Amor parágrafos para o seu texto

Podem existir mil obstáculos, mas nada fará com que meu amor por ti morra. Atravessarei até os maiores mares, mas não existirá água suficiente que afogue o amor que sinto por você. Subirei até a montanha mais alta do mundo, só para te ver, e de lá gritarei seu nome para ver se me ouve, e se me ouvires, direi uma só frase: Eu te amo. A mágica de como as cartas de amor encapsulam amor, paixão e desejo nunca desaparecerá com o tempo. Nós compilamos alguns ótimos exemplos de longos parágrafos de amor para ela, que certamente derreterão seu coração e a farão se apaixonar por você repetidamente. Parágrafos de amor para ela fazê-la sorrir. Ver seus entes queridos sorrir é uma das melhores coisas do mundo. E ser a razão desse sorriso é ainda melhor. Você quer trazer um sorriso para o rosto da sua garota? Então não perca mais um minuto e continue lendo esses impressionantes parágrafos de amor. Parágrafos bonitos sobre o amor para sua paixão Mesmo que sua paixão conheça seus sentimentos, você não deve parar de cortejá-los com seus parágrafos fofos! Todos gostamos de ouvir o que precisamos e ouvir sobre como o nosso parceiro precisa e nos quer é ainda mais agradável, especialmente quando é uma surpresa. Suponho que penso no amor mais do que deveria. Admira-me constantemente seu poder esmagador de alterar e definir nossas vidas. Também foi Shakespeare quem disse que o amor é cego. Pois bem, estou segura de que isso é verdade. Para algumas pessoas, de forma inexplicável o amor se apaga. Para outras, o amor singelamente se vai. Consejos para escribir una bonita carta de amor para decir adiós. Antes de empezar a redactar una bonita misiva para decir adiós a tu gran amor, o a uno de quien tenías que despedirte sí o sí, tienes que tener en cuenta algunos consejos.Gracias a ellos podrás escribir con tus propias palabras todo lo que sientes y desahogarte de una vez por todas con esa persona que, aunque en su día ... Escrever cartas de amor para o seu namorado é uma maneira de você mostrar o quanto se importa e exercitar a sua veia poética. Quem quiser voltar no tempo e não souber por onde começar… Calma, a gente pode te ajudar com isso: separamos 10 dicas para você aprender como escrever cartas de amor para o seu namorado. Gera o resumo de um texto, ótimo para captar a atenção dos usuários antes dos mesmos clicarem e irem até a postagem completa. Um texto expositivo normalmente tem cinco parágrafos, mas eles podem ser bem mais longos do que isso. Em um texto com cinco parágrafos, você deve ter três parágrafos para o desenvolvimento e, portanto, três evidências relacionadas à sua tese. Mesmo que seu texto tenha mais que cinco parágrafos, você deve usar estes mesmos princípios ... Parágrafos bonitos para enviar uma mensagem de texto para derreter seu coração Apaixonar-se é fácil, mas colocar esse amor em palavras pode ser difícil. Como regra, quando você tem certeza de que será recusado, é quando fica impossível encontrar a verdadeira felicidade.

Jornalismo literário. Será que vira?

2020.09.28 21:13 Samuel_Skrzybski Jornalismo literário. Será que vira?

Oi, amigos :)
Eu sei que esse sub não é exatamente lugar disso. Eu sei também que existem centenas de desabafos realmente sérios aqui e que merecem muito mais a sua atenção do que um mero pedido de feedback – e, aliás, sei também que tem gente aqui que detesta com toda a sua alma quando vem alguém aqui no desabafos fazer a tal "promoção pessoal". Mas não é isso. Eu tenho a mais triste certeza de que nenhum dos meus amigos ia ter o menor interesse e/ou paciência em ler o meu texto para me dar o famoso retorno – não exatamente pela falta do hábito da leitura, mas por me tratarem com uma ausência de seriedade quase que crônica. Então, bom. Acredito que eu tenha o meu espacinho aqui.
Vai, uma breve contextualização: eu faço jornalismo em uma estadual, estou no comecinho do segundo termo e tenho me apaixonado perdidamente pelo new journalism de Truman Capote & Gay Talese. Até aí, ok. Mas nem tudo são flores nessa lua de mel: quem conhece o nicho sabe que é um mercado difícil e extremamente específico, ainda mais aqui no Brasil. Ou seja, para arriscar toda uma carreira no jornalismo literário, não tem jeito: tem que saber fazer. E, é claro. É somente o meu primeiro ensaio no modelo diversional e não está tudo indo às mil maravilhas – longe disso. Mas eu queria muito saber de terceiros se levo jeito. Seria muito convencional ser o meu único crítico agora, nessa fase de protótipos, dizendo em ressonância "Samuel, você escreve muito, cara! Vai nessa que é sucesso" e quebrar a cara no futuro, no mercado, quando o bicho realmente pega. E aí seria, mais uma vez, muito convencional colocar a culpa nos outros. "Vocês não entendem a minha genialidade!". Já vi acontecer muito. Já aconteceu comigo.
Eu sei que a escrita é uma das minhas mais manifestas aptidões – caso não fosse, eu teria apostado as minhas fichas em uma engenharia ou nas ciências biológicas. O que eu quero descobrir é se consigo esqueletar uma narrativa verdadeiramente envolvente com o que eu escrevo. Quem faz ou manja um pouquinho de jornalismo sabe que no hard news o texto é quase que uma fórmula pronta a ser usada: da estrutura do lead, dos critérios de noticiabilidade, da pirâmide invertida, etc, etc etc. Mas para fazer jornalismo diversional é requisito mínimo ter alma de jornalista-escritor, não tem jeito.
Mais um pouco sobre a breve contextualização (risos): o que segue abaixo é um trechinho – a história completa seria uma Bíblia inteira e vocês certamente iam me jogar tomates nos comentários hahahaha – do meu primeiro projeto pessoal no jornalismo literário, que se chama "Do amor e suas amarras". A ideia central é falar acerca de um evento fantástico que tem acontecido comigo recentemente: o amor, de facto, pela primeira vez em meus 20 anos de vida. Uma paixão espalhafatosamente platônica por uma garota – também estudante de jornalismo, alguns semestres na minha frente – que está em um relacionamento sério já há 54 semanas, muito antes das nossas vidas se cruzarem. Mas antes de abordar as minhas primeiras impressões sobre esse sentimento estrambótico, arrasador e abstrato, eu quero passear por algumas histórias específicas que ilustram com fidelidade a personalidade dos quatro membros da minha família, com quem convivo desde sempre – incluindo eu –, de modo que um relato leve a outro até chegar, por fim, no meu amor incondicional e tosco pela menina.
A história condutora deste trechinho é factual, ela de fato aconteceu há cerca de doze ou treze anos no passado – "integralmente real, embora nem tudo seja verdadeiro". Escutei ela inúmeras vezes da minha mãe, a tal Nadia Saldanha – personagem principal da narrativa –, no decorrer da minha vida, sobre como ela "injustamente" foi chutada para fora da Pastoral da Família da tal Igreja de São Miguel Arcanjo.
O que eu quero são sugestões sobre pontos onde eu posso melhorar e críticas – críticas construtivas, pelo amor de Deus!
[Ah, a propósito, de antemão, eu já deixo uma pergunta: eu percebo que, em meus escritos, as frases sempre são exageradamente longas. Às vezes contruo parágrafos inteiros utilizando somente um ou dois pontos finais. Vocês acham que isso atrapalha muito a vida de quem lê? Ao ponto do leitor se perder no meio da frase e tal]
E, em especial, eu quero saber se vocês acham que é plausível para mim visualizar um futuro dentro do jornalismo literário. Não precisa ser uma resenha crítica estruturada, mega sofisticada. Pode ser um só um "Vai fundo, mano!" ou um "Ih, com todo o respeito, acho melhor tentar em outra área!".

p.s.1: Se algum colega jornalista aqui do sub quiser conversar sobre jornalismo literário, eu estou totalmente aberto. O processo de "apuração" e decupagem do jornalismo diversional é MUITO legal.
p.s.2: Eu coloquei nomes alternativos em cada personagem do meu texto. Digo, não somente nos personagens: a Igreja, o nome do bairro, a rodovia, a cidade, todos os elementos foram adaptados. Sei lá, a gente nunca sabe quando vamos ser reconhecidos por essas redes hahahahaha
p.s.3: Eu sei, eu sei, eu sei. O EscritoresBrasil seria o lugar ideal pra esse help. Mas a última thread de lá tem já os seus cinco meses. Eu literalmente iria falar com as paredes.
p.s.4: Perdão pela introdução exageradamente extensa. Eu me emociono!
p.s.5: Boa leitura! :)

***

DO AMOR E SUAS AMARRAS.
Quando se ama, em verdade, muito mais do que se sabe – tem-se a mais pia e categórica certeza. Camões, decerto, não se valeu de qualquer recurso hiperbólico que fosse quando afirmou que amor é fogo. Fogo que arde e não se vê – e depois, onde não se queima, ao menos não no sentido literal e denotativo da palavra.
E quando o fogo consome, não há margem para dúvidas. O calor infernal, a cor alaranjada vivíssima, as cinzas e a fumaça tóxica se espalhando por todos os quatro cantos. Somente um ser inteiramente tresloucado poderia proferir a irrisória frase “Eu acho que minha casa está sendo consumida por chamas!”.
Da mesma forma, quando se ama, não há espaço para achismos.

***

Quando eu tinha uma década e meia de vida, mantendo com rigor ímpar a tradição secular de minha família, passei a praticar ativamente a minha Fé católica. Meu nome, até então tão somente mencionado dentro do universo à parte do catolicismo em meio às intenções da Santa Missa – pela paz, saúde e prosperidade na Fé cristã de Samuel Skrzybski de Almeida Passos e João Vitor de Almeida Passos – ou como uma menção efêmera dos fiéis da Igreja de São Miguel Arcanjo ao falar dos laços familiares de Nadia Saldanha de Almeida Passos – mais precisamente, de seu filho primogênito –, passei a compor, com uma respeitável responsabilidade para com os assuntos celestes à despeito da pouca idade, o corpo de catequistas, de acólitos e de integrantes da Liturgia da Palavra da comunidade, além de me tornar figurinha carimbada nos eventos de caridade, de emancipação da Fé ou de Cura & Libertação promovidos pelo único templo católico do Jardim das Cerejeiras, bairro polarizado entre casarões e barracos, entre verdadeiros palacetes de ricaços que encontravam um simpático refúgio no interior quando o CO2 dos grandes centros sufocavam para além da conta e casebres dos que amargavam na penúria econômica extrema.

***

Nadia Saldanha, mulher baixinha de 40 anos de idade mal vividos, os olhos verde-clarinho, os cabelos loiros, quebradiços e maltratados e a estatura naturalmente retraída, era uma leiga dentro da comunidade Católica Apostólica Romana – no entanto, amplamente conhecida e reconhecida pelos outros fiéis da São Miguel Arcanjo, máxime pelos de longa data. Com pontualidade inexorável, Nadia com frequência chegava na Igreja trinta minutos antes do início da Santa Missa, junto do marido e dos dois filhos, para participar da maçante reza do Terço das Lágrimas de Sangue de Nossa Senhora Rosa Mística e somente deixava as instalações sagradas quinze minutos depois do último Amém do sacerdote, literalmente no apagar das lâmpadas, ajoelhada no genuflexório com os olhos muito bem fechados e com a cabeça ligeiramente encostada no banco da frente em sinal de penitência, na companhia unicamente dos siriris desnorteados pela escuridão e de uma ou outra senhorinha – e do Santíssimo, é claro – entre agradecimentos, lamúrias e pedidos em uma linha direta com o Divino.
Casada há quase vinte ciclos com Samuel Alves Passos, Nadia Saldanha certamente não se mantinha como leiga meramente por vontade própria. Há cerca de dez anos no passado, foi uma das mais dedicadas mulheres a marcar presença na Pastoral da Família da Igreja de São Miguel Arcanjo – ala da comunidade criada e integrada exclusivamente por mulheres que não mediam esforços em uma cruzada enérgica e venerável contra a mortalidade infantil, em especial, em favor das crianças pobres do Jardim das Cerejeiras. De certo, dezenas de meninos e meninas miseráveis não tiveram o seu direito mínimo de viver negado por intervenção da arrecadação constante e distribuição em massa de latas de 400g de leite em pó e da pesagem semanal dos gaiatos nas instalações da Igreja, em um consórcio com o Posto de Saúde Municipal do bairro. Na Pastoral, entre conversas, a sério, necessárias para o alinhamento do grupo de atuação e frívolas rodas de fofoca, Nadia trazia na ponta da língua, sempre afiada, tudo o que os mais reacionários e fundamentalistas membros do catolicismo queriam ouvir, em um momento onde a luta por direitos civis das minorias começavam a efervescer de fato no seio da sociedade brasileira.
– Esses boiolões, filhos do Tinhoso! Não respeitam ninguém! Querem destruir o sonho de Deus, que é a família!
O discurso, com o passar dos anos, não arrefeceu. Ao contrário: os bramidos de Nadia Saldanha se lançavam cada vez mais aos extremos conforme as pautas da bandeira arco-íris emplacavam nas casas legislativas federais, estaduais e, a priori, no debate público. E até mesmo os católicos mais conservadores da Igreja de São Miguel Arcanjo assimilaram o movimento: já não se podia pregar a morte aos degenerados em meio aos sermões clericais sem parecer extravagante demais. Enfim, a ficha caiu: a Idade das Trevas já havia ficado para trás e agora tão só era palpável nos livros de história. Em ambientes privados, como já era de praxe, as irmãs em Cristo de Nadia seguiam proferindo e proliferando as mais inadmissíveis e desumanas manifestações de ódio, imaginando um mundo utópico onde a decapitação de homossexuais fosse via de regra e as mulheres se colocassem em seu devido lugar com roupas mais decentes – estranhamente, ao que parece nenhuma delas teve o insight de mudar-se ao Irã e se converter ao Islão jihadista, para que tivesse os seus mais asquerosos desejos concretizados. Em espaços públicos, entretanto, os discursos terroristas se reduziram a uma antipatia repleta de frases ditas somente até a metade, embebidas em raiva e rancor por detrás. Nadia Saldanha foi na contramão.
– Esses viadões desgraçados! O mundo está perdido mesmo, é o fim dos tempos! Mas o que é deles está guardado por Deus, você pode ter certeza. Não há frescura que um tiro na cabeça ou uma facada nas costas não resolva na hora. Bom samaritano é aquele que adianta o trabalho do Pai e envia as obras do Chifrudo de volta para Ele, onde haverá choro e ranger de dentes!
Foi risível. Foi uma piada pronta. E foi, sobretudo, ridículo. Mas a Igreja Católica, ainda tão intransigível quanto ao seu repúdio e rechaço às bandeiras e às práticas dentro e fora das quatro paredes dos LGBTQI+, viu a urgência de afastar Nadia Saldanha das atividades de caridade eclesiásticas justamente em seu ódio descontrolado pelos integrantes daquela comunidade que tantos outros católicos também odiavam em segredo com todas as suas forças. O pecado, decerto, não era a homofobia. Durante os intermináveis instantes de chilique contra os gays, as lésbicas e “os homens que viram mulher e as mulheres que viram homem” de Nadia nas reuniões de quinta-feira da Pastoral da Família, arranjada em uma salinha 8x8 lúgubre nos fundos das dependências da Igreja de São Miguel Arcanjo, não havia uma sílaba de objeção por parte das colegas de Pastoral de Nadia Saldanha. Longe disso: em cada um de seus discursos travestida de Silas Malafaia ou de Marco Feliciano, Nadia não mais que recebia tímidas concordâncias com a cabeça de sua plateia, carregada de constrangimento por não se sentir no direito de se unir a ela e fazer coro à sua fala doentia. O pecado, com efeito, era escrachar para quem quisesse ver que corridos dois milênios depois de sua fundação sobre a Pedra de São Pedro, a Igreja Católica estava mais arcaica do que nunca e tão intolerante como sempre.
Valentina Martinez era uma mulher de 51 anos que se vestia como se fosse ao menos três décadas mais velha. As saias imensas que iam até os pés estampadas em um florido fosco, os sapatinhos fechados sem cadarço, a jaqueta de couro reles em um tom de marrom esquisito que destoava totalmente dos vários azuis da saia. O cabelo, preso dia e noite, acentuava alguns vários fios brancos no rabo de cavalo. De voz aguda e encolerizante, era praticamente consenso entre cada morador do Jardim das Cerejeiras que tivesse conhecimento da figura que Valentina, muito diferente de Nadia Saldanha – uma de suas companheiras de Fé mais íntimas –, era desmedidamente extrovertida. Era parte da rotina de Valentina Martinez cantar e dançar louvores fora de hora e fazer as mais embaraçosas brincadeiras, por pura e genuína inocência, também fora de hora, afora o irritante e incorrigível hábito de se comunicar quase sempre à distância – o primeiro estridente “OIEEE!” de Valentina podia sair, a plenos pulmões, quando esta estivesse a trinta metros ou mais de seu interlocutor. Esposa já há duas boas décadas de Samuel Rodrigues, o Samuquinha, caminhoneiro que sempre estava em algum lugar entre São Paulo e Santa Catarina, menos em casa, e mãe virtualmente solteira de um rapazinho de onze anos, que tinha o mesmo nome e apelido do pai, Valentina, como toda mulher prendada daquele bairro católico, era uma exímia dona de casa. E foram as curtas conversas corriqueiras sobre afazeres do lar, sobre qual marca de removedor de manchas era mais eficiente para tirar a gordura das camisetas, e o credo na religião católica praticado ao menos três dias por semana dentro da Comunidade São Miguel Arcanjo que cruzaram os caminhos de Valentina Martinez e Nadia Saldanha assim que a primeira chegou ao bairro do extremo norte de Cubatão – o último antes da Rodovia Cônego Rangoni que leva até Santo André, cidade vizinha e mais famosa. E foi trabalho de Valentina, determinado pelo Comitê de Ética da Pastoral da Família, recém-formado para discutir a questão de Nadia e recém-dissolvido porque simplesmente não havia mais utilidade para ele dentro da Pastoral, comunicar Nadia Saldanha de seu “merecido descanso” – termo gentil e criativo que inventaram para cambiar “expulsão sem honras” – de seus ofícios na Pastoral da Família sem aviso prévio, sem chance de reconciliação, sem “choro ou ranger de dentes”.
Era o início de mais uma tarde de segunda-feira tórrida e feia em Cubatão – daquelas sem uma única nuvem no céu, que cegam a vista de quem ouse levantar os olhos. Nadia Saldanha estava dentro da Igreja, no presbitério, lustrando com todo o cuidado e capricho do mundo o Altar Sagrado, que detinha o segundo metro cúbico mais sagrado da Comunidade São Miguel Arcanjo – ficando atrás unicamente do Sacrário, onde Cristo se fazia presente como um vigia infindável. Foi quando Valentina Martinez respirou fundo e partiu para a hora da verdade. Se aproximou lentamente do Altar, sem chamar a atenção de Nadia – e ainda que tivesse se aproximado como era do seu feitio, aos berros, Nadia certamente não teria desviado a sua concentração e foco da tarefa sacra que realizara. Posicionada alguns poucos centímetros atrás do degrauzinho do presbitério, Valentina puxou o único assunto que tinha a mais plena certeza que ia prender integralmente a atenção de Nadia Saldanha.
– Ô, Ná! Você não sabe. Hoje de manhã eu fui levar o Samuquinha na escola e na volta eu me deparei com uma visão do inferno. Primeiro eu achei que era um casal. Olhei, olhei de novo. E aí eu percebi que eram duas meninas, de mãos dadas! E duas meninas tão bonitas, Ná. Ô, judiação!
– É, esse mundo está perdido – respondeu Nadia, sempre falando mais para dentro do que para fora e com um sotaque caipira mais puxado do que a média dos munícipes de Cubatão – O que é certo está errado e o que é errado está certo.
– E até lei elas têm agora, você viu? As sapatões. Se uma puxa o cabelo da outra, taca-lhe Maria da Penha nela! Estão ficando chiques! – Valentina Martinez falava com um sotaque interiorano ainda mais puxado do que a média dos que falavam com o sotaque caipira mais puxado que os demais cubatenses.
– Brasil! – e fez um som em deboche sem abrir a boca – País ateu!
– É Ná, parece que agora a gente vai ter que dar uma colherzinha de chá para elas, né?
– Colherzinha de chá?
– Evitar falar muito. Pode dar problema, você sabe...
O Altar Sagrado já estava mais que lustrado, mas Nadia Saldanha continuava indo com a flanela para lá e para cá no mármore. Depois de dois ou três minutos de silêncio constrangedor, Nadia retorquiu, ríspida, como se tivesse usado o meio tempo para formular a resposta.
– Talvez Deus também tivesse que ter dado uma colherzinha de chá para o Chifrudo no Paraíso...
– Que pecado! Ô, Ná!
– Pecado é querer tratar aberração como se fosse gente como a gente – sempre com um ar de deboche intragável na voz.
– Ná, os tempos são outros, as coisas mudaram – replicou Valentina, com a voz nervosa e atropelando suas próprias palavras na fala – A gente vai ter que aprender a conviver, eles estão ganhando espaço. Contanto que fiquem bem longe de mim e do Samuquinha, por mim está tudo bem.
– Essas Marias-João são a oitava praga do Egito. É a Nova Ordem Mundial, os Illuminatis. Tem dedo dos Senhores do Mundo aí, você pode ter certeza. Agora na Globo sempre tem uma bichinha nas novelas para influenciar os meus filhos a abandonar a família para morar com viadão por aí. Se não cortar o mal pela raiz, eles vão dominar tudo. É isso o que você quer, Valentina? A vinda do anticristo?
– Meu Senhorzinho do Céu que me livre!
– O mundo é o mundo. Casa de Deus é Casa de Deus. Se essas frescuras começarem a entrar aqui dentro da Igreja, eu prefiro comungar com um Ministro em casa.
– Era sobre isso que eu estava conversando com as comadres da Pastoral...
– O quê?
A pergunta desprevenida fez eco em cada um dos cantos da Igreja de São Miguel Arcanjo, do Sacrário à entrada aberta. Valentina já não se via em condições de explicar mais uma sílaba que fosse. Graças à oratória desastrada de Valentina Martinez e também à sua própria personalidade paranoide, Nadia Saldanha havia assimilado em sua mente distorcida que ela estava sendo escorraçada não apenas da Pastoral da Família, mas da São Miguel Arcanjo como um todo. Outrossim, também compreendeu que estava sendo banida não por seu radicalismo exacerbado e nocivo, mas por não ser complacente com a tal Agenda Gay. Mais dois minutos de silêncio constrangedor se seguiram. Até que Nadia, em um movimento rápido e imprevisível, pegou o balde cheio de água suja até a metade que estava manejando na faxina do interior da Igreja e atirou contra Valentina, que somente conseguiu desviar da água e do balde por um reflexo tão improvável que parecia ter sido obra autêntica da Divina Providência.
O que se seguiu foi um cenário manicomial. Nadia Saldanha berrava aos sete ventos, urrava feito um bicho, mas suas palavras e frases não seguiam uma linearidade – parecia ser algo sobre “Deus”, “Chifrudo”, “desgraçados” e “merda” – de modo que se tornava humanamente impossível entender o que Nadia queria dizer, posto que também já não falava – balbuciava fonemas rugindo, como uma criança raivosa em processo de alfabetização ou como se estivesse sob influência direta da Legião dos geraseno. Ademais, qualquer objeto ao alcance de Nadia Saldanha, sagrado ou não, se tornava perigosamente jogável. Galhetas, cálices, âmbulas – felizmente vazias. O arremesso, muitas vezes, era feito à deriva, não necessariamente contra Valentina, entre gritos cada vez mais ardidos, como se pelo simples prazer de quebrar as galhetas feitas em vidro. Os brados bestiais de Nadia, as súplicas desesperadas de Valentina Martinez – “Nadinha! Nadinha!” – e os estilhaços violentos contra o chão atraíram para dentro da Igreja as outras demais integrantes da Pastoral da Família, que estavam em vigília na comunidade naquele começo de semana. Ali, naquela guerra funesta diante do olhar, seguramente, de tristeza e reprovação do Corpo de Cristo no Sacrário e do chão coberto por uma mistura de cacos de vidro, vinho e água, todas as sete mulheres com as camisetas brancas e verde-floresta da Pastoral da Família formaram um círculo em volta do presbitério e, por conseguinte, em volta de Nadia Saldanha, como se estivessem lidando com um animal selvagem indomável, rosnando e prestes a avançar. Quando o animal finalmente avançou, na confusão, entre tapas e empurrões, Benedita, reconhecida pelas mais próximas como Tia Ditinha, a mais corpulenta mulher – quase senhora – de toda a Pastoral, contrariando o seu cognome no diminutivo, conseguiu agarrar Nadia pelas costas, como se estivesse prendendo-a em uma camisa de força, tremendo da cabeça aos pés como se a temperatura ambiente tivesse alcançado números negativos pela primeira vez na história da ardente cidadezinha de Cubatão.
Depois da fatídica e inesquecível segunda-feira no presbitério da Igreja de São Miguel Arcanjo, Nadia Saldanha se afastou completamente da Pastoral da Família, de suas atividades espirituais e, quem sabe, até de si mesma. O ocorrido não se espalhou ao ponto de chegar até todos os ouvidos dos fiéis, mas sem dúvida correu pela Comunidade São Miguel Arcanjo mais do que Nadia gostaria. Nunca mais se avistou ou teve notícias da mulher ou do marido, Samuel Alves. Nunca mais se viu Nadia, em seus pouco mais do que 1,60m, prostrada nos genuflexórios da Igreja após encerrada a Santa Missa de sábado. As línguas velozes dos mais mexeriqueiros chegavam a afirmar, com certo grau de convicção, que ela havia aderido ao protestantismo depois do trágico episódio. A Igreja Evangélica começava a imergir e a ganhar força dentro do Jardim das Cerejeiras, ao construir as suas ainda pequenas assembleias no bairro e ao cooptar alguns fiéis católicos – tanto foi que o Padre Machado, homem de meia-idade e de rosto gordinho e simpático, sacerdote responsável pela São Miguel Arcanjo, já virava todo o seu arsenal de críticas ácidas e de reprovação aos crentes em seus sermões que dividiam a Santa Missa.
– Usurpadores da Fé católica! Estelionatários de quinta categoria! Blasfemadores! Vivem de calúnias e difamações contra a Virgem Maria!
Até que, em um fim de tarde de um sábado de abril, avistou-se finalmente Nadia Saldanha ao pé da entrada da Igreja de São Miguel Arcanjo, cinco minutos antes do rito de entrada da Santa Missa – a mulher nunca mais voltaria a ter o hábito de rezar o terço antes da Celebração – e cinco meses seguidos depois daquela tarde de estilhaços e prejuízos. Estava ao lado do marido extremamente alto, ao menos para ela, e com sua expressão corporal de sempre, que denunciava sem rodeios a sua timidez excessiva e seus sentimentos de inferioridade. Apareceu, além do mais, sem os filhos em seu retorno – queria se certificar primeiro que não haviam trocado a imagem de São José pela de outra mulher ao lado de Maria de Nazaré e que não haviam hasteado uma bandeira violeta, anil, verde, azul, laranja & vermelho no lugar do Círio Pascal.
Nadia Saldanha continuou, afinal, marcando presença nas Celebrações da Igreja de segunda, quarta e sábado, dia do Senhor. Sempre no mesmo lugar, no penúltimo banco de madeira em verniz da fileira direita da Comunidade São Miguel Arcanjo. À direita, os dois filhos, Samuel e João. À esquerda, o esposo, Samuel Alves.

***

Se você chegou até aqui: por favor, bebe um copa d'água cheio, sai pra respirar um pouquinho. Eu sei o quanto a leitura demorou.
Obrigado por ler. De coração! :)
Não é todo dia que se interessam pelos meus escritos hahahaha.
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2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.06.06 16:53 clathereum2 Psicanálise e protestos, I, dinâmica libidinal e revolta

Em seu texto "A moral 'cultural' sexual e o nervosismo moderno' Freud oferece um panorama da dinâmica libidinal na cultura atual, a qual é "baseada na repressão dos instintos" (p. 256). Esta percepção da cultura é justificada pela argumentação trazida neste texto, de 1908, e pode fornecer substratos para entender o movimento de passagem ao ato (acting out) que as manifestações no Brasil, Hong Kong, EUA e outros lugares, têm tomado.
A moral sexual "cultural" é a influência que reduz as formas de nervosismo à neurose pela repressão dos instintos sexuais. Temos o nosso gozo interditado em diversas áreas de nossa vida, no entanto isto não acontece de forma absoluta e em igual intensidade para todo mundo. Diz o pai da psicanálise:
A força original do instinto sexual provavelmente varia conforme o indivíduo: certamente oscila o montante que dele se presta à sublimação. Imaginamos que a organização inata do indivíduo decide primeiramente o quanto do instinto sexual se revelará sublimável e aproveitável; além disso as influências da vida e o influxo intelectual sobre o aparelho psíquico conseguem levar à sublimação mais uma parcela dele. Mas tal processo de deslocamento não pode prosseguir indefinidamente, não mais do que a transformação de calor em trabalho mecânico nas nossas máquinas. p. 257
Há diversos elementos interessantes nesta citação. Nela há um caráter hereditário ou atávico; algo de um teor mais constitucional e determinístico, onde temos um espaço de possibilidade parcialmente delimitado por nossas condições de nascimento (i.e.: recursos genéticos, socioeconômicos e, diria, até, imaginário atrelado ao conjunto destes dois). Naturalmente é possível a suposição de que, portanto, a população preta em geral, bem como a LGBTQI+ possuem uma dinâmica libidinal afetada pela forma com que nossa cultura é estruturada.
Temos também outra ideia de interesse neste breve trecho. Não é só a constituição que determina o quão aptos a sublimação nós seremos, mas também nossas experiências em vida. Temos, então, duas fontes que podem fortalecer nossa capacidade de sublimação caso precisemos de tal. Diz-se muito que a psicanálise mostra um retrato despojado das farsas humanas e, portanto, triste, mas vemos aí, na pluralidade de meios de sublimar a libido que não pode ser usada nos instintos sexuais, também a constituição mesma da resiliência humana, dizendo que suportamos muito. Mas é só isso: suportamos muito. Ainda há um limite.
E é precisamente o dito na continuação do parágrafo: sempre há uma perca de energia; conversão completa, com um n de 100%, um rendimento perfeito, não existe. O que isso significa em termos de teoria da libido? Significa que, por maiores que sejam as proezas de um certo grupo de indivíduos no manejo de sua própria libido, há um limiar de insatisfação. E há uma necessidade mínima de prazer. É preciso um mínimo de atividade sexual (vale lembrar que no jargão psicanalítico, "sexual" significa aquilo que nos dá prazer, e não só a atividade genital em relações íntimas). "Eu posso usar minha raiva e frustração para criar isso ou aquilo, mas se eu não puder me divertir, esse manejo de minha energia não será suficiente e desejarei expor meus ressentimentos de outra forma"
Afinal, o trabalhador assalariado que não gosta de seu trabalho, de usar transporte público, de sua casa e da escassez das ditas "commodities" se manteria são por quanto tempo sem descarregar sua libido na atividade sexual da cerveja do fim de semana? ou do futebol? O mesmo sendo válido para os estudantes com suas calouradas e férias. É digno de nota que podemos definir "festa" como um grupo de excessos permitidos socialmente. Podemos dar vazão à libido frustrada e impedida de atingir sua meta que vai se acumulando com as exigências de nossa cultura atual. "O instinto sexual humano não serve originalmente aos fins de procriação, tendo por meta, isto sim, determinadas formas de ganho de prazer" (p. 258). Tomando o sentido de "sexual" freudiano, uma vida "assexual" é insustentável para a psique humana.
Somos levados a remanejar nossa libido desde a infância. E, deveras, nesse período primevo talvez esse manejo seja benéfico, uma vez que, não podendo executar nossas funções genitais ainda, inevitavelmente a pulsão sexual manifestaria-se usando a libido de outra forma, de modo que a educação, por exemplo, inibe esta excitação. Mas uma vez percorrida esta evolução da pulsão sexual que se inscreve na função oral, sádico-anal, fálica, latente e genital, em que situação ficamos em relação a nossa cultura atual? Naturalmente, as restrições de Viena na época de Freud tinham suas particularidades, mas a lógica da fenomenologia libidinal mantém-se de pé se permutarmos as características da cultura europeia pela de nosso mundo e, mais especificamente, pela do Brasil.
Relativamente a essa evolução do instinto sexual, poderíamos diferenciar três estágios culturais. O primeiro, em que a atividade do instinto sexual ultrapassa livremente as metas de reprodução; o segundo, em que tudo no instinto sexual é reprimido, excetuando o que serve à reprodução; e o terceiro, em que apenas se admite como meta sexual a reprodução legítima. Este terceiro estágio corresponde à nossa presente moral sexual "cultural". p. 258
Que fique claro: no terceiro estágio apenas se admite o gozo para a reprodução. Isso não significa que não gozavam em outras situações, como com licores, bordeis e jogos de carta, por exemplo. Estas ultimas atividades sexuais apenas não eram tidas como bem reputadas socialmente, mas não eram materialmente inexequíveis. Claro que muitos, ao realizá-las, sofreriam o mal da lei social tácita que afetaria seus psiquismos - e essa dinâmica é válida até hoje.
Por mais que estejamos numa organização mais liberal no sentido de que não é mais socialmente condenável outras atividades sexuais que não apenas a atividade sexual reprodutiva, temos também outros meios de impedir nosso gozo em diversas esferas - quiçá todas.
No estado líquido de nosso tempo - há quem diga que já passamos do mundo líquido ao do gasoso - a interdição não se dá por uma repreensão pelo que fazemos, mas pela sensação de ser deixado para trás pelo que não fazemos. Todo mundo está trabalhando, formando-se numa faculdade, fazendo curso à distância, ioga, terapia, musculação, dieta, tudo ao mesmo tempo, e é exigida excelência em todas estas áreas: temos de ser laureados, fitness, "inalienados", conhecer todos os documentários da moda, teorias, séries e filmes, estar por dentro dos acontecimentos das redes sociais, estar ciente do quê 150 jornais estão dizendo,e ainda por cima saber cozinhar sopa croata pra entreter as visitas no jantar que damos. Mas não só isso. Além de sentirmos a obrigação de obter excelência em todos esses quesitos pra pensar numa vida "bem aproveitada", "bem vivida" - e pra quem não alcançou isso, ter a ilusão de que essa vida é boa, é sexual - temos ainda a obrigação de gozar. Divertir-se é agora, também uma obrigação, de forma que não é mais divertido.
Se é exigida excelência e gozo abundante em todas as nossas esferas de experiência humana, perguntemo-nos: as condições possibilitadoras da excelência e do gozo, que são tidas como ideais pelo sistema governamental, econômico e social, são distribuídas de forma justa e igual para todas as pessoas, para todos os grupos de pessoas?
Por intermédio da interdição sistemática à excelência e à descarga da pulsão sexual para a população negra, um montante cada vez maior de libido vai tornando-se deslocada e busca outra saída para obter prazer, gozo. As exigência sexuais, portanto, obrigam a um recalque da pulsão sexual,perturbando a libido, sendo que este recalque não é um completo sucesso, donde virá a conclusão de que a cultura - tanto a de Freud como a nossa - é falha.
Prossegue o autor:
Sendo o instinto sexual mais pronunciado, porém perverso, dois desenlaces são possíveis. O primeiro, que não será discutido, é aquele em que os afetados ficam pervertidos e têm de suportar as consequências de seu desvio do padrão da cultura. O segundo caso é bem mais interessante - consiste em que sob a influência da educação e das exigências sociais, é obtida uma repressão dos instintos perversos, mas um tipo de repressão que não o é propriamente, que seria mais bem designado como um fracasso da repressão. Os instintos sexuais inibidos não se manifestam como tais; nisso consiste o êxito - mas se manifestam de outra formas, que para o indivíduo são igualmente nocivas e que o tornam tão inutilizável para a sociedade como ele ficaria com a satisfação inalterada dos instintos reprimidos; nisso está o malogro do processo, que, a longo prazo, mais que contrabalanceia o êxito. p. 260
Passado um certo limiar de tempo suportando a opressão e a dissimulação do racismo que subjaz à estrutura falsamente democrática, os meios de realocar a libido, os meios de ser resilientes, não dão mais conta da frustração e interdição à descarga da libido da pulsão sexual. Disso vem que essa descarga dar-se-á por uma outra manifestação. Os protestos atuais, incluindo os que não se contentam apenas com o discurso falado e/ou escrito, são uma indicação do abuso persistente às condições aceitáveis para um organismo sexual, que precisa, para se manter saudável, ter oportunidade de gozo, de ser amado e de amar, de acessar serviços que promovam, mesmo que ilusoriamente, satisfação.
A experiência ensina que há, para a maioria das pessoas, um limite, além do qual sua constituição não pode acompanhar as exigências da civilização. p. 260
Quando um sujeito que ocupa um lugar que exerce maior poder, como um policial, um governante, etc., exige que minorias adotem um comportamento igual aos dos grupos que têm muito mais oportunidade de gozo e de excelência, muitas coisas estão acontecendo: pede-se o injusto; estrutura-se um discurso falacioso de permissão de retaliação por "insubordinação"; constrói-se, para os que estão numa relação de amor com essas figuras de autoridade, um alívio na consciência e reafirmação de preconceitos em relação a essas minorias, que podem fundamentar um terreno afetivo caótico o suficiente para uma revolta civil, etc.
Todas [as minorias] que querem ser mais nobres do que sua constituição lhes permite sucumbem à neurose; elas estariam melhores, se lhes fosse possível ser piores. p. 260
Este trecho deve ser interpretado com cautela se podemos, num exercício interpretativo, incluir, dentre a "maioria das pessoas", as minorias. Um indivíduo negro que tenta se alienar das desigualdades de acesso às condições de excelência e gozo entre ele e um branco, corre sérios riscos de adoecer psiquicamente porque a realidade se lhe mostrará muito distinta do que imaginou. E se ele se pensa como tendo as mesmas facilidades (como por exemplo, mesmo nível de qualidade de ensino, dieta adequada, tempo para exercitar-se, qualidade de sono, segurança, autoestima, etc.), ao falhar, poderá sofrer uma desestruturação de sua imagem, poderá perceber-se como burro, feio, incapaz, etc. Na recusa desta imagem pode ser acometido de sintomas neuróticos que vão dificultar sua vida ainda mais.
"...elas estariam melhores, se lhes fosse possível ser piores", ou seja: seria mais saudável colocar pra fora as moções pulsionais que foram interditadas. Seria melhor protestar, mesmo lutar, do quê, à custa da saúde psíquica, continuar tentando ser positivo e negando a injustiça incutida nas veias do organismo brasileiro dentro do qual estamos.
É uma evidente injustiça da sociedade que o padrão cultural exija de todas as pessoas a mesma condução da vida sexual, que algumas, devido à sua organização, conseguem sem maior esforço, mas que a outras impõe enormes sacrifícios psíquicos - uma injustiça que, a bem dizer, geralmente é compensada pela não observância dos preceitos morais. pp.260-1
Naturalmente, temos características, na nossa cultura, dos três estágios supracitados. Apenas analisei mais detidamente o terceiro porque, em termos de restrições tácitas, implícitas, podemos enxergá-lo mais presentemente que os outros dois. É evidente que dispomos de mais meios, hoje, para a descarga da pulsão sexual, mas esse aumento não sobrepõe as condições para sermos bem-sucedidos e/ou felizes (leia-se por essas condições: restrições). Então, ainda em relação ao terceiro estágio da cultura, o aumento das doenças mentais (leia-se: neuroses, para o contexto do texto), Freud alfineta:
Quem é capaz de penetrar nos determinantes da doença neurótica, logo adquire a convicção de que o seu aumento em nossa sociedade vem do crescimento das restrições sexuais. p.262
E, ainda:
...devo insistir no ponto de vista de que a neurose, não importando o seu alcance e a quem atinja, sempre consegue fazer malograr as intenções da cultura... p. 269
Onde isso nos deixa? Há um desenvolvimento linear nessa elevação das tensões afetivas, segundo Freud. E se mudanças não advirem dos protestos atuais, talvez não haja outro movimento libidinal de retorno a um estado equilibrado, como houve depois das manifestações contra Dilma. Nesse caso,
...é fácil prever o que acontecerá se a liberdade sexual continuar sendo restringida e a exigência cultural for elevada ao nível do terceiro estágio... p.261
Isto é: no caso em que prevaleça a situação de configuração do poder que originou estes protestos e continue-se a demandar de minorias e da população negra restrições sexuais incabíveis, é cabível esperar por protestos mais violentos como os que estão acontecendo nos EUA.
Diz Jean Paul Sartre, em "Orfeu Negro" (cito-o com o propósito de empatia, não de lugar de fala):
Quando removeste a mordaça que mantinha estas bocas negras caladas, o que esperavas? Que lhe cantassem louvores? Pensaste que quando se erguessem de novo, lerias adoração nos olhos dessas cabeças que nosso pais forçaram a abaixá-la até o chão? Eis os homens negros, de pé, olhando-nos, e espero que você - como eu - sinta o choque de ser visto. (tradução livre)
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2019.09.23 22:47 henry25555 [Rant] Eu odeio o fanatismo cego por parte da torcida/comunidade do meu time

Primeiro de tudo vou avisar que esse vai ser um texto longo, então sinta-se livre para ler um parágrafo e dar downvote, só vai estar reforçando o meu ponto.

Eu nasci flamenguista de berço e com uma família muito fanática pelo flamengo, meus aniversários quase sempre foram com tema do flamengo e eu sempre assisti aos jogos. Para mim, o flamengo é minha paixão e sempre foi e sempre será muito mais que um clube esportivo, seja na lama coberto de dívidas ou em boas fases como está nesse ano.

Agora que eu já fiz minha breve introdução, eu quero tirar algo do meu peito que sempre veio me incomodando mas que está especificamente insuportável esse ano, o fanatismo cego por parte da torcida do flamengo.
Eu venho fazer esse desabafo à luz de eventos que aconteceram recentemente: Uma declaração controversa de Jorge Jesus e o ataque ao apresentador da rede de televisão Band, Neto.
Pra vocês que não seguem notícias, Jorge Jesus deu uma coletiva controversa após o jogo do Cruzeiro onde ele disse "Na dúvida, sempre contra o flamengo" com relação ao penâlti marcado contra o flamengo na partida. Não estou aqui para discutir se foi ou não penâlti, isso é irrelevante para a discussão.
Óbviamente a coletiva deu muita polêmica, em especial com a mídia paulista e mais especificamente com o apresentador do Donos da Bola de São Paulo, Neto. Breve comentário sobre o Neto: Não tenho nada contra ele, muito pelo contrário acho ele muito divertido como apresentador, pois ele fala o que pensa. Além claro dos surtos de imparcialidade dele serem muito engraçados. Segue o link do programa em questão.
Os comentários são todos de xingamentos ao apresentador, muitas vezes sem fundamento algum e com motivações muito contraditórias, mas é o Youtube e eu entendo que esse tipo de coisa é extremamente comum, mas o problema não é com os comentários do youtube em sí, e sim com um "embaixador" do flamengo que vai pelo nome Paparazzo rubro negro. Breve comentário sobre o indivíduo: Não o conheço pessoalmente, parece ser uma boa pessoa e fala o que pensa, mas ele é um dos principais catalisadores do cego fanatismo da torcida do flamengo nas redes sociais e um verdadeiro exemplo de imparcialidade, para ele o flamengo NUNCA está errado e o mundo está a todo momento conspirando contra o clube de regatas do flamengo, e esse pensamento bitolado dele é passado para a grande massa de usuários que consomem o conteúdo dele. O último exemplo foi o último vídeo que ele lançou em seu canal, segue o link.
Começando pelo título clickbait e os surtos de histeria do indivíduo no vídeo em questão, falando em até mesmo processar o apresentador e de barrar a Band de cobrir o CT do flamengo. É nítido que o indivíduo em questão não assiste ao programa do neto, e está baseando sua indignação em resumos de outras pessoas, ou clipes pequenos retirados do programa, ele mesmo admite no vídeo!
No programa em questão, é discutido a validez do posicionamento de Jorge Jesus sobre o tópico que lhe foi abordado na coletiva, e até mesmo eu como flamenguista concordo completamente com o que foi dito. Primeiro e mais importantes: Os times não são benefíciados especificamente, o problema é que a arbitragem brasileira é tão sofrível que erros acontecem muito frequentemente, e times acabam sendo prejudicados e outros beneficiados, e ele mesmo trás um ponto muito importante: Na maioria das vezes, apenas os times GRANDES são os beneficiados. Ele mesmo como corinthiano fanático tem a decência de admitir que o time dele foi beneficiado dezenas de vezes, assim como times como Palmeiras, Vasco etc, inclusive trazendo atenção aos graves erros de arbitragem na série B e C!
Ok, você pode argumentar o seguinte: "Mas o JJ está falando em relação ao tempo que ele esteve comandando o flamengo, não podemos relacionar o que aconteceu no passado" e eu te digo que existiram lances decisivos e bem controversos que beneficiaram o flamengo de alguma forma em jogos que o JJ já estava no comando, não vou entrar em detalhes sobre quais mas vocês devem ter uma idéia.
Você dizer que todos estão sempre contra o flamengo, é objetivamente incorreto. Isso é coisa de fanático cego, beirando a seita religiosa ou teoria da conspiração. Lembra do carioca de 2014, onde nosso gol do título estava nitidamente impedido, e o Felipe disse publicamente "Roubado é mais gostoso"? isso ninguém lembra né, assim como o próprio flamengo já foi muito prejudicado também! Isso é derivado da péssima arbitragem brasileira e não o Illuminati desejando o mal ao flamengo.
Vale ressaltar que no programa é dito coisas que também não concordo, onde ele compara o trabalho do JJ com o de outros brasileiros e tenta diminuí-lo, isso eu acho errado mas ele ali está dando sua opinião completamente subjetiva mas isso é uma das principais características que o apresentador tem, e ele não faz exclusivamente com o JJ. Logo depois, ele ressalta o bom trabalho que ele vem fazendo no flamengo e o parabeniza por isso também, como sua sagacidade ao requisitar pablo marí e gerson, ele até mesmo elogiou a torcida flamenguista que vem fazendo grandes lotações em estádios espalhados pelo Brasil. Para um apresentador que é notório pela sua imparcialidade, isso é bem admirável.
O neto sempre fez duras críticas ao flamengo, mas críticas merecidas como sobre a indenização das famílias que perderam seus filhos no incêndio, mas ele também faz vários elogios! Quando o palmeiras foi eliminado da libertadores e o flamengo passou, ele ressaltou várias vezes que "O único time no Brasil capaz de vencer o Liverpool é o flamengo, caso passe pelo Grêmio na libertadores" mas isso ninguém comenta né? isso não mandam la pro "Paparazzo".

Mas ta, qual é o meu ponto com tudo isso? Meu ponto é que essas pessoas precisam usar a CABEÇA e raciocinar, critica onde precisa ser criticado e elogia aonde merece ser elogiado, sem teoria da conspiração. Você falar que um apresentador precisa ser PROCESSADO por uma OPINIÃO é literalmente CENSURA! Você sugerir que a rede de televisão seja barrada de cobrir o CT do flamengo é, novamente, CENSURA. Você está basicamente dizendo "Se vocês não falarem bem do meu clube, vocês não vão mais ter direito de cobrí-lo" e não cobrir o flamengo em 2019 é um tiro no pé por conta da grande massa de torcida e audiência que dá, se o flamengo seguisse a instrução desse indivíduo, seria, novamente: CENSURA.

Outro ponto que quero ressaltar é o da recente convocação de Tite de dois jogadores chave do flamengo. Óbviamente fico triste e feliz ao mesmo tempo, mas eles merecem demais. Esse indivíduo no dia da convocação, postou um vídeo dizendo que a CBF está fazendo um complô contra o flamengo à prol de favorecer o palmeiras e enfraquecer o flamengo deliberadamente. Ele basicamente fez graves acusações à CBF, (que não é santa!) mas quem merece ser processado é o apresentador dando a opinão subjetiva dele, ok né...
Esse discurso de que o Tite está favorecendo o palmeiras é simplesmente IMBECIL. Culpem a CBF por essa zona no nosso campeonato e não o treinador, que está apenas defendendo o trabalho dele. Poderia ter um bom senso como o técnico da argentina? Sim, poderia, mas já convocou e acabou o assunto. Reclamam que o Gabigol não é convocado, ai quando é convocado reclamam de novo, pelo amor de deus. O cara disse diversas vezes que é o sonho dele voltar à seleção e o trabalho duro dele reflete essa premiação, em vez de xingar o tite e fazer teoria da conspiração por que não ficamos felizes pelo Gabriel? Confiem no teu clube e no teu treinador, se ele realmente é excelente ele vai segurar a barra nesses dois jogos de desfalque e mesmo que perca um e empate o outro ta de bom tamanho.

Eu simplesmente odeio esse torcedor que vive em uma bolha, parecem crianças cara... Tudo é contra ele e a favor do adversário, vai no perfil dos outros times ficar xingando jogador, diretoria, árbitro, e quando perde vai no próprio perfil e xinga o próprio clube em vez de apoiar na lama, só querem apoiar quando estão voando. Eu sei que essa parcela tóxica de torcedores é pequena porém ela é muito vocal, e a tendência é deles crescerem cada vez mais quando se tem pessoas como esse paparazzo agindo como embaixadores de mídia.
Reconhecer que o flamengo tem problemas, que peca em algumas áreas ou já pecou, que não é perfeito, é humano. Bizarro são essas pessoas que vivem cegas achando que tudo é perfeito e maravilhoso e que o mundo está conspirando contra nós a cada segundo, desculpa ai mas se você pensa assim vai se ferrar velho.

Vou encerrar por aqui se não vou acabar escrevendo um livro, sinta-se livre de discutir sobre o assunto seja qualquer for seu time, por que eu imagino que isso aconteça com os outros times também.
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2019.07.25 00:05 NatanaelAntonioli Convite para Desmistificando: Illuminati New World Order

Saudações! Venho aqui oficializar os planos de um desmistificando coletivo que já havia sido anunciado no Discord: Illuminati New World Order, o jogo de cartas que previu o futuro!
É uma teoria da conspiração segundo a qual as cartas do jogo Illuminati: New World Order e suas duas DLCs, Church of Subgenius e Assassins previram acontecimentos do futuro e, portanto, podem ser usadas como uma espécie de oráculo para eventos ainda para ocorrer. Um exemplo de texto fica por conta do site Minilua (https://minilua.com/lado-negro-baralho-illuminati/).
> Exemplo de texto
Para começar, eu gostaria de dizer que este jogo de cartas realmente existe, e pode ser encontrado facilmente. Eu não inventei essas coisas; esta postagem é baseada em fatos. Você pode decidir se quer acreditar que é uma teoria e que todos nós vamos morrer, mas você não pode negar que esse jogo de cartas não é mera coincidência.
Antes de contar toda a história, você precisa saber o que são os Illuminati. Se você já sabe, pode pular este parágrafo. Se você não sabe, é essencial ler isto. Uma breve explicação dos Illuminati (também conhecido como a Nova Ordem Mundial), é que é uma teoria da conspiração. Tudo começa com os Maias. Você provavelmente já sabe sobre sua previsão de que o mundo vai acabar em 2012. No entanto, o mundo não vai acabar em 2012, mas o quinto maior ciclo vai acabar em 2012. E isso significa uma grande mudança.
Crentes da teoria da conspiração dizem que os Illuminati vão começar a reconstruir o mundo a partir de 2013. Seu principal objetivo é reduzir a população mundial e criar um mundo melhor fazendo isso.
Agora que você sabe quem são os Illuminati, vou dizer outra coincidência (minha outra história era sobre os Illuminati e o aeroporto de Denver).
Tudo começou em 1995. Steven Jackson decidiu criar um novo jogo de cartas, chamada Illuminati. Quando o jogo terminou de ser criado, algo estranho aconteceu; o governo americano tentou fazer com que o jogo parasse de ser comercializado. A razão nunca foi revelada. Bem, alguns anos mais tarde, as coisas ficaram mais claras.
Exatamente seis anos após o lançamento do jogo de cartas, algo terrível aconteceu… Aviões colidiram com o World Trade Center, como resultado de um ataque terrorista. Muitas pessoas morreram. O jogo de cartas previu exatamente isso. Dê uma olhada nessa primeira carta. Até mesmo as posições dos prédios e explosões estão corretas. Outro ataque terrorista que todo mundo se lembra é o desastre no Pentágono. O jogo de cartas previu isso também.
O Lado Negro: O Baralho Illuminati
E você se lembra do vazamento de petróleo da BP, nos Golfo do México? Sim, o jogo sabia que isso iria acontecer. Dê uma olhada na carta intitulada “Oil Spill (Vazamento de Óleo)“. Você pode ver a água contaminada, um navio afundando e um pássaro morrendo graças ao petróleo. Bem como as cartas que eu mencionei antes, estas coisas aconteceram para reduzir a população mundial, e supostamente os Illuminati teriam feito isso.
Poderiam ser essas as razões pela qual o governo tentar proibir o jogo de ser publicado? O que o jogo prevê que acontecerá no futuro? Ele prevê o fim do mundo? O jogo definitivamente levanta questões. E isso é muito bom para as vendas. Mas como alguém poderia saber sobre estes desastres que ainda estavam para acontecer?
Você pode se perguntar o que o jogo Illuminati nos aguarda para um futuro próximo. Eu só vou te falar sobre as cartas mais destacáveis, porque há muitas com o que falar.
Há uma carta intitulada “Terceira Guerra Mundial”. Ela diz que haverá outra guerra mundial, mas que nesta, armas nucleares serão usadas. Parece lógico que, se houvesse outra guerra mundial, essas armas seriam usadas, porque já teve uma ameaça de guerra nuclear entre a Rússia/Pacto de Varsóvia e os EUA/OTAN anteriormente. E hoje em dia, com certeza existem mais armas nucleares do que no passado, e é claro que elas têm sido superdesenvolvidas.
Você também pode encontrar uma carta que diz que seu objetivo é a redução da população mundial. E isso, claro, é o objetivo principal dos Illuminati. Abaixo da imagem da carta, na descrição, ele diz que “Muitas pessoas criam problemas demais, e não amor o suficiente”, e os Illuminati veem a redução como a solução para esses problemas.
E há também a carta para Reescrever a História, a Carta Universitária dos Illuminati, a Carta do Fim do Mundo, e muitas, muitas cartas mais notáveis.”

https://preview.redd.it/ghui50v5qbc31.png?width=363&format=png&auto=webp&s=f6db097cdc81c689f9817c8841c3c4833b27fc9c
https://preview.redd.it/od6freu4qbc31.png?width=181&format=png&auto=webp&s=8e85ec63dc2201ca379abb2dddfbed2601696192

> O que é preciso fazer

Nós, seres racionais, sabemos diversos eventos acontecem no passado e acontecerão no presente, simplesmente por que fazer parte do nosso mundo. Desastres naturais, atentados em caminhões, tiroteios, vazamentos de óleo, políticos sendo mortos, etc.

É evidente que um jogo que apresente cartas sobre esses temas (feitas com base em temas do passado) apresentará ilustrações que reflitam acontecimentos futuros. Nosso desafio é mostrar que as cartas envoltas em conspiração foram feitas com base em acontecimentos passados que se repetiram várias vezes e que evidentemente se repetem no futuro.

> O que já temos
Consulte os próximos posts que farei!
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