gostava de homens e toda a confusão que isso gerou na sua infância/adolescência), como o lado científico da coisa, Escala de Kinsey, Freud e afins. Nessas conversas, eu tive a certeza de que sou hétero, mas acabo não me comportando como é esperado de um.
Tenho muitos primos na casa dos 20, quase todos namorando e alguns morando junto e quase casando com alguém. Vão pra festas, bebem, fumam, dão dor de cabeça pra família. As vezes um namoro termina e sempre aparece um agregado novo depois de um tempo, em média eu tenho um "primo" ou "prima" nova por um ano e meio, no máximo dois. Aí, passa alguns meses e o ciclo se repete.
E eu aqui, o primo solteiro que estuda e não traz menina nenhuma pra casa (salvo em raras ocasiões quando a minha melhor amiga aparece aqui) nem nas reuniões de família. O primo estranho que compartilha muitos posts pró-feminismo e contra homofobia. Cansei de ouvir perguntas sobre namoradas vindo de tios e até da minha avó materna.
Acho que algumas pessoas até pensam que eu escondo alguma coisa dos meus pais. Uma vez eu fui em um churrasco na casa de um amigo e a mãe dele me pediu ajuda para fazer uma mistureba alcoólica qualquer, eu disse que não sabia como fazer e ela não acreditou. Meu amigo precisou ser "testemunha" de que eu não bebo nada e que estava lá só pelo churrasco mesmo hahahaha
E aqui, temos duas cerejas nesse bolo.
A primeira é que o meu melhor amigo, o qual eu conheço desde a segunda série, há pelo menos 14 anos, começou a trabalhar na mesma empresa que a minha mãe. Ele é uma pessoa que eu costumo passar bastante tempo junto, já que nós fazemos trilhas de bike (ou fazíamos, antes da pandemia começar). Como a minha cidade tem grandes áreas verdes, essas trilhas demoram porque a gente sempre tenta explorar um caminho novo. Enfim, durante o trabalho dele, por algum motivo surgiu o boato de que ele é gay. Eu não sei nada sobre isso, ele próprio nunca me disse nada, e nós conversamos sobre muita coisa. Mas a minha mãe veio correndo me contar quando esse boato surgiu. Ela deve ter "adorado" somar 1+1 nessa ocasião.
A outra é meu pai. Tão preocupado em fazer comentários e cuidar da sexualidade dos outros, adorador do capitão cloroquina, e outro dia eu precisei fazer algo no celular dele e percebi que tinha uma aba aberta naquele site com X, e na barra de pesquisas estava escrito, adivinhem? "Bicha" hahahahahaha
Bom, como eu disse, não me incomoda o fato de acharem que eu sou gay. Não faz diferença nenhuma pra mim, na verdade, eu faço piada com isso e boa. O que me afeta nessa história é que eu tenho agora muitos amigos que são "Do Vale" e eu sinto que nunca vou poder convidar eles para me visitar aqui em casa. Tenho medo que ouçam alguma merda aqui.
Enfim, é isso. A quarentena está me fazendo sentir a necessidade de desabafar sobre alguns assuntos e esse foi um deles. Obrigado por ler até o final.
submitted by AlvagorH to sexualidade [link] [comments]


2020.07.29 20:24 AlvagorH Meus pais acham que eu sou gay

O relato pode ser um pouco longo, mas talvez seja engraçado (ou não).
Pois bem... senta que lá vem história.
Eu sou homem (ah vá), e desde sempre fui muito "sossegado". Não costumo ir pra festas, não bebo, não fumo. Sou bem caseiro e não sou de falar muito. Fui beijar uma menina pela primeira vez (e única desde então), aos 16, quase 17 (vou completar 21 muito em breve). Meus pais ficaram sabendo logo de cara, pois eu virei notícia na escola. O nerdão quieto e ranzinza da sala "pegando" a novinha da outra sala (ela era de um ano anterior ao que eu estava). Uma prima fofoqueira estudava na mesma sala que eu, então a notícia chegou em casa antes de mim.
Até então, eu nunca tinha notado nada de estranho nos meus pais. Eu notava alguns comentários homofóbicos deles as vezes, quando aparecia alguma notícia na televisão. "Ator famoso se declara gay", aí minha mãe "Nossa, que dó. Um homem tão bonito desses ser gay". Ou, no caso do meu pai "Eu tinha um professor que era bicha, mas era muito competente ensinando". Nessa época eu não ligava muito, pois até meados dos meus 14 anos (quando entrei no ensino médio em outra escola e em outra cidade), eu só conhecia duas pessoas que eram homossexuais e assumiam, e eu não gostava deles.
Eram dois caras muito barraqueiros e barulhentos, que zoam todo mundo. Basicamente, é o tipo de comportamento que eu sempre preferi evitar. Eu sou bastante tímido, então ter amigos próximos que chamem a atenção sempre foi bastante negativo pra mim. Logo, durante um bom tempo eu fiz a associação idiota "gays = chatos e barulhentos" e passei a evitar eles. Isso mudou bastante quando eu mudei de escola, onde as pessoas tinham valores bastante diferentes do qual eu estava acostumado. Foi um processo longo, mas o preconceito que eu tinha foi diminuindo aos poucos. Mais ou menos nessa época do ensino médio, eu comecei a me incomodar com os comentários dos meus pais, mas sempre ficava na minha para não causar confusão.
Voltando ao dia que eu perdi o BV. Bom, eu era um adolescente com muita testosterona sobrando e beijei uma menina e pude apalpar uma bunda diferente da minha sem tomar um tapão na cara. Até então, tava tudo indo muito bem. Eu era bastante amigo dessa pessoa antes de ficarmos, então eu já gostava bastante dela e me iludi muito com o rumo das coisas. Pensei que daria certo, que começaríamos a namorar e tal. Até sobre o nome de cachorros a gente falava hahahah.
Mas, a guria tinha outros planos, tava apenas curtindo o momento e logo passou pra outra. Durou um mês e meio ou dois. Então, após um ""chifre"" colossal, já que ela ficou com o ex e passou o rodo na escola ao mesmo tempo em que ficava comigo, a gente parou de se falar. De um jeito imaturo, talvez, pois eu juntei todas as minhas frustrações e joguei na cabeça dela, sendo que ela já havia deixado claro que a gente não tinha nada sério e eu continuava insistindo.
É claro que, graças a minha querida prima fofoqueira, meus pais souberam que eu e a fulaninha não estávamos mais nos falando, e mesmo assim perguntavam sobre ela em toda oportunidade que tinham. Nisso, eu ouvi alguns comentários estranhos da minha mãe, ela dizia que na escola onde eu estava tinham muitas pessoas que namoravam gente do mesmo sexo e eu tinha que tomar cuidado. Eu estranhei, mas como sou lerdo, não entendi na hora, e resolvi conversar sobre isso com um amigo.

Quando eu percebi que as coisas não estavam indo bem (ainda durante aquele mês e meio), eu usava bastante as redes sociais e conheci um cara que aguentou meus desabafos por bastante tempo, sempre me dando conselhos (e umas broncas haha). Eu comentei sobre a fala da minha mãe com ele e ele respondeu "Menino, a sua mãe acha que você é gay". Eu comecei a rir horrores naquela hora, mas também fiquei bastante inconformado. Eu me perguntava "Por que?". Não que isso me afetasse, eu sempre achei graça e vez ou outra eu conto esse fato pra algum amigo. Sempre ficou a incógnita sobre o porque que os meus pais pensavam isso, e ela ainda existe porque recentemente um cara demorou para acreditar que eu não sou gay, e eu e uma amiga rimos muito dessa situação.
Esse amigo que aguentava meus desabafos é gay. É o primeiro amigo homossexual que eu tive e a primeira pessoa sobre quem eu conversei abertamente sobre sexualidade. Ele é bastante interessado por ciência e psicologia, assim como eu, e me ensinou não só o lado social (a experiência dele sendo gay, descobrindo que gostava de homens e toda a confusão que isso gerou na sua infância/adolescência), como o lado científico da coisa, Escala de Kinsey, Freud e afins. Nessas conversas, eu tive a certeza de que sou hétero, mas acabo não me comportando como é esperado de um.
Tenho muitos primos na casa dos 20, quase todos namorando e alguns morando junto e quase casando com alguém. Vão pra festas, bebem, fumam, dão dor de cabeça pra família. As vezes um namoro termina e sempre aparece um agregado novo depois de um tempo, em média eu tenho um "primo" ou "prima" nova por um ano e meio, no máximo dois. Aí, passa alguns meses e o ciclo se repete.
E eu aqui, o primo solteiro que estuda e não traz menina nenhuma pra casa (salvo em raras ocasiões quando a minha melhor amiga aparece aqui) nem nas reuniões de família. O primo estranho que compartilha muitos posts pró-feminismo e contra homofobia. Cansei de ouvir perguntas sobre namoradas vindo de tios e até da minha avó materna.
Acho que algumas pessoas até pensam que eu escondo alguma coisa dos meus pais. Uma vez eu fui em um churrasco na casa de um amigo e a mãe dele me pediu ajuda para fazer uma mistureba alcoólica qualquer, eu disse que não sabia como fazer e ela não acreditou. Meu amigo precisou ser "testemunha" de que eu não bebo nada e que estava lá só pelo churrasco mesmo hahahaha
E aqui, temos duas cerejas nesse bolo.

A primeira é que o meu melhor amigo, o qual eu conheço desde a segunda série, há pelo menos 14 anos, começou a trabalhar na mesma empresa que a minha mãe. Ele é uma pessoa que eu costumo passar bastante tempo junto, já que nós fazemos trilhas de bike (ou fazíamos, antes da pandemia começar). Como a minha cidade tem grandes áreas verdes, essas trilhas demoram porque a gente sempre tenta explorar um caminho novo. Enfim, durante o trabalho dele, por algum motivo surgiu o boato de que ele é gay. Eu não sei nada sobre isso, ele próprio nunca me disse nada, e nós conversamos sobre muita coisa. Mas a minha mãe veio correndo me contar quando esse boato surgiu. Ela deve ter "adorado" somar 1+1 nessa ocasião.

A outra é meu pai. Tão preocupado em fazer comentários e cuidar da sexualidade dos outros, adorador do capitão cloroquina, e outro dia eu precisei fazer algo no celular dele e percebi que tinha uma aba aberta naquele site com X, e na barra de pesquisas estava escrito, adivinhem? "Bicha" hahahahahaha

Bom, como eu disse, não me incomoda o fato de acharem que eu sou gay. Não faz diferença nenhuma pra mim, na verdade, eu faço piada com isso e boa. O que me afeta nessa história é que eu tenho agora muitos amigos que são "Do Vale" e eu sinto que nunca vou poder convidar eles para me visitar aqui em casa. Tenho medo que ouçam alguma merda aqui.
Enfim, é isso. A quarentena está me fazendo sentir a necessidade de desabafar sobre alguns assuntos e esse foi um deles. Obrigado por ler até o final.
submitted by AlvagorH to desabafos [link] [comments]


2020.07.06 00:45 dukaymon Ou os dois são loucos ou nenhum é.

Dia 1: Mário pega no carro e foge, saindo do concelho.
Dia 2 a dia 10: após abandonar o carro num parque de estacionamento a 230 km de casa, Mário esconde-se num pinhal e aí fica até acabaram as poucas latas de comida que trazia na mochila.
Dia 11 a dia 33: alimentado-se de frutas e vegetais que vai roubando de campos agrícolas e sem nunca ficar no mesmo sítio mais do que um dia, Mário encontra-se já a 300 km de casa, perto da fronteira.
Dia 33 a dia 77: sem se atrever a aproximar-se da civilização, por medo que o reconheçam (e não só), no meio do mato Mário encontra refúgio num casebre abandonado, envolto em silvas e arbustos, que funcionam como camuflagem, impedindo que mesmo o transeunte mais atento pudesse vislumbrar o edifício aí escondido. Na praia deserta que fica a 500 metros do local, Mário obtém o alimento que precisa e bebe a água da chuva que se acumula num pequeno tanque decrépito atrás do casebre.
Dia 78: Mário tenta pôr fim a tudo.

"Desculpem-me o mal que vos causei", lia-se na carta, "mas quero que saibam que, tal como rio rebenta o dique e inunda os campos em seu redor, se vocês sofrem por minha culpa, é porque não consegui conter em mim tanto sofrimento."
Dobrou a folha ao meio e deixou-a sobre um banco. Uma lágrima tinha esborratado o texto, deixando uma das palavras totalmente ilegível e, de forma parcial, a palavra que lhe antecedia e a palavra seguinte, mas ele nem reparou. Também não interessava, provavelmente ninguém iria descobrir aquela carta.
Levantou-se, saiu do casebre e caminhou nervosamente até à arriba de onde decidira que haveria de ser conduzido pela gravidade até ao abismo álgido e salgado que o tinha vindo a seduzir sempre um pouco mais de cada vez que o contemplara.
Era um dia ventoso e borralhento, mais ventoso ainda à beira mar, no cimo da falésia. Lá em baixo o mar castigava as rochas impassíveis que outrora haviam estado cobertas por um amplo lençol de areia.
Mário olha para baixo e murmura sofridamente:
-Como é possível que isto já tenha sido uma praia, e eu tenha sido tão feliz nela!
E não contém as lágrimas quando à mente lhe vêm as imagens dos longos e soalheiros dias de verão passados naquele lugar com os amigos, na adolescência.
Vinte anos separavam essas memórias do presente, vinte anos que, a bem dizer, pareciam cem ou mesmo vinte anos vividos por uma pessoa diferente, de tão antipodal era o seu estado de alma na altura em que decide suicidar-se, face à alegria, a energia e o fulgor do seu espírito na juventude.
Mário tentava sempre, quando ainda fazia um esforço para não desistir de viver, impedir-se de recordar esses bons momentos do passado, por saber que lhe agravavam a dor do presente. "O mau não parece tão mau a quem nunca conheceu o bom. Tomara que nunca tivesse experimentado a felicidade!", pensava ele.
Mas agora que está prestes a acabar tudo, que mal advinha de deleitar-se uma última vez com o sol e o calor desses Verões longínquos? A dor terminaria em breve.
- Seja esta a minha última refeição de condenado, um festim para as sensações! - disse ele.
A sua mente é então invadida por todas essas boas recordações que tanto procurara reprimir: as gargalhadas de fazer doer a barriga, os planos e objectivos idílicos para o futuro, a descoberta do prazer da sexualidade, as fogueiras acendidas pouco antes do Sol mergulhar no mar, com o intuito de obrigarem a praia a dar palco à sua puberdade até durante a noite.
Mário trauteia uma música da adolescência, de um desses Verões insuportavelmente felizes, e conforta-se com acreditar que dentro dos vãos e grutas daquela defunta praia ainda é possível ouvir o eco da sua melodia.
No alto do precipício o vento fustiga-o, e ele, de olhos fechados, imagina-o como sendo os seus amigos a saltarem para cima dele em jeito de brincadeira.
Esteve assim largos minutos, a colher quanta felicidade podia colher de um campo de alegrias já ceifado há muito. Até que a noção do presente retorna, para converter essa alegria em suplício: a realidade desesperante que põe fim à miragem de um oásis.
A chuva começava a cair tímida e lentamente, mas era perceptível que se estava a tornar ligeiramente mais forte a cada minuto que passava. Mas o vento, pelo contrário, seguia o sentido oposto ao crescendo da chuva.
-Ah, sim, o último banho do meu último dia de praia - diz Mário sarcasticamente, no seu habitual exercício de auto-comiseração, levantando a cabeça para encarar a chuva.
- Basta! - resmungou ele, cheio de repulsa de si mesmo, por não conseguir deixar de tratar com sarcasmo nem mesmo aquele que era o momento mais sério da sua vida.
Dito isto, baixa a cabeça, fita o abismo, vendo o mar que parecia aumentar de fúria, ofendido com a indiferença dos rochedos, e, sem ponderar um segundo, por medo que a coragem lhe viesse a faltar, dá aquele que pretende que seja o último mergulho da sua vida.
Mantém os olhos fechados e sente nos ouvidos o assobio do ar, que sobrepõe-se ao som da ira do oceano. E assim vai descendo, até que, de súbito, vê as memórias da sua vida, que naquele derradeiro momento parecem-lhe mais vívidas do que alguma vez pareceram, darem lugar a memórias estranhas e alheias a tudo o que vivera, e mas mais bizarro ainda: vê-as, não da sua perspectiva, mas da perspectiva de outra pessoa, que ele não fazia ideia de quem era.
Assustado, abre os olhos de repente e vê o mar a uns quantos metros de distância. Depois disso não se lembra de mais nada.

Quando acordou, Mário deparou-se com uma enfermeira que, empunhando uma seringa, tentava encontrar uma veia no seu braço. Ao vê-lo acordar, a enfermeira apressa-se a chamar um médico.
- O que é que aconteceu? - pergunta Mário, desorientado, ao médico que lhe auscultava o peito.
-Não se lembra do que aconteceu? - pergunta o médico. - O senhor atirou-se de uma falésia. Por sorte, ou mesmo por milagre, caiu numa zona em que a água tinha profundidade suficiente para que não tivesse morte imediata nas rochas. O hospital irá contactar a sua mulher e o o seu filho para informá-los que o senhor já se encontra consciente.
-Desculpe!? Mulher e filho? Eu sou solteiro e vivo com os meus pais! Enganou-se no paciente.
O médico, surpreendido, observa a sua ficha clínica e pergunta-lhe:
- Você não se chama Mário Costa Figueiredo?
-Sim - respondeu Mário.
-Então não há nenhum engano!
-Não, desculpe, há de certeza um equívoco... - retorna Mário, irritado e, ao tentar levantar os braços em protesto, repara que um deles estava algemado à cama.
- Ah, sim já me lembro, apanharam-me finalmente! Mas eu não tenho família nenhuma! Nem sou responsável pelo crime que me atribuem!
O médico calou-se, na dúvida entre estar perante um legítimo caso de amnésia ou um criminoso a mentir para tentar passar a ideia de que estava inocente.
Disse: "eu volto já" e afastou-se.
Os dois polícias que estavam de vigia à porta da sala onde Mário estava internado entraram assim que o médico avisou-os que ele tinha acordado e, a alguma distância, fitaram-no com cara de poucos amigos e trocaram entre si palavras que Mário não conseguia ouvir.
Provavelmente insultos, pensou Mário.
E pela razão certa, mas não contra a pessoa certa. Mário era suspeito de matar uma mulher grávida. O crime fora gravado e a cara dele tinha aparecido na televisão, mas não era ele.
Porém, o facto de se ter posto em fuga não fizera nenhum favor à sua reputação de auto-proclamado inocente, embora se ele próprio se tinha visto em vídeo a cometer aquele crime hediondo, seria impossível parecer mais culpado mesmo que tivesse ficado placidamente sentado no sofá à espera que a polícia arrombasse a porta de sua casa para o prender.
Setenta e oito dias em fuga andou Mário, até ser encontrado inconsciente na praia, após a tentativa falhada de suicido.
Mas porque fugiu Mário? E porque se tentou matar? As respostas, que parecem óbvias - não ser injustamente condenado por homicídio e estar cansado de viver como um pária fugitivo - não satisfazem totalmente as perguntas. Se esses foram factores a ter em conta, havia contudo algo de mais profundo, mais inquietante e mais assustador - ele fê-lo porque, no seu íntimo, sentia-se de alguma maneira culpado pelo crime que não cometeu.
Um Mário completamente seguro da sua inocência talvez não fugisse se o acusassem de um crime cometido por outrem. E decerto que jamais aceitaria carregar a culpa alheia por um crime, mesmo que todas as testemunhas jurassem pelos parentes defuntos que o tinham visto a disparar a arma. Nem mesmo que ele se tivesse visto a matar a vítima, como de facto viu. Nem mesmo que a sua vida dependesse disso. Mário estava inocente e sabia-o com toda a certeza, mas sabia também, com equivalente grau de certeza, que era (um pouco) culpado.

Mas os problemas de Mário não começaram com o homicídio.
Um estranho acontecimento ocorrido vinte anos antes, fora o que dera início à inexorável descida de Mário ao abismo.
Mário sempre jurou que pouco tempo antes do acidente que o tinha deixado desfigurado, tivera uma premonição. Um sentimento repugnante, um misto de desespero e medo avassalador, acompanhado por um arrepio na espinha, que sentira ao ver um relâmpago cair no sítio onde meses mais tarde seria atropelado por um carro.
Estropiado e desfigurado, não foi mais capaz de arranjar emprego e muito menos manter uma vida amorosa com uma mulher. Tinha passado os últimos vinte anos da sua vida a viver em casa dos pais, dependente destes, sem quase nunca sair à rua. Um adulto que nunca experimentara ser adulto, alguém que ia envelhecendo mas cuja vida parara para sempre na adolescência.
Sem coragem para matar-se, a única coisa que desejava, dia a pós dia, era a morte.


As provas não deixavam margem para dúvida: as impressões digitais recolhidas no local do crime eram dele, bem como ADN. Se ele não era culpado deste crime, as prisões estavam cheias de inocentes.
E no entanto não era culpado, asseverava ele com toda a convicção e honestidade possíveis de se encontrar num inocente injustamente acusado.
Mário foi condenado à pena máxima. A "sua" mulher esteve presente no julgamento, chorosa, desolada, horrorizada. E na cara de Mário era patente a incredulidade de um viajante do tempo que encontra no futuro um mundo tecnologicamente impossível de conceber na sua era. Estarei louco?, pensou ele. E foi nisso que preferiu acreditar, confrontado com a sua "nova" realidade. Mas não cometi aquele crime, posso estar louco mas não sou assassino!
A mulher visitou-o relutantemente apenas uma vez na prisão. Quando, durante essa visita, ele lhe disse que nunca a tinha visto na vida e que não tinha filho algum, nem com ela nem com ninguém, ela sentiu alívio por ter sido ele a pôr fim a tudo. Se fosse eu a rejeitá-lo, ele ainda me mandava matar!, pensou ela à saída da prisão.Mário depressa se aclimatou à vida de recluso, que ele não considerava pior que a vida miserável que tinha levado durante os últimos vinte anos, enclausurado em casa dos pais. Ao fim do primeiro ano, Mário decide escrever um livro, uma espécie de biografia "barra" apologia da sua inocência.
Falou da premonição, do acidente meses mais tarde, da visão que teve quando se tentou matar; tentou demonstrar o seu álibi para a momento do crime e falou das suas famílias: a verdadeira, os pais, dos quais nunca mais teve notícia e nunca mais não foi capaz de encontrar, como se nunca tivessem existido (a casa onde viviam também não existia), e da nova família e nova vida que o universo lhe atribui depois de se ter atirado da falésia.

O manuscrito chamou a atenção do psiquiatra que acompanhava Mário. O psiquiatra tinha diagnosticado Mário com amnésia retrógrada e classificara as memórias anteriores ao acidente de confabulações.
O psiquiatra tinha um amigo, Alexandre, um sujeito lunático mas interessante, que tinha interesse no ocultismo, em particular na parapsicologia. O psiquiatra, Carlos de seu nome, que gostava de ficar a ouvir o seu amigo e antigo colega de faculdade a debitar disparates fantasiosos mas originais quando se encontravam aos domingos à tarde, na casa deste último, sempre com um leve sorriso de troça na cara, sem, contudo, ser desrespeitoso e sem que Alexandre levasse a mal, decidiu mostrar-lhe uma cópia do manuscrito, com a autorização de Mário.
Numa terça-feira de manhã, no caminho para o trabalho, Carlos parou na casa do seu amigo e entregou-lhe o manuscrito, na expectativa de ouvir Alexandre discorrer sobre o assunto no domingo seguinte.
- Olha o que um recluso lá da prisão escreveu. Diverte-te.
E saiu um pouco apressado, pois já ia atrasado.
Domingo chegou, e, para quebrar o hábito, era Alexandre que batia à porta de Carlos logo após o almoço e não o inverso, como sempre sucedera. Estava nervoso e efusivo, como um adolescente prestes a perder a virgindade.
- Tenho de falar com esse tipo. A que horas podem os prisioneiros receber visitas? - perguntou Alexandre.
Carlos tentou demovê-lo, pois não lhe agradava a ideia que um doente mental como Mário, e ainda por cima um paciente seu, fosse influenciado por um excêntrico como Alexandre, por mais bem-intencionado que fosse. Discutiram e foram-se zangando gradualmente mais com o decorrer da discussão. No fim, para não arruinar aquela amizade que ambos prezavam, Carlos concedeu que Alexandre visitasse Mário, até porque não havia maneira legal de o impedir.

O dia em que Mário e Alexandre se conheceram chegou, e, assim que Mário o viu, pensou tratar-se de algum daqueles "novos" parentes ou amigos da sua realidade pós tentativa de suicídio.
- Ah, sim, você é o tal amigo do psiquiatra - disse Mário, aliviado por não ser nada daquilo que esperara.
Alexandre disse que lera o livro e Mário interrompeu-o:
-Deve pensar que eu sou maluco ou mentiroso, não é? - acrescentou ele.
Houve uma pausa e Alexandre, num tom sério, respondeu:
- Não, não acho...
Os olhos de Mário acenderam-se e, após alguns uns segundos, perguntou:
Quer dizer que você... acredita?
Uma pausa, mais longa que a anterior, separou a pergunta de Mário da resposta de Alexandre. Alexandre aproximou a cara do vidro e, como que reconfortando um amigo em sofrimento, diz com voz baixa mas firme:
- Acredito.
Mário pergunta imediatamente, incrédulo e extático:
-Acredita que eu sou inocente ou no resto? Ou em tudo?
Alexandre diz:
-Acredito que teve de facto aquilo a que chama de "premonição". Acredito que viu o que viu quando se atirou para o mar e, embora não descarte a hipótese de amnésia, creio que é possível que esteja a ser sincero quando diz que a sua família não é de facto a sua família. Quanto ao crime, devo ser a única pessoa no mundo que não está convicto da sua culpabilidade.
Mário não sabia o que achar. A realidade para ele não fazia sentido. Se ele próprio vira-se a cometer o crime e sentia-se um pouco culpado por isso, embora soubesse que não o cometera, e se havia provas irrefutáveis que apontavam para si, como é que era possível que alguém duvidasse disso, ainda para mais um total desconhecido como Alexandre? Uma realidade em que Mário era casado e tinha um filho, era uma realidade em que também podia existir alguém como Alexandre. Mas provavelmente estava louco, como preferia acreditar.
Quase a chorar, Mário pergunta:
-O que o leva acreditar em mim?
Alexandre diz:
-Conhece o conceito de doppelganger?
- Sósias? Sim - respondeu Mário.
-Certo - retorquiu Alexandre-, mas não me refiro somente a pessoas apenas com similaridades físicas com outras pessoas sem parentesco. Falo de uma relação entre dois ou mais indivíduos que vai além do que é meramente o aspecto físico, a uma relação de transcendência psicológica, uma ligação talvez metafísica entre mentes.
-Desculpe, mas não acredito nessas coisas - retrucou Mário. - E não vejo o que tem isso a ver com o meu caso. Está a querer dizer que foi um sósia meu que cometeu o crime?
-Não acredita, mas no entanto jura que a sua família foi trocada, que não cometeu o crime apesar das evidências e que viu a vida de outra pessoa à frente quando tentou matar-se. Se não acredita, então só podemos concluir que é louco, certo? E para além disso, é você que afirma ter tido uma "premonição". Ora, não acredita em si próprio? Loucura por certo...

Mário, sentiu-se tocado. Nunca revelara a ninguém que achava que talvez estivesse louco. Mas que outra explicação haveria?
-Não me diga que o meu sósia também tem o meu ADN e as minhas impressões digitais? - disse Mário, um pouco desdenhoso. - E quando eu falei de premonição, se você leu mesmo livro, decerto se lembrará que não invoquei explicações paranormais. Eu senti que algo de mau ia acontecer, e aconteceu. Foi apenas isso, um sentimento. Se eu "adivinhei" o futuro ou se foi um sinal "dos Céus" abstenho-me de especular.
Pense nisto - disse Alexandre-, tal como duas pessoas diferentes, sem qualquer contacto entre si, podem acertar nos números da lotaria, também é possível, mas extremamente improvável, que duas pessoas tenham o mesmo ADN. A probabilidade é tão baixa que no mundo você não encontrará ninguém geneticamente igual a si, mas se a população mundial fosse suficientemente numerosa, seria possível encontrar; e quanto mais numerosa fosse, mais probabilidade haveria. Seriam seus "gémeos" idênticos, apesar de não serem filhos dos mesmos pais... - Mário ia dizer algo, mas Alexandre aumentou e apressou a voz de modo a impedido de exprimir-se. - Quanto à premonição, se você pressentiu algo de mau que iria acontecer meses depois, então é óbvio que temos de recorrer a explicações não usuais para isso, pois prever o futuro não é considerado possível pela ortodoxia científica. Dou-lhe o seguinte exemplo como forma de fazê-lo perceber melhor onde quero chegar:
"Há várias décadas, na Austrália, um homem, incapaz de adormecer, decide ir à varanda para apanhar ar. No momento em que vê a lua cheia sente uma repulsa macabra inexplicável, como nunca tinha sentido, um mal-estar físico como se tivesse ingerido algum veneno. Era perto da meia-noite. No dia seguinte, a polícia bate à sua porta e informa-o que a sua filha fora assassinada. O médico legista determinou que ela tinha sido morta por volta da meia-noite.
"Não havia maneira do pai saber que a filha estava a ser assassinada a dezenas de km de distância, no entanto esse acontecimento foi sentido por ele de algum modo, a não ser que acreditemos que se tratou de uma coincidência.
"Isto costuma acontecer também com gémeos idênticos, em que um deles é sensível ao que se passa com o outro."
-Continuo sem perceber o que tem isso a ver comigo - disse Mário.
-Da mesma forma que a mente consegue sentir a dor ou alegria de alguém que nos é biologicamente próximo, ou mesmo idêntico, você, como confessou no seu livro, talvez sente-se um pouco culpado pelo crime porque aquele poderia ser o seu irmão gémeo ou algum "clone" sem relação a si, como referi há pouco. Esta - um irmão gémeo - seria a explicação mais simples, e portanto mais plausível, para o sucedido. Mas como acreditar nisto se você próprio confessou o crime na sua carta de despedida? E se eu acreditasse nisto não estaria aqui.
Mário ficou atónito:
-Desculpe?
Alexandre, que não estava surpreendido com a surpresa de Mário, não que achasse que ele estava amnésico ou a fingir, diz:
-Sim, após acordar no hospital você revelou o seu esconderijo à polícia e lá encontraram a sua carta, na qual desculpava-se pelo sofrimento causado à sua mulher e filho e confessava o homicídio da sua amante grávida. .
-Não, lamento, isso não aconteceu. Eu escrevi uma carta, sim. Mas como tem você conhecimento disso? - pergunta Mário. Que um estranho tivesse conhecimento de uma carta que nem a polícia que investigou o crime e perseguiu Mário durante quase três meses conhecia, seria motivo de estupefacção e medo para qualquer pessoa, mas em Mário, que já passara e continuava a passar por coisas mais bizarras, isso não causou tanto espanto como deveria. Mário acrescenta:
-Mas não escrevi isso que diz. E para além disso, a polícia, que eu saiba, nunca encontrou a carta porque eu, com vergonha, nunca mencionei o esconderijo. Não queria que a minha carta de despedida fosse descoberta tendo eu sobrevivido, seria vergonhoso demais. Mas em nenhum parágrafo da carta admiti o crime, pois não o cometi. Apenas pedia desculpa aos meus pais pelo sofrimento que lhes causei, motivado pelo sofrimento que eu sentia.
-Lembre-se, eu acredito que esteja a ser sincero quando diz o que diz. E que essa sinceridade não advém das confabulações em que um amnésico acredita, mas correspondem aos factos.
"Eis o que eu acho: você não matou aquela mulher. Mas você também matou-a. E as suas duas famílias são ambas suas mas não ao mesmo tempo. E as memórias que viu na mente são suas e e não são suas, pois foram e não foram vividas por si.
"Aquela sua premonição, tida no momento de uma descarga de energia - o relâmpago - foi a recolecção, por parte da sua mente, da informação de um evento que tinha acontecido no futuro, mas um futuro doutro universo, futuro esse que, em relação à linha temporal do nosso universo, seria um acontecimento do passado. Doutro modo, você não poderia ter tido a premonição, pois a causa (o acidente) teve de anteceder o efeito (a premonição do acidente) para que aquele pudesse ser previsto. Como, de acordo com as leis da física, as causas nunca antecedem os efeitos, o acidente teve de ocorrer primeiro noutro universo para que o conhecimento dele neste universo pudesse anteceder o seu acontecimento neste universo. É esta, a meu ver, a explicação para o fenómeno vulgarmente denominado «premonição»: a falsa «previsão» do futuro que não é mais que a lembrança, neste universo, de um evento já ocorrido noutro universo e que irá também ocorrer neste. E falo da verdadeira premonição, não da ilusão de premonição que advém das naturais falhas e vieses cognitivos da mente humana."
-Agora você já está a abusar- disse Mário. - Ou você é mais louco do que eu ou está a fazer pouco de mim.
Alexandre esboçou um sorriso, mas logo ficou sério:
- Não, repare, o que eu lhe estou a tentar dizer é que acredito que cada um de nós tem pelo menos um outro "eu", e talvez uma infinidade de "eus", que existem simultaneamente connosco, mas não aqui. O que acontece, na minha opinião, é que, por razões que ainda não vislumbro, às vezes esse(s) diferente(s) universo(s), ou partes dele(s), como você, ou eu, ou uma cadeira, ou uma árvore, ou um simples átomo, cruza(m)-se com o nosso, da mesma maneira que duas linhas de pesca se emaranham ao cruzarem-se, ou como dois fios de electricidade, que correm paralelos de um poste ao outro, tocam-se quando há vento. E ao fazerem-no podem trocar matéria, energia e informação. As memórias que você viu, e que se calhar irá ver com mais frequência, ou nunca mais, são as memórias do seu outro "eu" de um universo paralelo, com o qual você trocou informação. A "nova" vida que todos dizem ser sua após a queda no mar, talvez não seja mais que a "sua" vida de um universo paralelo. Talvez você não seja deste universo, ou talvez sejamos nós, e quando digo nós refiro-me à totalidade do que existe neste universo, que estejamos a mais; se calhar este universo, ao emaranhar-se com outro, foi esvaziado do seu conteúdo original, excepto você, e preenchido com o conteúdo desse outro universo. E agora você, neste seu universo, paga pelo crime que o seu outro eu cometeu naquele nosso universo. E o seu outro eu deve andar por lá livre como um passarinho. Que bela forma de escapar à justiça, não acha?
"E às vezes, creio que acontece o seguinte: quando dois universos se «cruzam» apenas um deles recebe matéria ou energia do outro. É esta, a meu ver, a origem de alguns doppelgangers. Que podem ser de pessoas, animais, plantas ou coisas inanimadas.
"É natural que se sinta culpado do crime, foi você que o cometeu. Se um pai é capaz de sentir uma filha a ser assassinada e um gémeo a dor de outro gémeo, como não havia você de sentir o que você próprio fez?"
Mário abanou a cabeça como quem está farto de ouvir baboseiras e levantou-se da cadeira.
-A visita acabou - disse ele ao guarda. E foi reconduzido à sua cela.
Devo estar louco, de facto. E se calhar até cometi o crime e não me lembro. Se calhar estão todos certos. Mas aquele tipo também não devia andar à solta, pensou Mário. E talvez estivesse certo também.
submitted by dukaymon to escrita [link] [comments]


2020.06.06 04:40 jhinjhinjinx Sou a babaca por ter saído escondido de casa para ver meu namorado?

Olá Luba, editores, gatas, restos de papelões e turma que está a ver. Quero começar essa história com um aviso: ISSO FOI ANTES DO CORINGA E QUARENTENA!
Bom, antes quero dar um pequeno contexto em como fui criada. Desde quando nasci, meus pais SEMPRE passavam a mão na minha cabeça falando que estava tudo bem e que qualquer problema que eu tinha, eu pudia ir correndo para eles que iriam resolver (pais super protetores resumindo), sempre dependia deles. Eles nunca conversavam sobre assuntos necessários e importantes da vida como sexualidade, futuro, amor, sentimentos, tudo que, na cabeça deles, não me faria mais "pura" (pra vocês terem noção, eu só fui saber o que era menstruação quando eu tive aos 9 anos COM UMA AMIGA EM CASA e eu desesperada falando "MÃE, MINHA PIRIQUITA TA SANGRANDO, EU VOU MORRER"; ou quando eu estava na loja do meu pai, ele atendendo cliente e eu berrei "PAI, O QUE É PÊNIS????" ai eu pesquisei no Google e caiu a ficha).
Enfim, moro em apartamento por 18-19 anos sem saber muito como realmente era a vida, andar sozinha por qualquer lugar (nem mesmo no quarteirão de casa) nunca foi uma opção, minha mãe falava que ia junto, meu pai ou meu irmão mas eu SEMPRE tinha que estar acompanhada (já meu irmão nunca precisou disso k, ja vão entender porque falei isso); Então, comecei a ficar mais "rebelde" por assim dizer, minha depressão começou a aparecer com o bullying na escola, minha mãe me batendo por eu chorar porque não queria voltar naquela escola pois era cara e meus pais não tinham condições de ficar pagando escola sendo que eu não ia (surpresa, repeti de ano), assim foi minha pré-adolescência.
Desde quando comecei a entrar na fase emo, minha mãe ficava puta comigo por querer fazer um piercing mas falava "espero que doa pra você aprender e nunca mais fazer isso" resultado: alguns anos depois furei meu septo. Então ela sempre gosta que eu quebre a cara pra poder aprender as coisas, já meu pai nunca fazia nada, ficava no quarto dele quando me ouvia chorar e começava a rezar desejando meu bem (meus avós por parte de pai são pastores).
Bem, quando fiz meus 18, comecei a namorar o Carls e ele foi/ é a pessoa que começou a abrir meus olhos sobre a realidade do mundo, porem ele entrou na pior crise possível, tentou se matar 2 vezes e quando eu queria ir ver ele no hospital (graças a deus ele conseguiu pedir ajuda e ele ficou alguns dias internado) meus pais não deixavam de jeito algum eu sair pra ver ele, falando que era mentira, que não era problema meu, não devia me preocupar (sendo que quando eu via ele depois do acontecido, dava pra ver com clareza os cortes nos braços e pernas dele).
Nisso passou algumas semanas e a segunda vez aconteceu, com um pouco mais de confiança que eu tinha, chamei um uber as 11 da manha pra ir na casa dele, ajudar mas eu não contei pra minha mãe (que estava dormindo em casa) e quando ela me mandou mensagem, menti pra ela falando que estava com um dos meus melhores amigos só que ela sabia que não era verdade. Algumas horas depois, minha mãe chega com meu irmão no carro e começa a berrar comigo falando que eu tava parecendo uma ladra, que "você não tem mãe em casa pra avisar né?" na frente da casa do Carls, fazendo o maior espetáculo, os vizinhos olhando tanto que até a minha sogra foi ver o que tava acontecendo, Carls falou cara a cara com minha mãe, me defendendo falando que eu não posso mais ficar trancada dentro de casa esperando eles fazerem mais coisas por mim, etc.
Acabou que fui pra casa ouvindo sermão, xingo, tudo que é possível na meia hora de viagem que é do ap pra casa dele (fiquei quieta o tempo todo). Quando cheguei em casa, fui direto pro meu quarto sem olhar mais na cara de ninguém até as 18 que foi o horário que meu pai chegava do serviço, ai o show começou, fiquei falando que EU tinha pagado o uber, EU fui até lá, que eu tinha que ir lá se não dessa vez o Carls realmente ia morrer por conta do estado físico e emocional dele. Meus pais usaram o típico argumento "enquanto você estiver no meu teto, eu mando aqui e na sua vida" só que assim, querendo ou não, não foram eles que bancaram a viagem, não foram eles que estavam vendo o estado que o Carls tava. Ai meu pai lança A BRABA falando "eu não acredito que ele fez tudo essas coisas" meu sangue ferveu na hora, então eu falei "você viu o que eu vi? você ouviu o que eu ouvi? não né? então não julga as coisas/ pessoas que tu não tem a minima noção de como é/são" porque eu mesma já quase morri e meus pais até hoje não sabem disso, esses assuntos realmente mexem comigo de qualquer jeito, mas ouvir aquilo sair do meu pai mostrou a empatia inexistente que ele tinha tanto pelo Carls quanto pra qualquer outra pessoa passando pela situação.
Meu pai foi o que eu mais bati de frente porque minha mãe já tinha falado "deixa ela com esse menino, depois eles terminam quero ver pra quem ela vai correr" então meu pai lança mais uma pérola falando "primeiro que mulher só tem independência aos 21 anos, então não adianta falar que você tem 18 porque ainda é uma criança" lembram que eu falei que só eu precisava andar acompanhada? pois então, nesse momento fiz igual a Lolly, eu apontei na cara dele e falei "você é um MAXISTA!" Isso quebrou muito ele, acho que nunca tinha escutado algo assim principalmente da filha, então ficou inventando desculpinha e se perdia no meio das palavras (e todos aplaudiram, mentira).
Hoje em dia, meus pais colocaram mais um cadeado na porta de casa pra eu não fazer de novo e até hoje sou vista como a completa errada, sem noção, senso e sem respeito pelos meus pais (minha mãe é a unica que fala normal comigo e realmente ta se "preocupando", me fazendo comer e beber água porque faz algumas semanas que estou em uma dieta extremamente radical enquanto meu pai e meu irmão nem se quer olham pra mim).
Depois dessa história longa pra cacete (que ainda tem muito mais também KKKKK) o que vocês acham? Eu sou a babaca?
OBS.: eu entendo completamente minha mãe ter perdido o temperamento quando me viu la na casa do Carls por estar preocupada mas ela não podia pelo menos pegar e guardar pra explodir no carro ou em casa já que ela sempre fez isso?;
OBS.2: também não acordei a minha mãe (sei que deveria ter falando aonde eu realmente ia, foi errado eu querer mentir mas fiz isso porque sabia que iriam me impedir de qualquer forma) pois estava com medo do que Carls poderia fazer, já que ele não me respondia mais, querendo ou não, a vida dele estava em jogo naquele momento, se eu parasse pra explicar, poderia ser tarde demais. E menti que estava com meu melhor amigo porque minha mãe sempre confiou muito nele entao como eu queria passar o máximo de tempo com Carls pra acalma-lo e mostrar que ainda tem muita vida pela frente (o que deu certo e estamos juntos até hoje);
OBS.3: NÃO ESTAMOS CORTANDO A QUARENTENA PARA VER UM AO OUTRO.
View Poll
submitted by jhinjhinjinx to TurmaFeira [link] [comments]


2020.05.04 02:54 SatokoHoujou Descobri que sou trans. E agora?

TL;DR abaixo com as perguntas que gostaria de sanar, o resto é desabafo e contextualização.
Oi gente, tudo bem? Recentemente me descobri trans (MtF) depois de anos achando que era apenas um fetiche ou vontade de fazer crossdress. Gostaria de tirar algumas dúvidas sobre TH e também desabafar e conversar um pouco com quem também passa/passou por isso e como lidar. Só para clarificar, ainda estou usando pronomes/nome masculino mesmo, porque...
Sinceramente, eu não me sinto uma mulher. Isso é normal? Eu sei que gostaria de ser uma mulher, mas vivendo quase 23 anos como homem me sinto muito hipócrita em dizer que me sinto uma mulher. Já me acostumei a viver assim. Minha vida é uma eterna monotonia. Faço faculdade e estágio. Não tenho amigos, não tenho vida social, meu único hobby é jogar vídeo game, então que diferença faria? Sinto que para mim a transição seria uma forma de escapismo. Como um meme que vi: "não arrumei uma namorada, então eu mesmo viro a namorada". E se for uma fase?
A primeira vez que senti uma certa disforia foi assistindo um anime em que um personagem era crossdresser, porque se sentia fraco como um homem e recorreu a essa opção, de viver sua adolescência como uma menina. Esse foi o primeiro momento em que eu se quer cogitei que aquilo podia ser uma opção para mim. "Eu também não gosto de ser homem, e se eu fizesse crossdress?" Pedi para meus pais comprarem um vestido para mim sob o pretexto de fazer cosplay, mas infelizmente foi sem sucesso. O outro motivo é que eu me sinto mal por como isso foi despertado. Se eu nunca tivesse assistido esse anime, não estaria passando por isso agora?
Não tem como eu me iludir pensando o quão bom teria sido fazer a transição antes, eu nem sabia que isso era uma opção. Via 'travestis' com maus olhos, jamais que eu queria ser aquilo. O que me lembra que até uns 12 anos eu era extremamente homofóbico e transfóbico, mas isso é porque eu morava em uma cidade minúscula onde todo mundo é assim. Mais engraçado ainda é lembrar que quando eu tinha uns 5 anos eu tinha muito medo de "ser gay", porque associei o que escutei de adultos a algo ruim, digno de vergonha. Lá pelos 13 anos, comecei a questionar minha sexualidade, se eu possivelmente era bissexual, e infelizmente até hoje não tive a oportunidade de sanar essa dúvida, e um pouco se deve ao medo.
Eu sempre tive cabelo grande, desde os 9 anos. Sempre ODIEI meu cabelo curto, tentei deixá-lo curto várias vezes, e o resultado sempre era o mesmo: eu odiava, me arrependia, às vezes chorava, e ficava me sentindo burro por ter que ficar esperando um ano e meio até que crescesse. Deixei crescer acho que 5 ou 6 vezes ao longo desses anos. Hoje eu imagino que seja porque realça demais a masculinidade no meu rosto, o que dá para disfarçar um pouco sem estar curto. A última vez que cortei eu havia decidido que não deixaria mais crescer, porque queria ter mais oportunidades profissionais sem que o cabelo fosse um empecilho em entrevistas. Mudei de ideia, e quis deixar crescer de novo para dessa vez fazer crossdress. Estava decidido que iria me depilar inteiro, arrumar uma roupa legal, e realizar esse desejo secreto o qual sonho por pelo menos 8 anos. Mas tinha que ser algo genuíno, por isso quis deixar crescer de novo; nada de peruca, pois não me sentiria bem. Depois disso, poderia cortar de novo e seguia com o plano original.
Era esse o plano até a minha ficha cair: eu não gosto de ser homem, de parecer homem, e preferiria ser e parecer uma mulher, mesmo não sabendo explicar o porquê. E aí o desespero bateu, pois eu já passei há tempos da puberdade, sinto que não tenho mais um "rostinho de bebê" que tinha até uns 19, e a passagem do tempo me dá medo demais. Eu preferiria desistir da ideia, não ter que lidar com o preconceito, mas e se eu me arrepender quando estiver muito mais velho? Tem como eu empurrar isso para debaixo do tapete e fingir que nunca aconteceu? Acho que não.
Então dito isso, eu acho que estou na idade certa para fazer a transição. Não tão jovem quanto eu gostaria, mas suficientemente para ter ótimos resultados e começar a viver da maneira que eu quero. Isso se não fosse pela questão financeira ): Atualmente, eu sou estagiário em uma escola, estou no último ano de Letras, e quase todo meu dinheiro é para pagar a mensalidade da faculdade. Em dezembro, termino a faculdade e meu contrato de estágio acaba. A partir do ano que vem imagino que eu consiga arrumar um emprego como professor e ganhar cerca de uns 1800 reais, sem considerar a situação do Covid. O quão viável seria esse dinheiro para começar a pensar em depilação a laser e na transição?
Eu continuaria a morar com os meus pais, sei que isso está longe de ser o ideal, mas eu não vejo como conseguiria pagar aluguel enquanto pago as coisas relacionadas à transição, até porque eu não tenho nem roupa ou maquiagem alguma. Meu pai é aquele tipo de pessoa "o filho do vizinho ser gay tudo bem, mas o meu não", mas eu acredito que com tempo ele aceitaria. Minha mãe eu sei que aceitaria, se não fosse pela questão da insegurança e dificuldade de arrumar emprego. Por isso, tenho certeza que ela iria me desencorajar e dizer que é só uma fase.
Apesar disso, acho que eu preparei o terreno suficientemente bem ao longo dos anos: sabem que gosto do meu cabelo grande, já contei para eles diversas vezes que queria fazer crossdressing, usei maquiagem por uma época, aos 13 anos, e recentemente comecei a me depilar. Eu até fiz uma tentativa de sair do armário para minha mãe. Uma vez que o assunto encaixou, mostrei uma foto de transição de uma pessoa que era muito musculosa e barbuda, e havia se tornado uma mulher lindíssima. Aí eu falei: "se fosse para ficar bonita assim, até eu iria querer tomar hormônios". Ela respondeu: "sério? Que estranho". Foi literalmente isso. Estava na expectativa de ela me perguntar algo, mas nunca mais tocou no assunto. Não sei se foi só insensibilidade dela ou se também é um assunto o qual ela prefere evitar.
E sobre a transição em si, o quão viável é fazer pelo SUS ainda esse ano considerando a situação da pandemia? Se eu fizesse isso particular, quais passos eu teria que tomar? Consultar um endocrinologista e se der tudo certo, comprar os hormônios? Quanto isso + depilação a laser custaria? Moro em uma cidade no interior de SP com cerca de 700 mil habitantes, para contexto. Isso me parece o essencial, porque não tenho como ser passável com sombra da barba e por isso estou muito ansioso para poder fazer essa depilação a laser. O resto do corpo acho que fica decente depilando com creme depilatório e usando lâmina, mas o rosto não tem como, fica mt ruim ):
Considerando tudo isso, o medo que mais me assola: enfrentar isso e não ser passável. Sei que nunca vou ter dinheiro para FFS, provavelmente nem outras cirurgias, pois é caro demais. Só vou poder contar com a genética, hormônios e depilação mesmo. Será que eu me sentiria bem ou iria me enxergar ainda como um homem? O que me conforta um pouco é ver resultados de pessoas que começaram em uma situação muito pior dentro do contexto MtF, tipo que eram gordas, carecas, e mesmo assim, com tempo, se tornaram mulheres bonitas. E só para deixar claro, eu sei que a transição não é uma corrida de quem fica mais passável, o intuito é se sentir bem sendo quem você é de verdade, certo? Mas não vejo como tirar esse medo da cabeça.
E é isso, estou desse jeito desde o final de março, angustiado, sem conseguir me concentrar em nada. Fico muito chateado em ver minha mãe me perguntando porque estou tão desanimado, se eu estou doente porque só fico deitado o dia inteiro, e não posso falar nada porque ainda não tenho coragem, e tomar alguma atitude agora também parece muito difícil por quase da pandemia. Tive dois sonhos com essa situação, um deles foi contando para minha mãe, o outro foi usando meu nome novo, que já havia escolhido há um tempo. Me senti bem mal quando acordei ):
Não acredito que consegui escrever isso, sinto que foi um peso tirado das costas. Desculpe se disse algo insensível ou ofensivo, não foi minha intenção. Desculpe também pelo wall of text e agradeço muito a quem leu até aqui.
TL:DR: O quão viável é começar a transição atualmente pelo SUS? Quanto custaria, em média, se eu fizesse uma consulta particular com endocrinologista e comprasse os hormônios? Quanto custa, em média, sessões de laser e quanto estima-se gastar até retirar todos os pelos possíveis?
Atualmente moro com meus pais, sei que a reação deles seria neutra, não me expulsariam de casa nem nada. Termino a faculdade esse ano. Seria uma má ideia cogitar a transição agora/ano que vem? Eu poderia arrumar um emprego na área enquanto moro com eles para economizar no aluguel, não sei se aguento esperar ganhar suficientemente bem para morar sozinho ):
submitted by SatokoHoujou to transbr [link] [comments]


2020.03.16 02:05 Leotmat Compilado organizado (na medida do possível) das perguntas já feitas

Concientização:
P: Como convencer e conscientizar as pessoas da minha família a evitar aglomerações e encontros de várias pessoas, ainda mais com gente gripada no meio ?
R:Acho que o mais eficaz seria lembrar a eles que esses são apenas os casos confirmados, o número real de infectados pode ser muito maior porque muita gente pode estar assintomática ou não vai se testar porque os sintomas são similares aos da gripe. (+vídeos do atila,claro)
P: Existe algum vídeo ou site confiável (fora o do MS) sobre as medidas contra o COVID-19 para eu mandar para a minha família? Eles estão caindo em vídeo de "químico autodidata" que fala até pra não usar álcool em gel e isso tá me deixando extremamente preocupada...
R: Já experimentou algum do Átila?
hub de vídeos do Átila no telegram
P: Muita gente dizendo que de 10 a 20% dos casos precisam de alguma atenção médica, mas eu não achei fontes para esses dados, alguém pode me ajudar com isso?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Pelo que sei, as crianças não apresentam sintoma da doença. Mas o que mais já sabe sobre as crianças?
R: Não achei uma resposta adequada

Transmissão:
P:O que está acontecendo com o número de casos em SP?
R:O Ministério da Saúde começou a contabilizar apenas casos de internação na contagem. Se a pessoa fez teste, deu positivo, mas está em casa, eles não estão considerando como um caso de COVID-19. Isso foi a partir de sexta-feira, ACHO.
P: Médicos estão recomendando que quem está com sintomas leves fique em casa e não procure atendimento. A gente sabe que o empregador não aceitaria falta sem atestado médico. O que fazer nesse caso?
R:"Falando seriamente, vc deve falar pro seu chefe que está com febre e tosse seca. A maioria das pessoas vai entender e que é muito pior te manter lá. Inclusive é recomendação do CDC isso. "
P: Com a fase de mitigação da doença, escolas e faculdades fecharão. Se tivermos o mesmo contexto da Itália aqui no Brasil, talvez até comércio e transporte. Talvez quarentena de cidades. Minha dúvida é: por quanto tempo isso durará? Algumas semanas, meses?
Sabemos que o Brasil não é nenhuma Europa, e milhares de pessoas não terão condições de ficar muito tempo sem trabalhar e sem transporte público para tanto. E o Estado não terá condições de auxiliar essas pessoas...
R: Ninguém tem a minima ideia, quem estiver falando diferente ta mentindo ou delirando.
A gente pode até tentar dar alguns chutes educados. Por exemplo, espera-se que o pico seja daqui a um mês ou dois. Sera que a nossa quarentena vai ser efetiva e a gente vai conseguir atrasar o pico e liberar as pessoas antes? Ninguém sabe. Sera que o governo vai querer parar a quarentena antes, ou depois? Acho que nem os governantes sabem.
P: Devo fazer home office já? Devo esperar ter transmissão comunitária/sustentada? Qual o gatilho? Estou em Florianópolis. Temos 2 casos confirmados na cidade de pessoas que vieram de fora. Prefeito proibiu eventos fechados de mais de 100 pessoas.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Qual é o tempo entre a pessoa ser infectada e passar a ter a capacidade de transmitir o vírus ?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Não tava levando a sério a pandemia porque só vi a taxa de letalidade, não a de internações :/
Algum conselho que vocês podem me dar pra ajudar a proteger meus conhecidos além de evitar aglomerações?
E pro pessoal que depende de transporte público lotado (eu inclusive)?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Uma coisa que eu ando me perguntando é: será que aqui no Brasil o contágio não pode ser acelerado pela nossa cultura de buffets? Há mais facilidade de contágio num buffet do que num restaurante a la carte ou fast food?
R: Não achei uma resposta adequada
P: "queria saber se ainda é tranquilo ir para parques por serem locais abertos ou é melhor evitar e treinar em casa "
R: segundo a OMS, o vírus é transmitido por meio de gotículas que saem quando a pessoa espirra, tosse ou expira. essas gotículas com vírus podem se depositar em superfícies e infectar uma pessoa que tocou nelas.
ou seja, não se sabe quem tocou nos equipamentos de calistenia e nem quais cuidados de prevenção as pessoas tomaram (provavelmente nenhum), então por precaução é melhor ficar em casa pq vc ao menos tem mais certeza de que tá limpo
P: Quem pega e se cura pode pegar de novo?
R: (A única resposta dizia que sim, mas eu vi um vídeo recente dizendo que não, que no máximo eram resquicios da doença, vou deixar o atila responder)
P: Qual o tempo ideal de suspensão de atividades escolares de acordo com as estimativas atuais?
R: O ideal é ir reavaliando aos poucos, não dá pra saber o que vai acontecer ou qual vai ser o impacto real das medidas que estao sendo tomadas
P: Estatisticamente faz diferença limitar eventos e salas de cinema à metade da capacidade ou o real efetivo é fechar esses lugares por completo?
R: estatiscamente faz diferenca. Faz diferença suficiente? Não. Ia continuar sendo rapido demais. Pra nao falar da impossibilidade logistica de fiscalizar esse tipo de coisa
P: Minha faculdade anunciou neste domingo que as aulas serão suspensas por 15 dias inicialmente. Esse número de dias faz algum sentido? Não seria melhor fechar indefinidamente?
R: eles provavelmente simplesmente vão reavaliar em 15 dias. Se precisar eles fazem mais. Se eles falarem indefinidamente fica todo mundo sem ter nem ideia de quando volta, pode ser amanha ou daqui a dois dias. Com esse prazo, eles garantem a todo mundo que não vão reiniciar em menos tempo.
P: Existe algum produto pra passar no pelo de cachorros ou gatos, sei que aparentementemente eles não são hospedeiros, mas acredito que talvez o pelo possa ser exposto igual um pano seria, nesse caso existe algo a ser feito? algum produto que não agrida eles?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Faço identidades a manhã toda, para a população no geral (desde moradores de rua até gente com PhD). Sento em uma mesa aberta, sem nenhuma proteção entre eu e a pessoa, tendo necessariamente que ter contato físico com a mão das pessoas para coletar a digital. Eu passo álcool em gel na mão após todo o atendimento, mas ainda estou em sério risco. Existe alguma outra medida que eu possa tomar para evitar me contaminar no trabalho?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Quando se diz que o corona vírus se transmite pelo ar, da pra ter uma noção da distância que o vírus se distância do infectado?
R: Não achei uma resposta adequada

Covid no Brasil:
P: Existe alguma estimativa de previsão de pico em número de casos no Brasil? Ouvi dizer algo entre abril e maio, se for isso msm o cenário ideal seria suspensão de aulas de escolas e universidades por 2 meses e meio??

Covid no mundo:
P: Estou vendo que na Itália os casos estão aumentando todos os dias mesmo com quarentena. foi assim na China também? Demora pra surtir efeito ou é possível que a Itália tenha tomado essa medida tarde demais pra funcionar como na China?
R: Tem um período de incubação, em que a pessoa já está infectada, mas ainda não desenvolveu sintonas. Inclusive, uma das maiores dificuldades no controle é fazer esses infectados assintomaticos evitarem contatos. No COVID-19 pode ser de até 14 dias (http://www.saude.sp.gov.bses/perfil/cidadao/homepage/destaques/perguntas-e-respostas-tire-suas-duvidas-sobre-o-novo-coronavirus)
Assim, quem está sendo diagnosticado agora entrou em contato com o vírus dias atrás, e portanto não se beneficiou da quarentena.
P: Como a China conseguiu diminuir a curva de crescimento do vírus?
R: Isolando os casos e impedindo que infectassem outras pessoas
P: Por que a letalidade do vírus é muito maior na Itália e no Irã que em outros países? Percebi, olhando os números, que as mortes nesses dois países não seguem a proporção vista no resto do mundo. São 21 mil infectados na Itália e quase 2 mil mortos (1800, pra ser mais específico). A Coréia do Sul, por outro lado, tem quase 10 mil infectados e apenas 75 mortes até agora. Seria só questão de política públicas relacionadas à saúde ou há, também, questões geográficas, climáticas e culturais? Não encontrei nada a respeito.
R: Não achei uma resposta adequada (tinha, mas eu considerei incompleta)
Governo Brasileiro:
P: Gostaria de saber se o Brasil tem sido eficiente nas medidas que tem tomado e se há alguma previsão de quando a pandemia vai dar uma "acalmada".
Comparado, aos países como Itália ou Coreia do Sul, estamos indo bem, está sendo supervisionado e tals. Agora a pandemia, eu acredito que daqui alguns meses o pico já tenha acalmado.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Segundo boatos aqui em BH os hospitais todos já estão com casos confirmados de Corona, porém não querem anunciar por medo da repercussão. Por enquanto está tudo funcionando normalmente, estão todos trabalhando e estudando. O que fazer? Continuo vivendo normalmente até anunciarem que ninguém pode sair de casa? Preciso estudar, não posso perder nenhuma aula.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Atila, o que você acha da decisão de não acompanhar mais casos fora os de internação em hospitais no BR? Sei que é recomendação da OMS, mas me parece irresponsável de se tomar aqui... Ainda mais com o período de incubação assintomático e muita gente no Brasil ainda não levando a situação do Corona Vírus a sério.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Há alguma fonte oficial sobre restrições de entrada e quarentena para brasileiros vindo do exterior?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Moro no interior de PE (sertão) e por enquanto casos só em Recife. Acredita que os cuidados devem ser tomados também por aqui? Me refiro a paralisação das instituições
R: Não achei uma resposta adequada
P: Pq vão ser realizados apenas testes nos casos mais graves da doença? Como são fabricados os testes?
R: Não achei uma resposta adequada

Saúde pessoal:
P: Tenho hipertensão "leve" e tomo remédio, mas tenho 25 anos, tenho a pressão controlada e pratico atividade física regularmente. Eu estou no grupo de risco? Até pra, se eu tiver algum sintoma, saber se preciso procurar a unidade de saúde imediatamente.
Resposta parcial:
Meu caso é bem parecido, tenho pressão alta e tb tomo remédio (Losartana), li que esse remedio altera algumas células o que pode agravar caso seja infectado pelo covid-19.
P: Alguém sabe que se alguém que toma tamoxifeno(novaldex) pode apresentar sintomas piores?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Ja tive pneumonia na adolescência. Faço parte do grupo de risco?
R: Assumindo que você
• não tem 18 anos e dois dias, e sua pneumonia foi nos longinguos tempos que voce tinha 17 anos, 11 meses e 3 semanas;
• e que vc não ficou com nenhuma sequela;
Não, pode ficar tranquilo
P: No caso eu tenho ansiedade e depressão e muitos médicos já me disseram que minha imunidade é baixa por conta da doença e do antidepressivo, isso é real? E eu teria mais risco com a doença em si? Mesmo tendo 22 anos
R: É baixa a ponto de ter problemas respiratórios graves ou diabetes ou pressão alta? Se não, é mais um de nós que sentirá como uma gripe normal. De qualquer forma, converse com seu médico.
P: O que se sabe sobre interações de medicamentos? Recebi uma corrente falando que ibuprofeno e corticoides podem agravar casos de Corona. É verdade? Pode acontecer também com paracetamol e dipirona?
R: Respondi isso aqui
Em um reply embaixo também linkei a sociedade europeia de cardiologia orientando a não deixar de tomar os remédios e nem mudar conduta nenhuma.
P: Caso eu apresente sintomas de gripe, devo procurar hospitais particulares/públicos imediatamente ou notificar as autoridades(se sim, quais)?
R: Telefona no 156 (disque saúde), que eles vão explicar tudo. Em alguns lugares estão indo até a cada das pessoas pra recolher material pro teste. Não vai pra hospital nem pra posso de saúde antes de ligar pra eles e se informar.
OU
Quem faz notificação é o hospital.
Se tiver sintomas, procure atendimento.
Se tiver ido pro exteriotiver contato com alguem doente -> Procurar medico logo no primeiro sintoma
Se nao, depois de 4 ou 5 dias sem resolucao espontanea. -> Importante nao ficar lotando o sistema de saude com a primeira tosse.
P: Sou asmática e possuo fibrose pulmonar devido a uma pneumonia severa ano passado
Preciso usar Aerolin em caso de falta de ar, gostaria de saber se é seguro já que vi que a versão com corticoide piora os sintomas do virus, obrigada!
R: Não achei uma resposta adequada
P: Gostaria de saber se pessoas com anemia falciforme estão no grupo de risco? Já pesquisei muito, mas nenhum lugar de aprofunda nas questões de doenças sanguíneas crônicas.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Como deve ser o tratamento para quem tem sintomas, mas não tem necessidade de ir até um hospital? Até o momento, só li para evitar o ibuprofeno. O que deve ser usado para dor de cabeça, febre, tosse?
R: Não tem recomendação nenhuma de evitar ibuprofeno. Trate como vc trataria qualquer outra gripe/virose. Parecetamol, dipirona... o que vc preferir
P: Quais remédios estão sendo usados para tratar a dor no corpo, febre e falta de ar quando estão com corona vírus?
R: O remédio usual da sua preferência. Paracetamol, dipirona, o que vc estiver acostumado.
E não existe nenhuma contra indicacão pra ibuprofeno
P: E pra falta de ar?
R: A falta de ar é a mesma dificuldade de respiracansaço que vc sente quando está gripado.
Se estiver grave, procure atendimento
P: Tenho 24 anos e fumo há 7 anos (1 maço por dia). Entro em grupo de risco ou não
R: Não achei uma resposta adequada (mas diria que sim)

Higienização:
P: Iodo funciona como desinfetante pra matar o corona? Em qual concentração? Se funcionar, iodofor é uma opção super barata, dá pra encontrar em qualquer loja agropecuária, e 1 litro dele concentrado rende praticamente pra sempre.
R: Não achei uma resposta adequada
R: Na minha cidade acabou o alcool gel e nas cidades vizinhas também.
Compartilharam num grupo do WhatsApp uma receita de álcool Gel .. segue a receita:
2 folhas de gelatina sem sabor 1 copo de agua quente para dissolver essaa duas folhas de gelatina
Esperar a água quente com as folhas de gelatina esfriar e adicionar 12 copos de álcool a 96° graus... e pronto!
Diz virar álcool gel de 72° a 75° graus...
Essa receita funciona para a higienização das mãos mesmo?
R: O álcool 96% evapora muito rápido em contato com o ambiente externo; essa receita aí não funciona não, sem contar que gelatina tem origem animal e por isso vai mofar facinho.
Na falta de produtos específicos, use água e sabonete para lavar as mãos várias vezes ao dia.
P: posso usar álcool em gel 80% de acender carvão, como álcool em gel para limpeza das mãos?
R: Nas vezes que eu vi meus professores ou algum especialista falando sobre isso, eles sempre dizem que o álcool gel 70 é melhor pra isso. Os mais fortes evaporam muito rápido e os micróbios conseguem sobreviver na sua mão, os mais fracos não tem tanta força pra matar os micróbios. O 70 seria como um equilíbrio entre a força do álcool e o ficar tempo suficiente pra fazer efeito. Outras quantidades devem funcionar, só que não são melhores que o 70.
P: Muita gente anda pagando caro por álcool "chique". Ou álcool de menor quantidade mas que fica na vitrine da farmácia e é mais caro. Esse álcool aqui, funciona normal também?
R: Esse teu álcool é de volumagem 70... Pode usar sem medo!
A única diferença dele para os "chiques" é que esse aí talvez resseque um pouco a pele por não conter hidratantes como os perfumados de farmácia
P: Pra quem não ta conseguindo achar álcool em gel, álcool 52° GL ou água oxigenada serve também?
R: Alcool 52° não serve.
P: Em face da falta de álcool 70, eu posso usar um spray de álcool hidratado com detergente de cozinha pra higienizar mãos e superfícies?
Meu ponto é que o melhor que a água, o álcool hidratado evapora, mas é molhado o suficiente para fazer até espuma com o detergente de cozinha. Não precisa dar o sermão de que isso não é o ideal, pq esse já está ok.
R: Não achei uma resposta adequada

Vírus em si:
P: Ja existe informação quanto a resistência do corona quando exposto ao sol?
Moro no nordeste e aqui o clima sempre em volta dos 32 graus. Me é inviável lavar as duas calças jeans que uso pra trabalhar todo dia, to expondo as calças jeans ao sol das 08h da manhã as 14h e torcendo pra servir de alguma forma.
R: Parece que o vírus não é tão resistente ao calor, o Átila chegou a falar um pouquinho sobre isso nesse vídeo com o Iberê do Manual do Mundo
P: Eu estou com dúvida referente a origem do vírus. No meu meio uns falam que foi do morcego, outros de um animal daquela região que parece um tatu e outro de frutos do mar. Qual é a origem desse vírus?
R: Esse vírus PROVAVELMENTE veio de um pangolim mas é originalmente de um morcego, ou seja, ele é uma zoonose que passou por mutação para infectar um hospedeiro intermediário e posteriormente o ser humano. A hipótese do pangolim faz mais sentido por se ter muito mais acesso a ele, ser uma iguaria, um dos animais mais contrabandeados do mundo.
"The WHO considers bats the most likely natural reservoir of SARS-CoV-2,[33] but differences between the bat coronavirus and SARS-CoV-2 suggest that humans were infected via an intermediate host.[34]"
"An intermediate reservoir such as a pangolin is also thought to be involved in its introduction to humans.[13][14]"
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Severe_acute_respiratory_syndrome_coronavirus_2
P: Vi o artigo do The Lancet sobre câncer e coronavírus e quero saber se os números de quem pegou coronavírus e tem/teve câncer podem estar relacionados com outras características que não o câncer já que a idade média das pessoas é maior além de que quem está em tratamento frequenta o hospital e está mais propenso a contrair a doença por ter mais chances de ser exposto. Tive câncer com 12 anos, nunca bebi e nem fumei. Só por ter tido isso já elevaria minhas chances de ter o coronavírus e complicações ou ainda é cedo para afirmar qualquer coisa?
Artigo do The Lancet: https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045%2820%2930096-6/fulltext
R: O paper fala de pessoas em tratamento no momento.
Pessoas que tiveram cancer no passado não são consideradas grupos de risco
P: E esse paper? Acharam um anticorpo específico para tratamento?
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32134278/
R: Não. Ele tá reunindo o que se conhece de virus similares para levantar hipoteses e orientar a busca.
Não deu tempo de encontrar naada especifico, ensaios clinicos com testes em humanos levam anos
P: Recebi a notícia abaixo em um grupo de whatsapp e gostaria de saber se é verdadeira.
Informação preliminar, estão a estudar a razão do percurso da doença em Itália ser mais grave. Um dos factores foi a maioria dos doentes ter tomado ibuprofeno em casa. Juntaram o vírus e ibuprofeno no laboratório e chegaram à conclusão que a administração de ibuprofeno acelera a multiplicação do vírus e que está relacionado com percurso mais grave da doença. Recomendam evitar ibuprofeno e administrar paracetamol, aspirina, diclofenac. E há este artigo que fala um pouco sobre isso.
https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30116-8/fulltext30116-8/fulltext) "Human pathogenic coronaviruses (severe acute respiratory syndrome coronavirus [SARS-CoV] and SARS-CoV-2) bind to their target cells through angiotensin-converting enzyme 2 (ACE2), which is expressed by epithelial cells of the lung, intestine, kidney, and blood vessels.4 The expression of ACE2 is substantially increased in patients with type 1 or type 2 diabetes, who are treated with ACE inhibitors and angiotensin II type-I receptor blockers (ARBs).4 Hypertension is also treated with ACE inhibitors and ARBs, which results in an upregulation of ACE2.5 ACE2 can also be increased by thiazolidinediones and ibuprofen. These data suggest that ACE2 expression is increased in diabetes and treatment with ACE inhibitors and ARBs increases ACE2 expression. Consequently, the increased expression of ACE2 would facilitate infection with COVID-19. We therefore hypothesise that diabetes and hypertension treatment with ACE2-stimulating drugs increases the risk of developing severe and fatal COVID-19."
R: Não. Falei sobre isso aqui
Por favor, desminta isso
P: Recebi essa notícia de uma colega, vocês tem alguma informação a respeito?
https://www.news.com.au/lifestyle/health/health-problems/chinese-doctors-say-coronavirus-like-a-combination-of-sars-and-aids-can-cause-irreversible-lung-damage/news-story/f58f19c5eeae99b845c54e2d2b9305ca
R: Não achei uma resposta adequada
P: O estudo de que o pulmão fica danificado de 20 a 30% mesmo depois de se recuperar do vírus é real? E se sim, seria pra todos os casos?
R: O "estudo" é só relato de alguns casos em Hong Kong.
Não foram todos os pacientes e, mais importante, não temos nenhum motivo pra dizer que existe lesão permanente.
Simplesmente as pessoas apresentaram melhora clinica e receberam alta, mas ainda estavam ficando cansadas e tinham vestigios no pulmao.
O proprio medico apontou que isso pode melhorar com exercicios.
P: O sintoma da falta de ar do Covid-19 é uma falta de ar contínua, ou seja, que não para, ou a pessoa sente uma falta de ar, passa e depois volta?
R: É basicamente a mesma dificuldade de respirar de quem está gripado
Aliás, para efeitos práticos, os sintomas iniciais são indiferenciaveis de uma gripe. E a maioria dos casos melhora em até 1 semana, como uma gripe.
Se demorar mais que isso, ou estiver grave, procure atendimento.
P: Estava com uma dúvida com relação aos sintomas. Geralmente eles acontecem em associação ou um sintoma dos descritos pro covid-19 já basta pra acusar a contaminação?
Além disso, os sintomas vão aparecendo ao longo do tempo ou eles costumam ser mais notáveis de uma hora pra outra?
R: Não achei uma resposta adequada

Prevenção pré-crise:
P: É necessário fazer um mini estoque de alimentos e remédios ou isso não afeta a indústria farmacêutica?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Minha avó de 84 anos está na UTI e ela tem problemas respiratórios que a fazem dependente de oxigênio. Por conta do corona, restringiram as visitas.
Estou receoso de transmitir a ela alguma coisa. Fora os cuidados básicos de higiene, existe alguma precaução que possa ser tomada para isso? Devo usar máscara durante as visitas?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Acham que se eu tentar pegar covid19 agora e me isolar no mês de Março não vai ser melhor do que ainda correr risco de passar covid pra elas no mês que vem? Pra pegar o covid basta ir para um pronto socorro?
R: Previna-se! E se possível, insista para que sua mãe e avó não façam a viagem. O momento é de prevenção e não de "será que se eu pegar já é melhor" Não existe esse "melhor" já que ainda não temos cura ou tratamento efetivo.
P: Como é a evolução dos sintomas em quem foi infectado pelo vírus? Em media quais sintomas aparecem primeiro, em quantos dias eles vão piorando e quanto tempo leva para melhorar?
R: Não achei uma resposta adequada
P: o esquema é conter os picos apenas, até o vírus se instalar gradavivamente correto?
R: Não achei uma resposta adequada

Outros:
P: O Brasil (especialmente o Sudeste) está no meio de um surto de dengue e sarampo. É de se esperar que com o pico de casos do Coronavírus (e consequente superlotação dos hospitais) tenhamos aumento na mortalidade dessas doenças (seja pela dificuldade de tratamento, seja pela diminuição de diagnósticos)? Será que esse estresse que o Covid-19 vai causar no nosso sistema de saúde não vai gerar um "efeito cascata" e agravar as doenças 'domésticas' que nós já temos?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Alguém tem uma comparação do surto de corona com o de sarampo, no ano passado?
Que eu saiba o sarampo é muito mais letal e dura muito mais tempo no ambiente... Mas não deu esse alarde todo.
Queria saber se tem algum motivo além do corona estar espalhado pelo mundo.
R: Sarampo tem vacina
submitted by Leotmat to coronabr [link] [comments]


2020.02.26 19:21 Joaocapisceee A solidão transforma

Eu estava parando para refletir em meio ao feriado de Carnaval sobre uma questão que ronda minha vida desde a infância.
Só para contextualizar, eu cresci em um bairro elitizado no Rio de Janeiro, mesmo sendo eu um menino pobre. Por tais motivos, não saía com tanta frequência de casa para brincar e muito menos tinha muitos amigos para visitar a casa ou realizar feitos típicos de crianças.
Na adolescência, ainda no ensino médio, eu comecei a ter mais gente para com quem conversar e tudo mais. Nessa época eu fiz muitos colegas de classe, conversava com muita gente. Nesse momento, eu desenvolvi uma segunda personalidade, algo que eu fui perceber anos depois após longo tempo de reflexão.
Na rua ou na escola, eu sou aquele cara amigável. Sou amigo de todos, faço todos rirem comigo, conheço um milhão de pessoas e parece que sou o típico cara popular. Já tive namoradas, muitos flertes, enfim. Mas dentro de casa, ninguém me manda mensagem. Além de um amigo com quem compartilho algumas risadas, absolutamente nenhuma dessas amizades na rua me pergunta como estou ou algo do gênero, só me chamam para as festas porque segundo eles "você é uma companhia muito boa para qualquer local".
Dentro desse contexto descrito, vem a problematização. Eu fiquei e fico tanto tempo sozinho que eu perdi a noção de sociedade. Vejam bem, eu não me importo de estar sozinho ou na solidão, não é algo que me entristeça. Porém, sempre que eu tenho uma relação mais íntima com uma pessoa, eu acabo a distanciando por falta de atenção.
Eu não consigo ter a iniciativa de ficar perguntando algo que pra mim é bobo. "Como foi teu dia?", "E aí, hahaha, você tá precisando de algo?", "Ei, tem planos pro fim de semana?", "Tu tá precisando de algo? Posso te ajudar".
Na minha cabeça, todo mundo pergunta isso superficialmente só para sustentar uma falsa índole de bom amigo. É algo desnecessário. Se alguém precisar de ajuda ou quiser partilhar de possíveis eventos, isso vai ocorrer naturalmente por parte da pessoa, e não pela minha pergunta. Entretanto, esse modo de agir parece ser algo que chateia as pessoas, porque há uma exagerada necessidade disso ter que ser perguntado.
Eu preciso de terapia, eu sei disso. Eu só queria desabafar sobre isso porque passou isso pela minha mente após um rapaz ter me bloqueado por eu não ficar conversando inutilidades. Sempre quis conversar com ele sobre jogos de computador ou futebol, música, livros, celular, carnaval, ou qualquer coisa do gênero, mas nunca quis falar da vida dele ou propriamente me relacionar por conta disso. Ele foi o primeiro de 2020, mas em 2019 foram muitas outras pessoas.
É isso. Sei lá, não quero que achem que eu sou um cara chato ou acima da média. Eu me acho divertido e realmente uma boa companhia, mas não tenho paciência pra ficar suustentando uma conversa com perguntas como "Tudo bem?", sendo que a resposta independe do usuário, somente um "sim" pra vida seguir.
submitted by Joaocapisceee to desabafos [link] [comments]


2020.02.04 10:56 saturn_colorpen Cada um de nós é uma espécie rara de uma flor ❤️

Eu resolvi compartilhar um pensamento meu aqui, acredito que será útil para muitos de nós ler e se lembrar disso em nosso dia a dia,ainda mais quando vivemos em um mundo cada vez mais competitivo e onde cada vez mais as pessoas prezam por resultados rápidos a todo o momento.
É muito comum a gente se comparar, pra falar a verdade desde que éramos bebês nossos pais e parentes já faziam isso: comparavam nosso desenvolvimento com os dos outros bebês mesmo que em alguns casos era por pura preocupação para ver se tínhamos algum atraso ou coisa do tipo.
O problema é quando isso é levado à diante, é algo tão cultural em nossa sociedade que muitas vezes acontece com naturalidade em uma sala de aula ou em um almoço de família. Ou ainda há quem faça comparações entre nós e outras pessoas com a intenção de nos colocar para baixo. Sim, na minha infância já aconteceu os dois casos comigo e por adultos.
Assim, nós mesmos ainda na infância ou na adolescência começamos a nos comparar com os outros, começamos a nos perguntar o porquê de não sermos tão bons ou de não termos uma vida tão boa quanto a do fulano, ciclano????? Dependendo da sua vida isso tende a piorar. Com 8 anos de idade eu já sofria de baixa autoestima e acreditem, as comparações tinham uma boa parcela de culpa.
Então vai chegando o ensino médio, você tem que ser o melhor! Você deve trazer resultados! Mesmo que a vida toda você de fato nunca conseguiu acreditar 100% em você mesmo porque tinha alguém para te comparar com os outros e te colocar para baixo. Muitas vezes essa pessoa era um de seus pais, tio, tia, avó, avô, irmão... "Mas a família sempre tem razão " Não, nem sempre. Mas em uma sociedade onde a qualquer custo temos que glorificar nossos pais e parentes a todo o custo (mesmo eles sendo tóxicos, narcisistas ou abusivos) nós somos obrigados a aceitar de cabeça baixa cada palavra.
E muitas vezes, os resultados não chegam como a sociedade estava aguardando. Você não sobe no pódium. E pronto! Começamos a nos comparar outra vez, entramos nesse círculo vicioso e não conseguimos sair do lugar para nada. Começamos a ver as postagens nas redes sociais e nos sentimos piores ainda. Escuta comentários tóxicos a respeito de você que o deixam pior ainda beirando a depressão, ansiedade.. (isso quando você já não tem essas doenças).
Sabem o real problema? A sociedade nos enxerga como um todo e não como indivíduos. Somos pessoas diferentes umas das outras, que passam ou passaram por experiências de vida diferentes. E isso afeta sim em quem somos hoje. Uma pessoa que nasceu em berço de ouro, uma pessoa que nasceu saudável em família acolhedora que preza por sua saúde mental com toda a certeza terá mais chances de alcançar seus objetivos de uma forma mais rápida quando comparado a alguém que nasceu em uma família pobre e sem nenhum suporte afetivo. Alguns nascem doentes, outros saudáveis, alguns têm atrasos, outros são mini gênios aos 5 anos de idade, alguns tiveram uma infância saudável, outros não... Tem pessoas que estão vivendo O melhor momento da vida delas agora, outras viverão isso daqui 1 ano ou 10 anos. Mas por outro lado nascer em uma situação boa não é garantia de que sempre seremos felizes tendo energia para alcançar o que queremos, até porque depressão não escolhe classe social, por exemplo.
Então se você se compara com o outros, pare e pense nisso. Cada um tem uma experiência de vida diferente. Então as vezes uns conseguem com mais facilidade atingir aquela meta que você tanto queria atingir. Mas calma, isso não significa que você nunca atingirá, você vai. Isso não significa que você não é bom o suficiente. Viva a sua vida, a sua luta e sem comparar resultados com os demais, só você sabe pelo o que você passou, só você sentiu na pele os momentos que viveu. Corra atrás daquilo que você quer por você ❤️. Crie suas metas, desenvolva se no seu tempo. Pode ser que para você uma meta demore mais para acontecer, talvez você vá iniciar a faculdade quando todos os seus colegas estiverem terminando suas graduações e tá tudo bem❤️ ESTÁ TUDO BEM❤️.
Alguém vai encontrar o amor da sua vida aos 50, ser mãe aos 40, iniciar a faculdade aos 30, alguém aos 25 estará comprando sua casa própria enquanto outro aos 25 estará alugando sua primeira kitnet ou o primeiro quartinho de república... Não há uma regra.
Quando a gente foca em nós mesmos sem comparar vivemos uma vida mais leve e até mesmo pode acontecer de descobrirmos talentos novos dentro de nós. Além disso, estamos praticando amor próprio. Quando a gente se compara com os demais, a gente tende a ficar parado com a cabeça cheia de pensamentos autodestrutivos e sem tomar uma atitude.
Cada um de nós é uma espécie de flor rara que tem seu tempo e maneira própria para florescer.
submitted by saturn_colorpen to desabafos [link] [comments]


2019.12.22 16:48 fcampos2015 Eu sinto como se eu vivesse em um pesadelo da minha pröpria vida.

Tenho 24 anos, e eu não tive nenhum momento real de me sentir bem ou orgulhoso.
Desde que eu nasci minha mãe e pai brigavam muito, sempre porque meu pai usava drogas eu acho, e minha mãe era uma eterna reclamona e não era uma pessoa perfeita também.
Desde sempre eu sofri com isso porque eu sempre ficava ansioso de uma briga começar. Como eu era criança, eu não entendia muito bem o que acontecia, eu só me lembro de ficar ansioso e não querer que outra briga começasse.
Acho que isso se reflete até hoje, eu me sinto completamente excluido e rejeitado toda a vez que alguém fala de algo que eu não entendo, quando acontece alguma coisa.
Quando eu cresci eu percebi que minha mãe era de certa forma bem pior que meu pai. Tudo que eu fazia era criticado por ela, eu lavava a louça toda a tarde por exemplo, e ela insistia em falar que eu não fazia naa o dia inteiro, que eu era preguiçoso e etc.
Ela é uma pessoa que dá pra descrever como passiva-agressiva. Ela sempre está irritada, de saco cheio e reclamando de algo. Ela sempre precisa revidar as coisas e na minha adolescência ela prometia coisas, viagens e presentes e depois nunca mais falava no assunto porque eu tinha feito algo e eu não sabia porque.
Nunca tive amigos de verdade ou namorada porque não conseguia me sentir bem perto de outras pessoas. Fiquei 5 anos sofrendo por uma garota que gostava de mim e que meio que me ignorou depois de um tempo. Eu achava que não conseguria nada além dela e não saber o que tinha acontecido era torturante.
As vezes tenho vontade de falar com ela de nivo só como forma de desabafar tudo que ela me fez passar, porem eu sei que nada disso é culpa de alguém
Fiz uma faculdade boa, só que fiquei tão cheio de Dps e não conseguia conversar com ninguem lá. Além disso tive meu primeiro emprego com 23 anos, só quando comecei outra faculdade e sinto que nada serviu pra alguma coisa. Eu me lembro de pensar que não merecia ser uma pessoa normal pela falha que eu tinha cometido na faculdade.
Passei dos 17 aos 24 anos me odiando profundamente, e não consigo voltar atrás
Eu sinto que com 24 anos, minha vida já acabou. Eu não fiz nada que outras pessoas já fizeram por medo e exclusão, eu ainto que vou estar sempre marcado por isso e nunca vou viver uma vida normal.
Não vejo as coisas melhorando pra mim daqui a 2-5 anos, e quando essa idade chegar, se chegar, eu já vou estar velho demais e vou me sentir excluido das outras pessoas com vidas normais. Mesmo se algo bom acontecet na minha vida, sempre vou ter que lembrar dos anos tristes e nada vai adiantar. Eu não consigo ver como vou lidar com o passado, não quero ficar feliz e lembrar do meu passado.
Eu não consigo lidar com a ideia de que por mais que eu tente, sempre vou ser diferente dos outros, e nunca vou poder me identificar com ninguém.
Sinto como se mesmo se as coisas melhorarem eu sempre vou ser uma espécie de virgem, uma pessoa que não passou por nada por 24 anos, e eu nunca mais vou poder "ser" alguma outra coisa
É como se fosse tarde demais pra sentir qualquer coisa, amor, ódio, tristeza. Eu não consigo me ligar a nada porque meu passado já diz que eu sou um nada, e eu sempre vou ser assim. Mudar seria uma farsa.
Sinto vontade de me matar as vezes, mais sei que isso não é solução, e não quero que alguém se sinta culpado por isso. Não é serio, mais eu queria parar de viver.
submitted by fcampos2015 to brasil [link] [comments]


2019.11.11 02:19 batistalex Minha vida emocional é um fracasso. O amor não é pra mim...

Boa noite, este é meu primeiro desabafo, desculpem o texto longo, tem muita coisa presa na garganta que não confio contar a ninguém do meu círculo. Sei que gastar tempo lendo sobre mim pode não ser tão interessante.
Enfim... Sinto que falhei comigo, estou com 29 anos e me sinto um fracasso ambulante que não consegue lidar adequadamente com suas emoções. Nasci numa família fechada emocionalmente, onde ninguém nunca disse "eu te amo" a ninguém. Nunca vi meu pai beijar minha mãe (brigas eu vi diversas vezes). Meu pai faleceu de câncer no ano passado, e ainda sob essas condições nunca trocamos palavras de afeto (embora não houvessem palavras, as ações por si já diziam muito), e por isso eu não consigo me sentir à vontade com demonstrações de afeto até hoje.
Nunca tive uma namorada fixa, o máximo que tive foram alguns lances casuais que embora eu tivesse me esforçado muito para dar certo, não deu. Por um lado eu sei que não tenho muita habilidade em gerir meus sentimentos, por outro lado acho que tenho a famosa "mão podre" porque parece que só encontro pessoas com uma bagagem tão pesada que fica difícil sair algo de bom.
Exemplo:
Interessante que a exceção da garota 2, eu nunca me afastei de nenhuma devido aos seus problemas, até me dispus a ajudá-las mas não deu.
O mais triste é que eu sou muito "padrão". Desde minha adolescência acreditava que se era pra eu estar com alguém, que fosse pra somar. O problema é que eu nunca me senti capaz de somar, sou estou começando a mudar esse pensamento agora, mas ainda falta chão. Nunca fui de balada ou de contatinhos. Tenho uma boa aparência, treino e me alimento bem. Há 2 anos me graduei, sou Engenheiro, tenho um bom trabalho e amo o que eu faço. No entanto, minha auto-estima está no lixo. Às vezes me pego pensando nas coisas mais simples e triviais para alguns (e que muitas vezes não dão valor): Uma família feliz. Minha esposa, eu, um casal de crianças e um cachorro. Coisa besta mas que eu sempre pensei ter um dia. Mas não apenas isso, eu fantasiava que encontraria alguém cedo, que juntos viajariamos o mundo e foda-se o resto porque estaríamos felizes. Não foi o que aconteceu e me parece que não vai acontecer.
Enquanto escrevo eu literalmente estou chorando porque não consigo acreditar que falhei tão miseravelmente em algo que outros conseguem com facilidade. E não estou falando de sexo, estou falando de encontrar aquele alguém com quem você possa contar todos os dias, dividir os melhores e piores momentos, alguém que não te julgue e esteja com você pra o que der e vier. Alguém pra dividir os projetos. Isso é papo de sonhador, eu sei, as pessoas mudaram, ninguém pensa assim e talvez eu seja um dos últimos da minha "espécie". Não é difícil ver o tanto de divórcios que temos hoje em dia, ficou mais complicado. No entanto, o sentimento de frustação é tão forte que é difícil esquecer. Isso pesa muito principalmente em festas ou eventos onde normalmente meus amigos ou colegas de trabalho levam suas namoradas/esposas e para eu não me sentir mais fracassado ainda, nem apareço. Encontro uma desculpa e fico em casa.
Estou no limite da mudança, mas creio que para pior. Se não encontro o que sempre sonhei, talvez para matar a carência eu vire o tipo de cara que eu sempre critiquei, aquele que sai com uma e outra e não se importa. Sempre me importei demais, sempre me preocupei demais com a outra pessoa e no fim sempre me ferrei. Sei que não vou ser feliz se fizer essa mudança, mas também não estou feliz agora. É difícil apagar algo que sempre considerei de alto valor para mim.
Bom, não quero me prolongar mais. Ainda tinha tanta coisa pra falar mas fica para a próxima. Se você leu até aqui, agradeço a gentileza. Você é um incrível ser humano.
submitted by batistalex to desabafos [link] [comments]


2019.11.07 03:25 Mustafasustenido Completei 30 anos, virei mago e isso me abalou profundamente

Caros colegas redditors.
Buscarei a melhor forma de contar essa história aqui e farei um TL;DR no fim, mas tentarei não deixá-la massiva.
Então... venho de uma família classe média alta onde o que mais tive foi amor e carinho.
Em minha adolescência viajei bastante pelo mundo com minha família, estudei em uma escola excelente, fiz muitos amigos (alguns hoje são meus irmãos de vida) e posso dizer que foi o melhor período de minha vida.
Porém nunca consegui me relacionar com nenhuma mulher. Terminei o ensino médio sem nunca ter dado um beijo. Só tendo encostado na mão de uma menina 1x e passando por dezenas de rejeições (perdi as contas da quantidade de vezes que me apaixonei e não fui correspondido).
Sei que isso, em partes, se explica pelo fato de eu ter sido o ser humano mais magro (com saúde) que já conheci. Sem entrar em muitos detalhes meu IMC era por volta 13, eu era literalmente só o osso. Mais de 1,80m e menos de 50 kg (muito tempo depois descobri que é simplesmente a genética, mesmo malhando existe uma barreira pra meu peso e cada segundo de sedentarismo me faz emagrecer), exames perfeitos. No fim da adolescência entrei pra academia e consegui um corpo magro normal, porém o estrago na minha autoestima já estava feito (apesar de eu ter convicção que a qualquer momento, naturalmente, as coisas aconteceriam e eu acharia alguma menina pra me relacionar).
Passei em uma das melhores faculdades do país, no curso que eu queria, saí de casa pra morar sozinho e estudar, tinha tudo pra minha vida continuar as mil maravilhas, mas encontrei meu primeiro problema. O local de estudo só tinha homens e, como eu não era muito de sair, me bateu um grande desespero de continuar BV por muito tempo, já que não teria contato com mulheres... Enfim, uma depressão apareceu e fiquei quase 2 anos praticamente na rotina casa-faculdade-casa (além de minha família ter colocado quase uma babá em minha casa, pra que eu pudesse ficar mais relaxado). Foi com sobras o pior período de minha vida, em momentos de crise não conseguia comer praticamente nada, em momentos normais eu tinha que empurrar cada refeição. Voltei pra um estado de muita magreza (IMC 14,5), parei de fazer atividades físicas... minha família percebia pouco porque, além da distância, meu desempenho continuou excelente. Meus amigos de infância estavam em outras cidades e meus amigos da faculdade não pareciam notar nada (até porque já me conheceram nesse estado).
Consegui começar a superar essa situação depois de um grave problema de saúde na família. Entendi que nada do que eu sentia se justificava com tanto sofrimento que eu estava vendo daquele ente querido próximo a partir. Tanto que, depois da sua morte meus pensamentos voltaram a funcionar quase que normalmente (algumas recaídas de vez em quando) e voltei a ter aquela certeza adolescente que a qualquer momento naturalmente eu ia encontrar uma parceira.
Resumindo bastante, terminei a faculdade e comecei a trabalhar numa das maiores empresas do país, em uma cidade média do Brasil. Em pouco tempo eu assumi uma função de gestão e hoje estou quase no topo da carreira. Além disso dou palestras periodicamente para centenas de pessoas e ministro um curso noturno na área em que sou referência. Minha remuneração é o equivalente a 1 carro popular a cada 2 meses.
Ah... não possuo redes sociais
O que vou falar agora pode ficar parecendo querer me "gabar", mas é só pra enaltecer a gravidade da situação e o quanto tudo pesa em mim.
Meu modelo de gestão virou referência na empresa (e no mercado em geral), por criar uma equipe "família" (tenho muita facilidade em analisar perfis de pessoas e criar ambientes de trabalho que funcionam de maneira leve), os funcionários da empresa simplesmente me vangloriam pela forma como eu levo as coisas e resolvo as situações. Um dia desses um antigo auxiliar de serviços gerais (o qual sempre incentivei [verbalmente e financeiramente] a terminar o curso que estava fazendo) que conseguiu vaga de assistente administrativo em outra empresa veio pessoalmente me agradecer (até uma lembrança me deu, que guardo com bastante carinho) por conta dos ensinamentos que passei pra ele, que, segundo o mesmo, "foram de grande importância para o crescimento na carreira dele".
Dou palestra pra centenas de pessoas por mês, pra falar sobre a área que domino e está em ascensão em todo o mundo. As palestras tem sido um sucesso, e a plateia aumenta a cada ciclo. Sempre tive muita facilidade pra falar (e prender a atenção das pessoas) em público.
Minhas aulas noturnas também correm de maneira bastante positiva. Sempre tive prazer em ensinar e ver o aprendizado de cada estudante (principalmente os que mais tem dificuldades) me dá uma sensação de dever cumprido muito grande.
Além disso tudo sou multi-instrumentista. A música é parte de mim e sempre quis compartilhar com o máximo de pessoas possível. Dessa forma, sou um dos fundadores (e professor) de um projeto comunitário com objetivo de transformar a vida das pessoas de uma maneira efetiva.
Dito isso, volto pra o ponto do desabafo do tópico.
Completei 30 anos, sou BV e, obviamente, virgem e isso vem me destruindo a cada dia que passa. Todas as pessoas próximas a mim já tem família, ou pelo menos namoradas sérias/noivas e eu mal encostei na mão de uma mulher.
Analisando friamente (uma das minhas maiores virtudes são as autocríticas) sou um homem nota 7 de rosto (sei que nos achamos mais bonito do que o que somos, mas já descontei uns pontos, risos) e 3 de corpo. (recentemente estava melhor de corpo mas ansiedade que venho sentindo nos últimos meses vem me corroendo, e tenho total consciência que não posso por a desculpa dos meus insucessos integralmente no meu corpo)
Ninguém sabe que sou BV e meus dois amigos mais próximos sabem que sou virgem.
Mensalmente recebo a sugestão de procurar uma prostituta, mas meu EU me diz que isso seria a maior prova que sou incapaz de conseguir um primeiro beijo com uma moça que gostasse de mim de verdade (e nem sei se é recomendado beijar prostitutas, risos).
Meus amigos já tentaram me "armar" com conhecidas em festas, mas nas duas vezes que isso aconteceu notei que as moças não queriam e nem tentei forçar a barra. Acabei saindo das situações muito pior do que antes, sentindo a rejeição na pele mais uma vez. Sabe aquela facilidade pra falar em público? Isso desaparece integralmente em contatos sociais diretos com muitas pessoas do sexo feminino (principalmente em festas, que nunca gostei e hoje em dia mal vou, a não ser as do trabalho ou quando faço parte da banda). Na verdade ir em festas no geral me cansa MUITO, vou uma vez por ano, depois de muita insistência dos amigos, porque sei que vou ficar lá 5-6h com cara de paisagem, sem despertar o interesse de nenhuma mulher random por conta de não conseguir ter a mínima postura e não ter um corpo tão legal pra gerar interesse numa numa festa.
Tenho total convicção que, se eu fosse uma mulher, jamais pegaria um cara inibido como eu num ambiente de festa, eu simplesmente me reduzo a um pedacinho de nada, sei que isso é muito por conta da baixa autoestima devido ao meu corpo e às rejeições femininas que sofri na adolescência.
Minha rotina hoje em dia se resume basicamente a:
Trabalhar de segunda à sexta o dia todo (e noite), tento ler algo pra relaxar;
Sexta à noite (pelo menos a cada 15 dias) saio com meus amigos (e suas esposas) pra um barzinho;
Sábado trabalho mais um pouco, assisto futebol e vou dar aula de música para o pessoal no projeto;
Domingo passo o dia feliz com minha família, à noite vou à missa pra relaxar um pouco o espírito e me preparar para a semana.
Sinto um pouco de tristeza principalmente ao escrever que passo o "domingo feliz" com minha família, com um toque de desdém. Porque realmente tinha tudo pra ser algo perfeito, mas meu EU interno já passa cada minuto, em cada uma dessas atividades, pensando no quanto de vida eu perdi por chegar aos 30 anos sem ter me relacionado com uma mulher e saber que esse tempo não volta atrás nunca.
Saber que jamais vou ter uma namoradinha aos 15 anos, conhecer aos poucos e sem maiores pressões como um relacionamento funciona. Ir de mãos dadas ao shopping, assistir um filme, trocar palavras, olhares... Cada vez que penso nisso parece que uma parte de mim fica pra trás, não consigo exprimir com palavras o vazio que isso me faz sentir.
O estopim para que eu resolvesse desabafar e (com fé em Deus) procurar ajuda profissional foi o seguinte:
A empresa é composta majoritariamente por homens e mulheres de mais idade, mas possui algumas estagiárias e o pessoal sempre me fala na resenha (não sei até que ponto é resenha [na verdade eu sei que não é resenha]) que elas fazem de tudo pra se envolverem comigo (lembra aquela história de que sou bom pra traçar perfis de pessoas e montar equipes? Pois é, quando o assunto é relacionamento com mulheres eu não sei interpretar os sinais mais básicos). Obviamente eu jamais me envolveria com uma estagiária (até mesmo uma ex-estagiária), por razões profissionais, mas já recebi muitos "convites" via Whatsapp, que acabo levando na brincadeira pra não queimar minha reputação.
Enfim, recentemente chegou o ponto que resolvi que meu psicológico era mais importante do que meu medo de "me queimar" e comecei a conversar com uma estagiária (10 anos mais nova e de família humilde[claro que não ligo pra isso, só estou dizendo aqui pra que você me ajudem a interpretar a situação depois]) que já estava terminando o contrato e ia ser efetivada em outra cidade. A iniciativa foi minha (e isso me fez ter ainda mais vontade de que desse certo), mas, mesmo sendo um poste, eu sempre notei a forma que ela me olhava, sorria e nas conversas que tivemos nossas ideias se batiam muito, além de ela me atrair fisicamente e ser bastante inteligente.
Começamos a conversar diariamente via Whatsapp (evitávamos contato pessoal por conta do ambiente da empresa). Pouco antes do contrato dela acabar surgiu o momento e falamos mutuamente do que sentíamos, dos problemas que isso podia trazer pra vida profissional, mas acabamos concordando que valeria a pena tentar algo. Um tempo depois resolvi chamá-la pra sair e ela aceitou, mas veio com uma conversa que não era pra eu criar expectativas e que ela "não era fácil" (com outras palavras mas em resumo era isso). Confesso que achei meio estranho, há pouco tempo havíamos nos aberto um para o outro, mas não entendo nada de mulheres mesmo, então vamos seguir a história.
Tive o primeiro encontro da minha vida (sim, aos 30 anos, repito) levei ela pra jantar em um local que não fosse o mais caro da cidade (pensei que ela se sentiria mais confortável caso pudesse pagar o que havia consumido, se desejasse).
Saí de casa bastante nervoso, mas seguindo à risca tudo que os tutoriais on-line tinham me ensinado. Asseado, perfumado, bem vestido (como se eu já não vivesse assim...) e tentando o máximo possível ser simplesmente eu.
Chegamos ao local (um pouco preocupados que algum conhecido nos visse), mas a coisa fluiu tão naturalmente que, aos poucos o nervosismo foi passando. Aproveitamos o momento "livres" e conversamos sobre muita coisa ao longo de quase 3 horas (sem nenhuma forçação de barra, a coisa realmente acontecia de maneira espontânea), falamos um pouco sobre nossas vidas, nossos anseios, falamos mal das pessoas das mesas vizinhas... isso tudo com intensas trocas de olhares. Chegou um ponto que tomei coragem, segurei na mão dela e, pasmem, ela deixou. Fiquei ali de mãos dadas com ela (foi uma das melhores sensações que já tive na vida), trocando carícias e conversando por mais alguns minutos, quando decidi que era hora de sair e tentar algo.
Como já disse, antes do encontro eu estava muito nervoso, mas depois de todo aquele tempo com ela eu percebi que as coisas realmente iam acontecer de forma bastante natural.
Saí do restaurante abraçado com ela, fomos em direção ao carro (estava num local isolado), fiquei de frente com ela, falei 2 palavras e fui em direção ao meu primeiro beijo.
Ela simplesmente se virou e disse "na-não" (foi mais em forma de ruído de negação, mas achei melhor escrever assim), nesse momento não entendi mais nada (teria interpretado algum sinal de forma errada? Deveria insistir?).
Dei um abraço nela falei algumas palavras, tentei novamente e recebi mais uma rejeição.
Não soube o motivo (até agora não sei), mas preferi não insistir, demos um abraço demorado e levei ela pra casa, conversando sobre outras coisas.
Faz pouco tempo que isso aconteceu e ainda trocamos algumas palavras via Whatsapp. O que me deixa tranquilo é que eu pelo menos tirei a bunda da cadeira e tentei. Mas a frustração de mais uma rejeição é algo incomensurável pra mim. Não sei quando terei contato com outra mulher a esse ponto (estatisticamente eu tenho contato, com chances de dar algo, com uma mulher a cada 2 anos, e, é claro, nunca deu certo)
Com relação a esse encontro (eu queria até a opinião dos colegas redditores) eu trabalho com 3 hipóteses:
1 - Ela quer algo, mas não quis se mostrar fácil/interesseira (como as outras estagiárias que mandam mensagens diretas pra mim por Whatsapp) e está esperando outro convite meu para que possamos sair novamente e finalmente ocorra algo;
2 - Ela não quer mais nada por conta de uma das milhares de coisas que podem estar se passando na mente dela;
3 - Isso foi a prova de que meu corpo possui alguma substância não identificada, incolor, inodora e insípida, que cria uma barreira contra mulheres.
Não sei se vale a pena insistir, estou tão frustrado que não consigo ter forças pra um contato mais direto (apesar de sentir muita falta das conversas com ela);
Pra finalizar, meu desespero hoje é tão grande que penso até em fazer uma rede social (coisa que nunca tive) só pra me "amostrar" (algo que é totalmente contra meu perfil). Mostrar meus carros, minha casa na praia, minhas viagens semanais, meus momentos com os amigos, sei lá, qualquer coisa que pudesse gerar alguma curiosidade sobre mim para as mulheres.Mas aí me olho no espelho e percebo que quando chegar a esse ponto eu realmente não estarei mais sendo eu e algo de muito errado (além do que já está se passando) estará acontecendo.
TL;DR: Homem, 30 anos, família perfeita, muitos amigos (alguns verdadeiros irmãos), trabalho dos sonhos, ótima situação financeira, porém BV e virgem.
Fazendo um resumo desde a adolescência:
Comecei a aprender sobre música achando que com isso um relacionamento viria naturalmente (ao menos a música virou uma paixão real em minha vida);
Comecei a fazer academia achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a cursar um dos cursos mais concorridos do Brasil achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a trabalhar e hoje ganho mais do que 99% da população brasileira achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
E não veio. Hoje não sei mais o que buscar ou a quem recorrer... A ansiedade (ou seria depressão?) está chegando a tal ponto que me vejo totalmente refém de alguns pensamentos que me atrasam bastante. Eu não consigo, por exemplo, passar mais de 15 dias (ou ir pra um lugar distante) longe da minha família/amigos próximos. Começa a bater um desespero (tipo os que eu sentia na depressão quando tinha 20 anos) e começo a pensar que eu poderia estar ali com uma companheira, aproveitando cada segundo. Já desisti de diversas viagens para fora do Brasil por conta disso. Coisa que fazia naturalmente na adolescência.
Sinto que a cada dia a bolha vai aumentando, a ponto de começar a atrapalhar nos meus trabalhos e vida pessoal, viagens a trabalho para fora do estado estão se tornando um sofrimento (as consequências de todos meus medos recaem sobre meu sistema digestivo), acordo à noite desesperado com medo do dia de amanhã, comecei a procrastinar algumas coisas e perder o tesão em diversas situações de prazer do dia a dia (não consigo mais jogar videogame por achar que isso me torna ainda mais virgem e inútil. A própria masturbação se tornou um momento de tristeza. Tocar piano, violino, violão, etc sozinho muitas vezes só me traz dor).
Cada elogio que recebo na empresa, palestras, aulas, crianças no projeto de música, família, amigos, parece aumentar o vazio que sinto.
Gostaria de simplesmente arrumar uma companheira e viver a vida a dois, viajar, compartilhar momentos, beijar, quem sabe, caso a coisa desse certo, ter filhos, criar uma família...

De qualquer forma, me sinto um pouco mais leve por ter passado 2 horas escrevendo e tendo exprimido todos esses sentimentos pela primeira vez (pra o lado de fora de minha cabeça).
Estou pensando em procurar um psicólogo (creio que já devia ter feito isso desde a minha primeira depressão lá nos 20 anos). Como garantir que eu, sendo uma figura conhecida na cidade não terei todas as minhas histórias íntimas divulgadas (sei que psicólogo é uma profissão muito séria, peço até desculpas de antemão caso essa pergunta ofenda alguém, mas uma pessoa má intencionada poderia destruir toda minha reputação externalizando minha intimidade). Na verdade a pergunta é "como escolher um psicólogo?". Caso não dê certo é normal trocar de psicólogo?
Obrigado a todos pela atenção.
submitted by Mustafasustenido to desabafos [link] [comments]


2019.10.13 21:14 Alfre-douh Álbum

“Vais mesmo comprar isso? Não existe no Spotify ou assim? Desculpa, não estou mesmo a perceber o fascínio…” ouvia eu longe. As palavras soavam distorcidas de tão ébrio que eu estava. A distância que este avassalamento me causou a tudo o resto era das coisas mais difíceis de explicar, mas tentando disse-lhe: “Não consegues imaginar a história que eu tenho com este álbum. Ouvi mais vezes este álbum do que ouvi os meus pais a falar comigo…” sem desviar o olhar do artefacto. Ela provavelmente encolheu os ombros e viu que não havia ali hipótese de conversa dado o meu modo hiperbólico. É o tipo de pessoa que vê as coisas pelo prisma da popularidade. A coerência de gosto dela baseia-se numa noção de que se for bom, tem projeção mediática, passa na rádio, enche pavilhões, tem seguidores nas redes sociais. Tudo aquilo que não seguir essa lógica é para ela uma conduta-franja, de dinâmica semelhante às pessoas que têm comportamentos desviantes e cujas vidas deve ser estudada por antropólogos ou espectadores do TLC. Se eu fosse um cruzado isto seria o Santo Graal, se eu fosse o Império Romano isto seria o Latim, se eu fosse o Miguel Ângelo isto seriam as minhas ferramentas de trabalho, o cravo onde o Mozart conheceu as primeiras notas, a maçã do Newton. Só por si, isoladamente, não valem grande coisa, mas aquilo que lhes está inerente é o que as torna incríveis. Este álbum foi a coisa mais fantástica que me aconteceu.
“Então, mas se gostas tanto dele…Como é que já não tens uma cópia?” diz-me ela, acrescentando “…acho que nunca vi ninguém com tanto fascínio por causa de um CD”. A história era longa, mas eu tinha de contar, dar-lhe algum tipo de explicação, já que no momento em que “o” vi, ela e tudo o resto que houvesse para fazer naquele domingo tinham passado para um nível de prioridade muito abaixo.
“Eu tinha 12 anos quando o meu irmão me trouxe uma cópia em CD deste álbum. Naquele tempo o meu irmão tinha um amigo que importava CD’s de punk e afins, e lhe orientava umas cópias. Tudo isto foi antes de existir o Napster, portanto toma noção do que estamos aqui a falar. Vejo, de forma nítida e clara, o momento em que ele me disse para o pôr a tocar. Eu estava a jogar Midtown Madness no meu Pentium III, e ele atira-me o CD para o teclado. Lembro-me de olhar para o CD e ler: Cacth 22 – Keasbey Nights. Aquele erro ortográfico (primeiro que eu soubesse) fez-me andar às voltas durante anos. Eu nunca tinha ouvido algo tão rápido e ao mesmo tempo pleno de melodia. Foi amor. É amor. Porque no fundo amar é isso: a positiva singularidade emocional e sentimental provocada por algo ou alguém, que te atira para uma realidade imersiva de prazer.”
A este ponto do meu extenso monólogo, percebo-lhe no olhar um misto de inveja com desconfiança. Como se todo o meu corpo naquele momento falasse de um prazer absurdo, desmedido. E, efetivamente, falava disso mesmo.
Ri-me de forma nervosa dizendo-lhe: “Desculpa, eu estou a ser um tremendo chato…”. Ela, por cordialidade romântica, devolveu-me um “Não estás! Apenas não percebo o fascínio…é normal”. “Que querida…” pensei. Quem haveria de dizer que era naquela loja de música: decrépita, numa ruela do Saldanha, desatualizada, com preços escritos a marcador em cartolina fluorescente, que eu iria descobrir uma cópia original do Keasbey Nights. Ainda para mais tudo aquilo era digno de piada. Eu apenas quis entrar na loja porque, no gozo, andei o encontro inteiro a cantar Killing me softly. Ela tinha-me contado sobre a sua primeira paixão, uma história bonita (embora banal) com descrições sobre recreios dos anos 90, e eu, num humor de fuga-ao-tédio lá comecei a cantar isso. Fortuitamente, acabamos ali porque às tantas disse-lhe que lhe ia comprar o CD. Pura piada.
Comprei o CD e, quando saí da loja, dei-lhe a mão. Não porque estivesse a ser um encontro fenomenal, mas em puro impulso. A excitação que tinha em mim, era incomportável.
Tinha andado anos a perguntar pela banda: “Cacth 22, conheces?” “Não será Catch 22, há um livro com esse nome…?” respondiam. “Não! É Cacth 22…”.
Com a internet, cheguei lá: Catch 22, banda norte-americana de ska-punk formada em Nova Jersey, separada em parcialmente em 1998. Aquilo que fizeram depois disso era um som muito diferente e a atirar para o pop. Procurei em vão, pensei em importar, mas isso importava umas três semanadas, logo: não. Ouvi o CD que meu irmão me deu à exaustão, fiz cópias, mas finalmente tinha-o ali nas minhas mãos, com o livrinho das letras e tal. Perdoe-me o Tony Carreira, mas isto sim é o sonho de menino realizado.
A rapariga…coitada. Levou um frete de saudosismo à adolescência que nunca mais disse nada. “Dano colateral… no amor há sempre disso” conclui lembrando-me da faixa número 5 do álbum.
submitted by Alfre-douh to escrita [link] [comments]


2019.10.08 05:02 altovaliriano Explique "Grande Conspiração Nortenha" (out/2019) - Sem sinal de ASOIAF (ago/1990)

Hoje eu quero iniciar o formato que acredito ser o ideal para analisar os arquivos do So Spake Martin (SSM) de Westeros.org.
Eu tentarei analisar os SSMs mais antigos em ordem cronológica e os mais recentes de forma retroativa, até que ambas as pontas um dia se encontrem no meio. Daí em diante, eu passaria a apenas a analisar os mais recentes.
---------------------------------
Mais recente: Entrevista à WGN Radio (04/10/2019)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/16162
Martin foi entrevistado por telefone por uma rádio de Chicago antes da sua visita na cidade (que deve estar ocorrendo enquanto falamos).
Os apresentadores começam falando sobre a carreira de Martin na ficção científica, comentam a dificuldades de interação com leitores hoje em dia e, por fim, perguntam como é ter Westeros noite e dia consigo durante a escrita.
Martin fala diz que quando a escrita está correndo bem, ele fica pensando em Westeros o dia todo, mas o momento em que as idéias mais lhe ocorrem é quando esta indo dormir. Que fica pensando na cena que vai escrever na manhã seguinte ou na semana seguinte e que os personagens tomam vida e ele chega a ouvir partes de diálogos.
Depois as perguntas se concentraram em Game Of Thrones. Martin disse que o alívio porque o show acabou é apenas parcial, em razão de agora não se martiriza tanto pensando que está atrasado em relação à HBO.
Quando um dos apresentadores critica os roteiros dos episódios da 5ª temporada em diante (especialmente em relação à última temporada), Martin responde bruscamente. Diz que ele vai terminar o próximo livro e que aí poderão ler a versão dele da história. Martin também não avança muito quando é perguntado sobre Bloodmoon (série sucessora de GoT sobre a Era dos Heróis, sob a responsabilidade de Jane Goldman), apenas frisa que a série é de autoria de Jane Goldman.
No final da entrevista, o apresentador fala que seus filhos falaram tanto sobre a "Grande Conspiração Nortenha" (uma teoria de fã que devo cobrir no futuro) que ele sabia que só teria paz quando pedisse para GRRM explica-la. Martin ri e diz que não comenta teorias de fãs, pois diz que há muitas por aí, e umas são verdade, outras não.
O programa é encerrado com os apresentadores falando mal da escrita de Dan & David e tirando sarro de Martin por ter sido brusco na resposta sobre o final de Game of Thrones.
------------------------------------------
Mais Antigo: Entrevista ao site Eidelon (01/04/1990)
Link: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/1431
Nesta entrevista, vemos Martin responde perguntas sobre sua carreira na Ficção Científica e Horror, seu envolvimento com Hollywood (e o quão hesitante ele estava em voltar a trabalha lá depois de The Beauty and the Beast) e ele fala dos planos para o futuro.
O que é interessante sobre esta entrevista é que ela aconteceu antes que Martin começasse a escrever ASOIAF (em 1991) e vemos Martin avaliando um futuro que não incluía as Crônicas de Gelo e Fogo.
Confira abaixo a entrevista traduzida na íntegra:

E: Por que você começou a escrever?
GM: Bem, eu não acho que tenha decidido conscientemente me sentar um dia e dizer "Nossa, eu vou começar a escrever". De certo modo, eu sempre escrevi. Mesmo antes de poder escrever, eu sempre pensei em histórias e inventei histórias. Mesmo quando eu era criança e brincava, inventava personagens, brincava com tramas, brincava com histórias, contava histórias para as outras crianças. Portanto, não tenho certeza de que algo a que se chega depois de certa deliberação, é apenas algo que, pelo menos comigo, parecia automático; algo que eu nasci com.
Comecei a enviar minhas histórias e a publicá-las primeiro a nível de fã: nos tempos de escola durante a adolescência, eu era ativo no fandom de quadrinhos, que naquela época estava apenas começando nos Estados Unidos. Eu era um fã ativo de quadrinhos. Então publiquei em vários fanzines de quadrinhos e, finalmente, quando estava na faculdade, fiz minha primeira venda profissional.
E: Você é mais conhecido por escrever contos de ficção, e eu sei que escrever contos de ficção não compensa tanto quanto escrever romances. Por que você ainda escreve contos de ficção?
GM: Bem, às vezes eu só tenho uma história para contar que não tem o suficiente para ser um romance, e eu prefiro fazer um bom conto ou uma boa novela do que escrever um romance ruim e grande.
Na verdade, à medida que minha carreira progredia, minhas histórias tendiam a ficar cada vez mais longas. Quero dizer, acho que se você realmente olhar para a minha bibliografia, bem no início da minha carreira, escrevi principalmente pequenos contos. Faz vários anos desde que pude produzir um conto real e genuíno. Ou seja, algo curto [risos]. Embora eu escreva coisas com comprimento menor do que uma novela: venho fazendo muitas novelas e noveletas nos últimos anos.
E: Ainda é difícil vender novelas? Há uma maravilhosa história de horror em um dos livros de Stephen King sobre o quão difícil é vender novelas. Você acha isso?
GM: Não é difícil para mim vender novelas de ficção científica. Stephen King tem um nome gigantesco, é claro, mas mesmo ele está em uma posição um pouco estranha, pois é um escritor de terror; não há mercado para contos de terror, pelo menos não nos Estados Unidos. Existem algumas revistas semi-profissionais; ocasionalmente, a Revista de Fantasia e Ficção Científica publicará alguns, mas para as novelas de ficção científica ainda há um mercado bastante ativo, e foi uma novela, "Uma Canção para Lya", que virou uma das minhas principais histórias inovadoras no início de minha carreira. Ganhei meu primeiro prêmio Hugo, aqui na Austrália, na verdade; na Aussiecon One.
E: Você escreve muito horror hoje em dia. Por que? Pois só lhe vem histórias de horror ou porque acabou a graça da ficção científica?
GM: Bem, eu não diria isso. Eu gosto de fazer coisas diferentes. Há muitos tipos diferentes de histórias que quero contar. . . ficção científica, fantasia, horror, até mesmo algumas convencionais. Adorei histórias de horror quando jovem. Eu li muitas delas. Mas, por um tempo, a graça delas meio que acabou. Depois de ler tudo o que HP Lovecraft havia feito, na colégio, e ter experimentado alguns outros, realmente não consegui encontrar nenhum escritor de terror de que gostei. Eles não pareciam mais capazes de me assustar. Então eu meio que me afastei disso e, quando comecei a vender profissionalmente nos anos 70, eu estava lendo e escrevendo exclusivamente ficção científica. Mas acho que Stephen King produziu um genuíno renascimento do horror. Eu li e gostei de King. Muitas pessoas vieram no rastro dele, que eram imitadores e não eram tão bons, mas acho que ele provou que a ficção de terror ainda era viável. Eu tenho minha própria abordagem na ficção de horror, é claro. Eu não acho que isso se encaixa perfeitamente na categoria Stephen King. Há um parâmetro, o que eu chamaria de sensibilidade de "ficção científica", até mesmo para a minha ficção de terror.
E: Isso é extremamente lógico, extremamente bem explicado. . .
GM: Sim, há uma parte de mim que é muito Campbelliana em vez de Lovecraftiana, que acredita que realmente está dentro da capacidade da mente humana de compreender tudo, e meus protagonistas não são levados à loucura, como muitos de Lovecraft foram, por horrores grandes e incompreensíveis demais para eles imaginarem.
E: O que você acha do horror "moderno", da tradição do splatterpunk e do fato de os filmes estarem ficando cada vez mais violentos e cada vez mais bobos?
GM: Essa é uma pergunta muito ampla. Fiz parte de alguns painéis que falar sobre isso por algumas horas.
Certos aspectos disso me preocupam, na verdade. Permita-me aqui esclarecer que não sou a favor de nenhum tipo de censura; Eu sou bastante anti-censura. Eu sou o mais extremo que se pode ser sobre toda a questão da liberdade de expressão. Mas, no entanto, como leitor, lendo algumas dessas coisas, me perguntam o que eles querem dizem sobre a sociedade e a cultura norte-americanas, e me pergunto o que essa tendência significa, pois o horror se torna cada vez mais explícito e o foco muda, como tantas vezes acontece, para fazer do monstro o herói ao invés de vilão de grande parte de filmes de terror...
E: Eu lembro da frase em "The Skin Trade", em que um personagem atribui um assassinato a "alguém que já viu muitos filmes de Halloween e sexta-feira 13 ".
GM: Sim. Eu assisti a alguns desses filmes em que não apenas o que está na tela é perturbador, mas o comportamento de certos membros da platéia é muito assustador.
E: O que você está escrevendo agora? O que podemos esperar ver em um futuro próximo?
GM: Bem, no momento não estou no meio de nada importante. Continuo trabalhando na minha série Wild Cards , que é uma coisa contínua. No momento, estou trabalhando principalmente como editor, apesar de ter escrito metade do livro sete (que será lançado em agosto nos Estados Unidos). Esse é um mosaico de duas pessoas, eu e John Miller, por isso é essencialmente um romance colaborativo, do qual metade é meu.
Entreguei o livro oito e estou trabalhando na edição do livro nove, mas ainda não tenho histórias. Estou simplesmente trabalhando nisso como editor, e a série não para por aí. Até janeiro, é claro, eu estava trabalhando em no programa de TV A Bela e a Fera, mas que agora terminou, então eu assinei para fazer um filme de ficção científica de baixo orçamento (para fazer roteiro dele), mas não posso falar muito sobre isso. E estou testando algumas novas idéias de romance e tenho certeza que quando junho chegar (junho é tradicionalmente o mês em que a nova temporada de televisão começa em Hollywood) posso acabar recebendo ofertas para escrever ou produzir um novo programa de televisão. Eu teria que avalia-las, mas se eu voltaria para lá, eu não sei dizer. Depende do que tipo de show é, qual é a oferta, é algo que me interessa? Então, basicamente, tenho alguns meses de folga agora.
E: Um dos meus livros favoritos é oTuf Voyaging. A Locus [Magazine] anunciou há muito tempo que haveria um segundo livro,Twice as Tuf”. Eles estavam mentindo?
GM: Bem, eles não estavam mentindo. Pode ser que esse livro ainda venha, mas não será lançado tão cedo. Basicamente, eu assinei para fazer o Twice as Tuf e logo depois de assiná-lo, acabei trabalhando em Hollywood, primeiro em Além da Imaginação e depois em A Bela e a Fera , e isso ocupou muito do meu tempo. E o prazo chegou e foi embora e nós o estendemos várias vezes para Twice as Tuf e nada... Eu nunca tive tempo para produzir nada relativo a isso. Então, finalmente, cheguei a um entendimento com a editora, pelo qual lhes dei essencialmente dois dos meus direitos para brochura de dois outros livros, A Morte da Luz, meu primeiro romance, que eles acabaram de relançar, e direitos para brochura de uma de minhas coleções que nunca esteve foi impresso em brochura [Retrato de Seus Filhos - Ed. ], então eles farão uma edição desta também, e eles substituirão Twice as Tuf. Agora, eu ainda gostaria de escrever mais sobre esse personagem e ainda acho que vou retomar e fazer esse livro algum dia, mas exatamente quando esse dia chegará, eu não sei.
As demandas da TV quando estou trabalhando em um programa me mantêm bastante ocupado, e fazendo isso e os Wild Cards, eu não consigo dar conta de muita coisa. E agora que tenho um pouco de tempo para pensar em assumir outro projeto, não acho que a coisa "Tuf" seja a primeira coisa em que realmente me apetece entrar agora. Eu gostaria de fazer outro romance quando tiver tempo; um que não seja parte deu uma saga.
E: Você mencionou a Bela e a Fera e Além da Imaginação**.** Como é escrever uma série? Além da Imaginação deve ser bem diferente, pois é uma série antológica... Como foi sua experiência com isso, como você se envolveu e como foi?
GM: Bem, eu me envolvi nisso quase por acaso. Phillip de Guerre, que foi o produtor executivo de Além da Imaginação, também é um grande fã de rock 'n' roll, e há alguns anos atrás eu fiz um livro chamado The Armageddon Rag e Phil o selecionou para um filme. Naquela época, ele me levou para Hollywood, tive várias reuniões com ele para discutir o roteiro que ele planejava escrever para o filme de The Armageddon Rag e ele escreveu vários roteiros, mas nunca conseguimos fazer o filme ou conseguir financianciamento.
Mas eu conheci Phil no processo e, quando ele pôs Além da Imaginação em produção, resolvei arriscar e me deu um trabalho de roteiro, e gostou do resultado o suficiente para que, quando estavam com muito serviço, me trouxessem a bordo como Staff Writer (que é o único cargo de produção de Hollywood que contém a palavra "escritor" e, portanto, você sabe que é a posição mais baixa da cadeia, como de fato era). Então, comecei como redator em Além da Imaginação e subi até o Story Editore, em seguida, Executive Story Consultant. E, em A Bela e a Fera, eu fui Produtor e depois Coordenador de Produção.
Então, Alpem da Imaginação era bem diferente de A Bela e a Fera, de certa forma, porque um era um show antológico e o outro é uma série episódica semanal regular, e ainda assim os dois projetos tinham talvez mais em comum um com o outro do que qualquer outra coisa que eu já tenha feito, porque eles eram, afinal, a televisão, que é um mundo completo em si mesmo, e é diferente de qualquer experiência que um escritor possa ter, de verdade.
De certa forma, sinto que a televisão era boa para mim. Certamente foi bom para mim financeiramente [risos] e foi muito estimulante. Digo, eu havia sido um escritor independente por muito tempo antes de assumir esse emprego; trabalhando em casa, acordando todos os dias, levando duas horas para tomar minha xícara de café, entrar no escritório, ligar o processador de texto, talvez fazer alguma coisa, talvez não (Eu nunca fui um escritor muito disciplinado, e é por isso que minha bibliografia é comparativamente curta em comparação com alguns de meus contemporâneos).
Não é assim que Hollywood funciona. Você entra no escritório todos os dias, fica lá não por oito horas por dia, mas algo mais perto de dez, onze ou doze horas. Você está escrevendo, participando de reuniões, participando de sessões de apresentação, indo ao set, reunindo-se com o diretor ou o responsável. Então isto me impôs certa disciplina em mim; que era boa para mim e também extremamente estimulante. Digo, era um mundo totalmente novo para aprender, sobre o qual eu não conhecia nada antes, e isso me envolveu em algo que eu não tive por muitos anos; todo esse negócio de "ambiente de escritório", onde você realmente precisa entrar e interagir com outras pessoas.
Hollywood é um mundo estranho, mas, de certa forma, é o Mundo Real, e é bom para um escritor entrar em contato com o Mundo Real de vez em quando. Eu acho que um escritor que passa toda a sua carreira escrevendo romances a partir dos estudos que faz em sua casa (e talvez encontrando algumas pessoas em convenções ou ocasionalmente indo a um coquetel literário) perde de vista o mundo real, de como as coisas realmente são lá fora. E você começa a fazer muitas coisas auto-referenciadas, o que eu acho que é uma armadilha para qualquer escritor.
E: Você colaborou bastante durante sua carreira, fora o trabalho de televisão. Você gosta disso e como você faz?
GM: Cada caso é diferente. É como um casamento. Eu colaborei com Lisa Tuttle, Howard Waldrop, George Gutthridge. Com quem mais eu colaborei? Estou esquecendo alguém? [Risos.]
E: Bem, a televisão é colaborativa até certo ponto. Wild Cards é colaborativo, se preferir.
GM: Bem, com Wild Cards , estou funcionando mais como editor do que como colaborador, então isso é um pouco diferente. Cada uma das minhas colaborações era essencialmente diferente.
Aquele com Howard foi a primeira colaboração. Isso era basicamente: Howard e eu estávamos nos correspondendo há muitos anos, finalmente nos conhecemos em uma convenção em Kansas City, 1972, e devia ter algo errado naquela água ou algo do tipo porque decidimos "Ei, vamos fazer uma história juntos!" Então, enquanto todo mundo estava no Playboy Club no hotel de convenções servindo bebidas por coelhinhas voluptuosas, Howard e eu estávamos em nosso quarto de hotel com a pequena máquina de escrever portátil de Howard, martelando folhas de papel amarelo e, sabe, ele escrevia e ficava sentado atrás dele na cama e então ele parava e eu escrevia, e não produzimos muito coisa. Terminamos uma pequena parte, mas ele levou para casa, escreveu mais um pouco, enviou para mim e assim por diante.
Lisa e eu, éramos pólos opostos para começar. Ela estava no Texas e eu em Chicago quando começamos e depois em Dubuque, Iowa, e colaboramos principalmente através de e-mails, cada um de nós escrevendo uma seção, enviando-as para o outro, que reescreveria a seção anterior que o outro havia escrito e então avançaria um pouco mais além. Assim foi indo e voltando até que chegou um ponto em que eu não sabia mais o que Lisa havia escrito naquele livro e o que eu havia escrito. Ocasionalmente, uma frase se sobressaia como uma “frase de Lisa" ou uma frase minha, mas, fora isso, eu não saberia diferenciar.
A coisa com George Gutthridge, era uma história muito velha. Na verdade, foi uma das primeiras histórias de ficção científica que eu escrevi, que foi recusada várias vezes e que eu nunca fui capaz de vender. Anos depois, George pegou-a e reescreveu. Portanto, minha escrita foi feita no final dos anos 60, e ele a dele foi feita uma década depois.
E: Nightflyers foi transformado em filme há alguns anos atrás. O que você achou do filme? Foi bem diferente da sua história.
GM: Bem, acho que eles foram cerca de 75% fiéis, mas, infelizmente, os 25% que eles mudaram tiveram uma espécie de efeito cascata e fizeram com que os 75% que não foram alterados não fizessem tanto sentido quanto poderia ter. Eles fizeram algumas mudanças que eu aprovo e gostei e outras que não entendi e não gostei.
Eu acho que o filme teve algumas coisas boas - direção de arte adorável, efeitos especiais maravilhosos, considerando o orçamento que era minúsculo (sim, eles não têm os efeitos especiais de Guerra nas Estrelas, mas para um filme de três milhões de dólares - o que ele era - fizeram um trabalho muito impressionante) e tiveram algumas boas interpretações secundárias - mas no geral não acho que funcionou. Infelizmente.
E: Você tem outros projetos de filmes que possam ir adiante, em um futuro próximo?
GM: Eu tenho interesse constante em "Sandkings". Ele está sempre sendo selecionado. E tem havido algum interesse no Fevre Dream. E Phil ainda está ocasionalmente fuçando e conversando sobre O Armageddon Rag. Mas se alguma dessas coisas realmente vai acontecer, eu não seria capaz de afirmar.
E: Quem o inspirou como escritor? Quem são seus escritores favoritos?
GM: Há muitos escritores que eu gosto. Acho que aqueles que realmente tiveram mais efeito sobre mim foram provavelmente os escritores que li quando jovem. Costumo pensar que essas influências, que você absorve a nível subconsciente antes mesmo de sonhar em escrever, são as influências duradouras. Quero dizer, eu cresci lendo Andre Norton, lendo Heinlein Juveniles, lendo Eric Frank Russell (que eu acho um autor maravilhoso, mas que é por demais esquecido, infelizmente). Lovecraft: quando descobri Lovecraft, fiquei encantado por ele, por razões que tenho certeza de que eu entenderia se ainda tivesse quinze anos [risos].
Hoje em dia, meus escritores favoritos são uma lista diferente. Sou um grande admirador de Jack Vance. Eu não sei se Vance teve. . . Vance exerceu grande influência em Haviland Tuf, que começou na primeira história, "Uma Fera para Norn", como uma tentativa muito consciente de escrever uma história ao estilo "Jack Vance", e se você olhar em "Uma Fera para Norn", sou eu muito arduamente imitar Vance. E há ainda outras partes de Tuf que são muito Vancianas. Mas, fora isso, não acho que Vance tenha tido um efeito profundo na minha escrita. Eu leio muito fora deste ramo hoje em dia. Pessoas como Larry McMurtry, William Goldman, Pat Conroy. Essa é uma lista longa. Eu poderia dar nomes aqui o dia todo.
E: Como começou a série Wild Cards**?** Eu ouvi uma mito sobre isso.
GM: Bem, na verdade começou como um jogo de RPG. Há um grupo de escritores em Albuquerque que ocasionalmente jogam juntos, e eles me arrastaram para algumas de suas atividades. Então, eu joguei vários jogos com eles e eles sabiam que eu era um velho fã de quadrinhos desde a infância. Então, em um ano, no meu aniversário, Vic Milan me deu um jogo de RPG de super-herói chamado Superworld, da qual me tornei o Mestre. E pelo menos metade das pessoas em nosso grupo de jogadores eram escritores profissionais com histórias publicadas. Então eles criaram personagens realmente maravilhosos, e como Mestre eu criei mais personagens do que qualquer outra pessoa. E jogamos esse jogo incessantemente por um ano e meio e colocamos muita criatividade e desenvolvimento nos personagens. Neste ponto, eu finalmente disse, sabe, deve haver alguma maneira de ganharmos dinheiro com isso [risos].
Não, me ocorreu que seria uma excelente série de antologias em um mundo compartilhado, seguindo o modelo de Thieves World . Então, reunimos pessoas, conversamos a respeito, e talvez de meia dúzia a uma dúzia dos personagens foram incorporados. Agora, para deixar claro, não acredito apenas em botar no papel as aventuras dos jogos. Me parece uma boa maneira de obter uma ficção realmente ruim. Digo, jogos são divertidos, mas não são livros. Portanto, muitos de nossos personagens, embora tenham suas raízes no jogo, foram substancialmente alterados e adaptados na transição. Além disso, muitas pessoas envolvidas em Wild Cards não eram membros do jogo. Quero dizer, começamos com o núcleo dos escritores de Albuquerque, mas entrei em contato com muitas pessoas como Roger Zelazny, Howard Waldrop, Pat Cadigan, entre outros - que não faziam parte do grupo de jogos - mas que eu sabia que tinham algum carinho por heróis pulp ou heróis de quadrinhos, todo o conceito de superpotências e que eu pensei que seriam capazes de contribuir com algumas coisas interessantes para a série.
E: Para novos escritores em geral, algum conselho?
GM: Acho que este é um momento difícil para alguém que está estreando. Digo, o início dos anos 70, quando entrei, foi um período muito mais favorável.
O mercado de contos ainda está aberto. Digo, Asimov, Analog, F & SF estão constantemente procurando novas pessoas, porque você não consegue ganhar dinheiro suficiente com elas [as revistas de contos], então as pessoas tendem a não ficar por muito tempo. Ainda é o melhor lugar para estabelecer uma reputação. Eu acho que estabelecer uma reputação nesta época em que há tantos escritores... tornar seu nome algo que os leitores vão lembrar e procurar é uma das coisas mais importantes.
Uma das coisas mais inteligentes que fiz na minha carreira, que fiz por acidente - certamente não planejei – foi não escrever um romance nos primeiros cinco ou seis anos. Porque então, quando o romance foi lançado, não era apenas o romance de alguém que ninguém havia ouvido falar, era o tão esperado primeiro romance de George R. R. Martin, o vencedor do Hugo! Isso me proporcionou um pagamento adiantado muito maior, teve uma certa quantidade de hype, foi resenhado em todos os meios, teve visibilidade. E a maneira como conseguiu essa visibilidade, é claro, foi nas revistas: tendo não apenas um conto ocasional, mas tendo muitos contos [publicados] naqueles primeiros anos. Houve meses em que três revistas foram publicadas, todas com uma de minhas histórias nelas: histórias de capa. Assim, estas vendas iniciais de contos às revistas ainda são um dos melhores jeitos de se fazer isso.
A longo prazo, é claro, você precisará passar para romances se quiser ganhar a vida como escritor profissional em tempo integral. E essa é a parte que está se tornando cada vez mais difícil, principalmente se você é um escritor sério e com ambição. Digo, eu vejo o mundo de Hollywood com o qual lido, e o mundo dos livros de onde venho, estão ficando cada vez mais parecidos a cada ano que passa, e não é Hollywood que está mudando. Os editores de livros estão se tornando cada vez mais voltados para a ficção comercial, para os resultados. Assim, enquanto a empresa estivesse lucrando, eles bancariam um bom autor por alguns anos e alguns livros até que ele encontrasse seu público e estabelecesse sua reputação. Agora, se o seu primeiro livro não ganhar dinheiro, você terá muita dificuldade em vender o segundo. Digo, esta é a situação atualmente. Muitas pessoas dizem que é realmente muito bom comercialmente vender um primeiro romance. Mas se esse primeiro romance não se provar um David Eddings ou um Stephen Donaldson, é comercialmente terrível por a venda seu segundo romance.
E: Tendo participado de Alpem da Imaginação e Wild Cards , você acha que o "mundo compartilhado" está se tornando uma tendência séria ou você acha que é apenas uma fase pela qual estamos passando?
GM: Bem, acho que há um pouco de ambos. Não acho que antologias funcionaram na televisão, o que é uma coisa a lembrar. Veja, Além da Imaginação foi um fracasso, nem um pouco tão bem-sucedido quanto o programa original, que foi de certa forma um programa periférico por cinco anos, por mais aclamado que fosse (e foi um programa maravilhoso que assisti religiosamente quando criança). Em algum momento dos meus discursos aqui [em Danse Macabre] eu acho que vou falar um pouco mais a respeito, mas esta entrevista não será publicado antes do evento, então, apenas adiantando assunto: eu acho que. . . todas as formas de ficção, todas as formas de entretenimento estão se movendo cada vez mais para as séries. Quero dizer, vemos pessoas em nosso ramo olhando para ele com uma visão muito restrita e dizendo "O que está acontecendo com a ficção científica? Essas malditas séries!". Não está acontecendo apenas na ficção científica, está acontecendo com todas as formas de ficção. Está acontecendo na televisão, onde os programas de antologia não conseguem ter sucesso e as pessoas querem programas de séries. Está acontecendo nos filmes, onde você tem Rambo IV e Rocky IX . Qualquer coisa que faz sucesso retornará com em um “II”, no final.
E: Quem você culpa? Você culpa a televisão ou. . .
GM: Não, eu não culpo a televisão. Eu acho que parte disso é a evolução da nossa cultura. Ainda estou procurando algumas explicações sobre isso; não tenho todas ainda. Portanto, isso não é conclusivo como em um artigo acadêmico, mas eu tenho o começo de algumas teorias a respeito. Não sei o suficiente sobre a Austrália para falar sobre a cultura de vocês com qualquer autoridade; eu sempre pensei nisso em termos de Estados Unidos.
Se você olhar para o romance: quando o romance foi concebido, era. . . o próprio nome denota novidade - "o novel", é uma coisa nova, derivada da raiz latina. Mas o romance foi apresentado em um momento em que a sociedade era muito estática, onde as pessoas nasciam em uma cidade pequena e talvez nunca tivessem ido a mais de 48 quilômetros dela (a menos que entrassem em guerra). Quero dizer, as pessoas nasciam na Inglaterra, a cem milhas de Londres; e nunca viram Londres. Eles viveram e morreram sem vê-la. Eles exerciam o ofício que sua família exercia, eles se casavam com a garota da casa ao lado, permaneciam casados ​​com ela por toda a vida, criavam filhos que efetivamente assumiriam o comércio quando eles morressem. Nesse mundo, os romances, com sua promessa de novidade, eram um sopro de ar fresco. Eles o levariam vicariamente a lugares que você nunca iria. Eles o apresentariam a uma gama muito maior de pessoas. Se você estava entediado com as dezessete pessoas que você via todos os dias em sua aldeia, eis aqui outra pessoa que você conheceria, e todos eram novos.
Agora, você olha o que existe nos Estados Unidos. Quando falamos sobre a América hoje, você tem uma sociedade completamente móvel. Digo, eu olho para minha própria vida. Nasci em Bayonne, Nova Jersey. Fui para a faculdade nos arredores de Chicago, que fica a milhares de quilômetros de distância, deixando pra trás todos os meus amigos em Bayonne, perdendo o contato com eles, fazendo novos amigos na faculdade. Eu me mudei . . . na verdade, fui para a escola em Evanston, ao norte de Chicago, e depois me mudei para Chicago [enquanto] meus amigos da faculdade se espalharam por todos os Estados Unidos, e eu conheci outro grupo de pessoas enquanto trabalhava nos meus primeiros anos em Chicago. Ensinei na faculdade em Dubuque, Iowa, novamente me mudando, e depois fui para Santa Fe e depois para Los Angeles. Então, eu estou com quarenta e poucos anos e tive cinco grandes movimentos de milhares de quilômetros na minha vida, o que geralmente significa ter tido um conjunto completamente diferente de amigos. Tive várias carreiras diferentes: ensinei em faculdade, fiz torneios de xadrez, fui escritor, fui roteirista de televisão (o que é diferente de ser escritor de livros). Eu fui casado e divorciado e já estive em vários outros relacionamentos. (Agora estou em um relacionamento há bastante tempo). E sou estável em comparação com algumas pessoas! Quero dizer, há imensa mobilidade em curso.
Eu acho que essa atual é uma cultura em que nada é estável. Ou seja, passa o mais longe possível da cultura que produziu o romance. Digo, sua profissão não está definida, as pessoas estão sempre mudando-a durante a vida. Eles chegam aos quarenta e cinco e decidem: "Bem, eu não quero mais ser advogado, apesar de ter sido treinado para isso a vida toda. Agora, quero navegar de barco pelo mundo". Eles se casam, se divorciam, perdem contato com todos os amigos. As famílias nem ficam mais em contato. Assim, a ficção, que nos fornece vicariamente as coisas que não recebemos na vida, a ficção nos dá estabilidade. Digo, vinte anos podem ter se passado, você pode ter um emprego diferente, você mora a duas mil milhas de onde começou, é casado com alguém diferente, mas Star Trek ainda é o mesmo. Você pode voltar lá, e aqui está esta pequena ilha onde Kirk e Spock ainda vão discutir um com o outro, e eles são quase como que amigos seus, com quem você sempre pode contar para estarem lá. Você não irá ligar para um amigo antigo - e ele se transformou em alguém que você não conhece. Kirk nunca se transforma em alguém que você não conhece. Ele sempre permanece sendo Kirk. E o que eu consigo perceber sobre o sucesso das séries, mesmo dentro do ramo, está sempre relacionado aos personagens. Existe uma relação muito forte com os personagens. Digo, se você participa de um painel chamado Writing the Science Fiction Novel, você recebe perguntas gerais da platéia sobre "Como eu vendo meu romance?" [e] "Como começar quando se escreve um romance?" Você nunca recebe perguntas específicas sobre o livro. Se você aparece em painel sobre Wild Cards ou Thieves World, você recebe perguntas como: ​​"Eu não gosto do que você fez com Hiram Worchester. Quando você vai ajudá-lo?" ou "Você vai dar um descanso para o Tartaruga?" ou "Por Deus, eu não suporto esse tal de Fortunato. Ninguém vai dar um soco na boca dele?" Digo, as pessoas formam esses relacionamentos intensos de amoódio com determinados personagens, e acho que isso é acontece com todas as séries.
E: Muito obrigado.
GM: Claro, o prazer é meu.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2019.08.02 19:44 tiolazaro Enfrentar os traumas do passado uma segunda vez no presente é uma merda

Há pouco tempo atrás, antes de começar terapia há um ano e buscar novas amizades, eu estava congelado e completamente em frangalhos devido ao término de namoro na adolescência (por erros meus e por "sermos jovens demais, temos muito o que viver, temos muito com quem ficar" e tudo mais).
Indo direto ao ponto, desde o começo da terapia eu consegui me reencontrar, fui pra carnaval, fiz novas grandes amizades, encontrei um emprego melhor e mais perto onde sou feliz ate o presente momento e encontrei uma garota que me apaixonei em uma viagem ao exterior, sim, ela é gringa e até então temos aprendido muito um com o outro, em termos de cultura, língua e como nos comunicarmos melhor para que tudo seja mais claro e literal do que ficar dando rodeios por algo.
Acontece que nos últimos meses, minha empresa anunciou que seria vendida e a transição vai acontecer em setembro/outubro. A empresa que comprou é conhecida de alguns colegas aqui e não existem elogios por parte deles. Na internet, mesma coisa. Tudo que se encontra é que a empresa tem um ar de funcionalismo público (pela política de não demitir ninguém em quase hipótese alguma) e aquele elefante branco, super inchado, sem muita perspectiva de crescer financeiramente ou progressão de carreira. Junta isso com a situação nacional que todos nós sabemos como está, me deu um pânico... Me deu uma quebrada internamente, me mantive quieto e muito mais preocupado do que devia, enfim, fiquei muito estranho sem querer falar muito com as pessoas e sem contato.
Quando assumi que estava mal para meu terapeuta, ele pediu pra falar com a minha namorada em busca de apoio, visto que sempre que ela precisa, eu sou o primeiro a estender a mão pra ela pra ajudar e tento sempre dar meu melhor.
Enfim, resumindo muito, antes de confessar que estava mal e precisava de ajuda e apoio, ela disse que não via nosso namoro rendendo frutos, funcionando ou que a distância nos fizesse bem. Que ela tinha sonhos, vontades e que em pensamento, sente que o namoro a prende em um lugar onde ela não vai crescer e não vai sair do lugar tão cedo por eu ser muito dependente e precisar muito dela (e isso ela mudou de visão nessas últimas semanas, que eu estava mal). Acontece que eu tenho sonhos que não dependem dela, quero morar fora, construir algo que seja só meu e ter sucesso e gostar do que faço profissionalmente. Sonhos que não dependem dela, mas que seriam COM CERTEZA melhores se ela estiver lá. E isso, pra ela, é dependência...
Ainda nessa conversa, ela disse que a distância faz mal desde a falta de carinho físico, aquele olhar, até quando bate tesão ou coisa do tipo, e começou com o mesmo discurso que minha ex fez quando terminou comigo em minha adolescência, que éramos muito jovens ainda, perguntando se eu pensava se ia ser a última pessoa na vida dela e vice versa e se seria uma opção abrir o relacionamento. Enfim, sou eu agora, pela segunda vez, enfrentando o mesmo medo de perder tudo que consegui em momentos de fragilidade e fraqueza e lutando pra não me quebrar. Terminamos a conversa pedindo desculpas por demorar a confessar que eu tava mal e ela pediu pra que eu deixasse uma abertura maior pra me apoiar e cuidar de mim também.
Os dias seguintes, bom, ela pediu um espaço, distância e temos conversado friamente e pouco durante o dia. Ela pediu pra que eu desse a abertura pra que ela pudesse me ajudar, mas parece que não vai ser o que vai acontecer. Tentei convencê-la a nos encontrarmos em um fim de semana largo ou fazer hora extra pra tirar os dias, mas ela recusou a oferta dizendo que não iria para o mesmo lugar 3 vezes seguidas.
Não existe nada que mais te faça perder o sono do que uma situação assim, e isso tem tomado boa parte da minha sanidade mental esses dias. É uma merda encontrar alguém legal, que esteja na mesma página que você sendo jovem e te faz ver o mundo com cor outra vez, e momentos depois, em uma fase mais introspectiva e ruim, por boa parte a perder em nome do que não se viveu e da frieza.
TL;DR - Empresa comprada me levou a um estado depressivo, namorada (à distância) percebeu a alteração de humor, concluiu que não evoluiríamos nos relacionando assim, pediu espaço, perguntou sobre abrir o relacionamento, além de dizer que o namoro E a distância a faz se sentir presa e de mãos atadas frente à realização de seus sonhos (que estão meio que longe de acontecer) e tem evitado todo tipo de atitude de nos falarmos por videochamada/chamada/encontro. Medo de perder tudo tomou conta da cabeça.
submitted by tiolazaro to desabafos [link] [comments]


2019.07.07 21:34 ThatsMoreStep Hoje vi a mulher mais bonita da minha vida.

Seguinte, depois de anos sem avistar o planeta terra de uma alta distância, eu estava hoje viajando de avião. Pego o primeiro vôo, no nervosismo acabo sendo meio lerdo mas tudo tranquilo. Na conexão q eu fiz que ia pra Cuiabá, eu entro no avião e já noto uma aeromoça bem bonita. Procedimento padrão, ela dá bom dia pra todo mundo e tal, ela dá bom dia pra um cara, olha pra mim, dá bom dia pro próximo, olha pra mim, dá bom dia pro q tava na minha frente, na minha ""vez"" eu meio q soltei o bom dia meio rápido demais mas dane-se, ninguém conta os segundos q cada um fala(Also, pra deixar claro, quando falo q ela "olha pra mim, é aquela olhada rápida, meio que "checando"). E foi nesse momento, passando na frente dela e olhando melhor pra ela, que eu notei: eu nunca tinha visto uma mulher tão bonita, em toda a minha vida. E não, não tô dizendo que só vi gente feia até hoje, já me apaixonei bastante na adolescência por garotas lindas, mas nunca foi tão rápido. Não conseguiria dar muita clareza de como ela é, se não utilizasse da semelhança dela com a atriz Rayana Carvalho(aquela que fazia a Pilar, no rebeldes da record), já que a diferença maior de rosto é q o da moça é mais fino, e o cabelo dela era curto, na altura dos ombros, preto e liso, outra característica marcante pra mim foi a maquiagem, principalmente aquela paradinha de olho da gato, que faz um risco preto meio que puxando os olhos e tal. Porém, durante o restante do vôo não ouve mais nada muito especial, afinal ela agia com uma profissionalidade e pontualidade dignas da companhia :v Enfim, quis compartilhar isso por que foi a primeira vez que senti em mim aquela sensação que dizem de "perder o fôlego", talvez os quilômetros de altura tenham ajudado, e, se por algum milagre, você, aeromoça q tem as características que mencionei, fez esse vôo de conexão para Cuiabá no dia 7/7/2019, se pronuncie(por PM ou nos comentários, whatever) e me diz o seu primeiro nome(pq eu guardei, e não vou dar chance de um random me mandar PM troslando), seria meu prazer dizer diretamente pra TI o quanto tu fez meu dia melhor só por existir ali, e pra falar a vdd seria interessante te perguntar se tu estava me olhando me achando bonito ou olhando tipo "qq esse mlk tá olhando pra mim wtf"(ou outro motivo, não existem só esses dois né). Ou ainda, se tu conhece uma menina q preencha essa descrição (aeromoça, parece com a atriz, cabelo curto, preto e liso) talvez mostre esse post pra ela? sei lá, também não me importa a situação de relacionamento dela, isso aqui não é um tinder da aviação
E pra terminar esse post, you're breathtaking!
submitted by ThatsMoreStep to brasil [link] [comments]


2019.06.03 13:34 PauloFlorindo [DQ] Meu primeiro alô.

Houve um tempo em que o telefone, se não era artigo de luxo, estava perto de o ser. Pode parecer banalidade falar ao telefone, seja o fixo ou o celular. Mas nos início dos anos 1980 não era qualquer ser vivente que possuía esta traquitana em casa. Este era o caso da minha família. Naquela época se escolhia entre ter um automóvel para se locomover ou um telefone para se comunicar.
Em alguns casos era fácil a escolha. Quem morava perto de amigos e familiares, era mais barato ir de carro do que comprar uma linha telefônica e pagar a mensalidade. Ter um carro foi a escolha dos meus pais. Muitos filhos, muitas despesas, não havia grana para o telefone. Desta forma, cheguei à adolescência quase sem contato com o dito cujo. Nem trote em orelhão eu passava. Não que tenha sido um santo, mas minhas peraltices já tinham aderido ao politicamente correto (ou quase).
Eis então, que cedo vou trabalhar. O emprego dos “sonhos” de qualquer piá pobre de então: ser empacotador em supermercado e ganhar uma grana durante o dia e estudar à noite, para ter uma grana para o supérfluo que os pais não podiam bancar. No caso desta empresa, o supermercado era um dos segmentos de atuação. O outro segmento era beneficiamento de cereais, principalmente o arroz. Na região do Rio Grande do Sul onde eu morava na época (e ainda moro) se produz muito arroz. E, se produzindo muito arroz, muitas atividades econômicas por aqui giram em torno do branquinho preferido dos brasileiros. Portanto, mais cedo ou mais tarde o tal branquinho se apresentaria em minha vida. E foi cedo. Após pouco mais de um ano trabalhando como empacotador, fui chamado para auxiliar na área de arroz, durante o período de colheita, quando se recebe muito arroz e naquela época, quase tudo era feito de forma manual. A computação por estas bandas estava engatinhando.
O que não engatinhava, mas andava rápido e às toneladas era o arroz nos caminhões. Ao receber as cargas de arroz, são medidos os rendimentos de arroz inteiro e quebrado e em função disso é calculado o preço a ser pago ao produtor. E como dito antes, era tudo feito de forma manual, inclusive o cálculo das médias de cada produtor. E lá fui eu, manobrar uma potente calculadora Olivetti Summa, com direito a bobina de papel e o ruído característico de impressão. Para um jovem rapaz latino americano de então, foi o máximo da ascensão profissional. Primeiro dia e tudo bem, muitos cálculos, compenetração total e eu mostrando muito serviço. Até aí, mil maravilhas.
O bicho pegou no dia seguinte. Muita atenção nos números e nas planilhas manuais para não cometer erros e de repente o sinistro toca. Para quem sabe o que é o Big Fone daquele reality show da tevê, imaginem a cena de uma pessoa que nunca tinha atendido um telefonema na vida. Claro que na época o que se sabia de big brother era sobre a entidade do livro 1984 de George Orwell .
Aquele aparelho, com um fio preto enrolado, aquele disco cheio de números a encarar a vítima, me fez suar frio. Não que eu não soubesse operar, afinal, nas novelas de então, qualquer um tinha telefone. Na minha vida real era diferente, conhecia poucas pessoas que possuíam o dito cujo, mas minhas aulas noveleiras seriam suficientes para usar o aparelho. Saber levantar o fone do gancho era moleza; o problema era enfrentar a voz do outro lado. Foi meu primeiro teste para vencer a timidez juvenil. Criei coragem, estufei o peito e disse: — setor tal, bom dia. A partir daquele dia, tornei-me um ser conectado.
O primeiro alô, a gente nunca esquece. Sim, parafraseei um comercial de tevê antigo. Quem conhece, sabe do que estou falando. Um momento, que vou atender o telefone e já volto.
— Alô!
submitted by PauloFlorindo to EscritoresBrasil [link] [comments]


3 Dicas top para falar a linguagem da Galera Adolescente e Jovem O que é a endometriose?  Momento Papo de Mãe 5 lugares que se tocar em um HOMEM LHE da arrepios na ... Psicóloga fala sobre como agir com adolescentes O que não falar para um homem? Eu Escolhi Esperar Responde ... Angela Pontes (Tecladista) - Oração de Entrega Puberdade normal - tudo sobre o que acontece no desenvolvimento dos adolescentes! Os games e o adolescente Série 'Adolescentes' - Primeira Consulta Ginecológica

Primeiro amor dos filhos: como lidar com esse momento ...

  1. 3 Dicas top para falar a linguagem da Galera Adolescente e Jovem
  2. O que é a endometriose? Momento Papo de Mãe
  3. 5 lugares que se tocar em um HOMEM LHE da arrepios na ...
  4. Psicóloga fala sobre como agir com adolescentes
  5. O que não falar para um homem? Eu Escolhi Esperar Responde ...
  6. Angela Pontes (Tecladista) - Oração de Entrega
  7. Puberdade normal - tudo sobre o que acontece no desenvolvimento dos adolescentes!
  8. Os games e o adolescente
  9. Série 'Adolescentes' - Primeira Consulta Ginecológica

O nome do meu livro é 'Princípios Fundamentais para Líderes e Educadores Cristãos' pela Editora Santorini. Em poucos dias você estará recebendo o livro em sua casa. O livro custa 30 reais e ... Dica para as mulheres! E o próximo vídeo será ao contrário tá? Compartilhe e divulgue o canal. Conheça nossa loja: http://lj.eee.vc Participe de um seminário... O ideal é que seja um profissional que deixe a adolescente segura e confiante para falar. Em geral, ela se sente mais à vontade com ginecologista jovem e do sexo feminino. Letra - Composição: Angela Pontes 'Eu fiz esta canção quando eu estava pensando o que falar para Deus em um momento de renuncia na minha vida e é o que muitas pessoas tentam dizer também ... Endometriose é uma doença que tem atingido cada vez mais mulheres e que pode começar ainda na adolescência. Dez por cento das mulheres em idade reprodutiva são afetadas pela endometriose e um ... Use essa técnica que ele te assume em até 3 dias Para ter acesso gratuito clique no Link: http://bit.ly/2n9aSOk Entre para meu grupo do telegram Clique aqui ... This feature is not available right now. Please try again later. ... Entenda as fases da adolescência - Duration: 23:00. Vida Melhor 59,456 views. ... 8 Sinais de que Você está DISTANTE de seu ... A adolescência, momento de crise e conflitos, traz também como fuga os games na internet e os jogos de vídeos games. Por que os adolescente aderem aos vídeo ... Nesse primeiro vídeo para o Especial do Dia das Crianças, vamos falar sobre a puberdade normal - como ela se desenvolve, quais as mudanças no corpo da criança, o estirão de crescimento...